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Projeto Seringueira

Madeira nativa da Amazônia vira material de design sustentável via cinco escritórios de criação

19/03/2014 - 07h38 - Atualizada em: 13/05/2014 - 12h21

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Por Redação NSC
(Foto: )

ELEONE PRESTES

Inspirar o aroma da floresta na exposição das peças de Fernando Jaeger, Zanini de Zanine, Paulo Alves, os irmãos Jack e Sergio Fahrer e André Cruz ao entrar no showroom em uma esquina da Vila Madalena (SP) era o começo de uma interação.

Da expectativa de encher os olhos com os móveis da coleção do Projeto Seringueira, passei logo para o deleite olfativo e sonoro, ao pisar (quase pedindo desculpa) nas folhas de seringueiras a delimitar a mostra. Cedi ao impulso de tocar a namoradeira. Tive a felicidade de ser recebida pelo jovem designer Cadu Polisel (foto à D), da equipe do escritório André Cruz Design&Ideias, que me apresentou a Cami, a Clut e a Haust, o trio de mesas da linha Cilindros - exposta também na Paralela Móvel, no Museu Brasileiro da Escultura, o MuBE.

Na sequência, Polisel passou às apresentações das obras dos demais designers na Marcenaria São Paulo, do escritório Paulo Alves Design.

Antes de mais nada, é preciso esclarecer: a madeira clara, bonita, resistente e durável não provém de árvores abatidas, mas de seringueiras que completaram o ciclo de produção do látex e da borracha natural e foram cortadas para dar lugar a novas mudas. Isso ocorre quando a planta tem uns 35 anos. Acredite, o destino dessas árvores tombadas vinha sendo lenha, antes desse reaproveitamento mais do que natural, ideia do produtor Fernando Genova, da madeireira Madeibor.

MESAS LATERAIS da linha Cilindros são assinadas pelo designer André Cruz, de cuja equipe faz parte o designer Cadu Polisel (foto). Os móveis desse grupo têm base em textura de concreto e tampo de madeira de seringueira

::: PROJETO SERINGUEIRA

- É possível ver um pedaço da tora em seu estado bruto somente tirando a casca e aproveitando a própria superfície macia do tronco. Nas extremidades da peça dá para ver todos os anéis de crescimento da árvore, sendo que cada um corresponde ao ciclo de um ano que ela passou plantada - explica o designer Paulo Alves, à frente desse projeto, que trabalhou com a madeira bruta.

André Cruz optou por uma mistura:

- Usei o concreto, pois vi similaridade com o processo de extração do látex, líquido ao ser extraído e depois se torna sólido por diversos processos. Esse material também é inicialmente uma massa líquida, que pode se transformar no shape que quiser. Esperemos que a iniciativa vire moda no país. Tailândia, Malásia, Indonésia e Vietnã, com sementes da Amazônia, produzem borracha e há mais de 20 anos tomaram a dianteira no uso dessa linda madeira.

A NAMORADEIRA, de Paulo Alves, foi batizada de Barney e Beth: Homenagem ao simpático casal do desenho animado mais querido da minha infância, diz o autor. A peça leva meia tora de madeira bruta da seringueira e tem pés em estrutura de galhos da madeira. O acabamento é verniz à base de água

BANCO Nômade, de Fernando Jaeger, tem assento de madeira de seringueira com dois metros e base de ferro com pintura texturizada a pó.

CADEIRA Charles Muller, de Sergio e Jack Faher, tem os pés torneados, influência das peças de Joaquim Tenreiro. O encosto da cadeira tem linhas curvas em referência ao desenho do estádio Pacaembu visto de cima.

BANCO Prisma, de Zanini de Zanine, é 100% de seringueira base e assento na madeira

FOTOS VICTOR AFFARO, DIVULGAÇÃO

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