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    Saúde Mental

    Psicólogas de SC criam serviço gratuito para atender pessoas afetadas pela Covid-19

    Atendimento é destinado a profissionais de áreas como saúde e serviços, pacientes diagnosticados com o vírus e pessoas que perderam familiares para a doença

    17/04/2020 - 12h52

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    Por Guilherme Simon
    Mulher de máscara no Centro de Florianópolis
    Mulher caminha de máscara em rua do Centro de Florianópolis
    (Foto: )

    Psicólogas de Florianópolis criaram um serviço de atendimento gratuito voltado à saúde mental durante a pandemia de coronavírus. As consultas, realizadas pela internet, são destinadas a pessoas afetadas pela Covid-19, como profissionais da área da saúde e de serviços como supermercados e limpeza, além de pacientes diagnosticados com o vírus e pessoas que perderam familiares para a doença.

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    A inciativa, batizada de “Tudo vai ficar bem”, partiu das psicólogas Graziele Zwielewski e Gabriela Oltramati, ambas da Capital. Graziele conta que as duas recrutaram um grupo de psicólogos voluntários que já soma 40 profissionais cadastrados. Os atendimentos já começaram a ser realizados.

    — Nós criamos um protocolo específico, baseado na Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), para que todos os psicólogos sigam os mesmos passos. O acompanhamento pode durar até oito sessões, dependendo da gravidade de cada caso — explica a psicóloga Graziele Zwielewski.

    Graziele reitera que o serviço é destinado exclusivamente a pessoas afetadas diretamente pelo coronavírus. Por ora, o cadastro para participar é feito somente pelo Instagram do grupo: @tudovaificarbem.brasil.

    Após receberem a solicitação de atendimento, os profissionais fazem uma triagem dos pacientes e entram em contato para iniciar o acompanhamento psicológico. Pessoas de qualquer parte do país podem participar.

    Foi uma ideia que veio do coração mesmo, a partir de uma conclusão de que a humanidade vai adoecer por causa dessa pandemia. Eu tive essa sensação, junto com a Gabriela, e então a gente decidiu que precisava fazer algo para ajudar. Graziele Zwielewski, psicóloga

    Saúde mental na pandemia

    Os altos níveis de estresse aos quais estão submetidos trabalhadores da linha de frente de combate ao coronavírus podem agravar quadros de ansiedade e até mesmo provocar transtornos mais sérios, diz a psicóloga. Já as pessoas em isolamento por conta da Covid-19 precisam lidar com sentimentos de angústia e incerteza em relação à doença.

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    — O que a gente percebe é que cada grupo tem a sua demanda. A classe médica e da saúde em geral, por exemplo, está sofrendo um dano moral enorme. Isso porque eles precisam tomar decisões difíceis, além de lidar com problemas de falta de equipamento e medo de se contaminar. Estamos vendo pessoas em esgotamento, porque querem tanto ajudar que se esquecem de se ajudar. Há profissionais que se negam a dormir — comenta a psicóloga Graziele.

    Já entre as pessoas infectadas ou que tiveram familiares afetados pelo coronavírus, o sofrimento psicológico resulta de sentimentos como culpa e medo do que poderá acontecer.

    — Tenho visto muitas pessoas se sentindo culpadas, achando que foram responsáveis por infectar familiares. Nas pessoas diagnosticadas, vemos também muito desespero diante da incerteza em relação à progressão da doença.

    Quando procurar ajuda

    A psicóloga reforça que é importante que as pessoas procurem ajuda para enfrentar o sofrimento causado pela doença antes que os sintomas se agravem.

    — A pessoa precisa ficar atenta. Se ela estiver com dificuldade para dormir, se sentindo angustiada, com necessidade de se ocupar o tempo todo, ou com muito medo, achando que alguém ou ela própria podem morrer, talvez seja o momento de procurar ajuda para evitar que isso se transforme num sofrimento maior.

    Os grupos que podem participar do atendimento psicológico gratuito oferecido pelas psicólogas de Florianópolis são: equipe linha de frente (desde atendentes de supermercado, profissionais de limpeza até médicos e enfermeiros); pacientes com a Covid-19 em situação de isolamento; familiares ou cuidadores de pacientes com a doença; pessoas consideradas casos suspeitos e pessoas que perderam familiar com coronavírus.

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