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Promotor diz que "empreendedores inescrupulosos" incentivam ocupações clandestinas em Florianópolis

Reação de Paulo Locatelli, da 32ª promotoria de justiça, vem após decisão judicial que permite ligação de água, esgoto e energia elétrica em ocupação irregular nos Ingleses

08/09/2019 - 16h39 - Atualizada em: 08/09/2019 - 17h37

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Renato
Por Renato Igor
São 200 famílias instaladas de forma irregular em uma área de preservação permanente no fim da Servidão Vicentina Custódia dos Santos.
São 200 famílias instaladas de forma irregular em uma área de preservação permanente no fim da Servidão Vicentina Custódia dos Santos.
(Foto: )

O promotor de Justiça Paulo Locatelli, com atuação no norte da Ilha, em Florianópolis, demonstrou frustração após a decisão da última semana em que o Tribunal de Justiça permitiu que uma servidão com ocupações irregulares tivesse ligação de serviços de energia elétrica, água e esgoto. A decisão de primeira instância foi revertida pelo tribunal.

— É como enxugar gelo — afirma Paulo Locatelli, que atua na 32ª promotoria de justiça, no norte da ilha.

Confira a texto escrito pelo promotor:

As construções clandestinas e irregulares assolam as cidades. Somos reféns de empreendedores inescrupulosos, que ignoram as leis e normas técnicas em detrimento do planejamento urbano, do meio ambiente e do consumidor, tão somente em busca do lucro fácil e rápido. Aproveitando-se muitas vezes da omissão dos órgãos públicos fiscalizadores ou da facilidade em gerar carnes de IPTU, ligações de energia e fornecimento de água clandestinos, além de abertura e nomeação indevida de vias que não são públicas, pois em sua maioria não pertencem ao poder público, buscam a consolidação dos seus atos e a legitimação indevida dos mesmos.

Os efeitos são perversos à toda sociedade, seja no aspecto ambiental com problemas no saneamento, precariedade dos serviços públicos essenciais, qualidade da obra, evasão fiscal, crescimento desordenado ao invés de planejamento urbano.

Apesar do STJ, por meio da súmula 613, não reconhecer a aplicado da teoria do fato consumado no direito ambiental, encontramos decisões que infelizmente convalidam, chancelam, incentivam as ocupações clandestinas.

Vivemos um momento de ausência de decisões modernas que contemplem a proteção urbanística e ambiental objetivando a sustentabilidade.

É preciso dar um basta na ilegalidade e que se puna o infrator e não se legitime as ocupações clandestinas, analisando com ressalvas aquelas de comprovado interesse social e ocupadas por moradores de baixa renda.

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