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Opinião

Quais os desafios de Florianópolis com 500 mil habitantes? 

Precisamos de um projeto de longo prazo e que as maquetes saiam do papel  

01/09/2019 - 19h10 - Atualizada em: 01/09/2019 - 19h31

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Renato
Por Renato Igor
Congestinamentos em Florianópolis
A mobilidade é apenas um dos pontos que sente o efeito do crescimento da população em Florianópolis
(Foto: )

Atingimos a marca emblemática de 500.973 moradores na capital. Temos inúmeros desafios pela frente:

1- O déficit habitacional é de oito mil moradias. Temos dez projetos habitacionais para população de baixa renda. Todos na maquete. Caso todos fossem executados, iriam atender apenas 400 famílias. Enquanto isso, construções irregulares ocorrem todo o dia e loteamentos irregulares são vendidos, agravando problemas urbanísticos e ambientais. Em muitos destes locais não entra o caminhão do lixo e não há saneamento. Até construção sobre o manancial do Rio Capivari, no Ingleses, existe. Somente em 2019 são 20 liminares da justiça não cumpridas pela prefeitura, desde embargos em construções até demolições, segundo o promotor de justiça Paulo Locatelli. É preciso o uso da tecnologia para conter o crescimento desordenado.

2- A mobilidade urbana é o grande desafio. Não temos transporte integrado com a Grande Florianópolis e nem um quilômetro de corredor de ônibus implementado. O ônibus compete com o carro na fila. Assim, não há como motivar quem está no transporte individual e usar o coletivo. Nessa lógica, sempre a próxima obra é a (falsa) esperança.

3- Segurança Jurídica não existe. Há conflito de competência e ativismo ambiental. Dificuldades para termos beach club, hoteís, marinas e trapiches. Estamos ainda no debate do atraso. Confrontando preservação ambiental com desenvolvimento econômico, enquanto isso, temos exemplos mundo afora de crescimento com sustentabilidade ambiental, ecológica e social. Ainda hoje aprovar uma obra é uma via sacra. Historicamente, a burocracia na cidade é um método para a corrupção.

4- A desigualdade é uma marca na cidade. Temos um hiato entre analfabetos digitais e funcionais e o pujante ecossistema da tecnologia e inovação da capital. Aproximar esses dois mundos é um desafio que o movimento Floripa Sustentável pretende fazer com a construção de centros de inovação nas comunidades. Grande sacada.

5- Ao contrário do que muita gente pensa, a verticalização dos imóveis, tecnicamente e urbanisticamente falando, é uma solução e não um problema. Bem planejada, é fundamental para criar corredores de serviços, com alta demanda e que viabilizem economicamente o transporte coletivo. Em uma cidade espalhada é mais difícil de fazer os serviços chegarem com qualidade. Verticalizar preservando mais áreas públicas pode ser uma saída inteligente.

5- Precisamos avançar muito na qualidade dos portais de transparência da Câmara de Vereadores e Prefeitura. Hoje é muito difícil achar o detalhamento de contratos e notas fiscais, por exemplo.

6- Um assembleísmo sem fim atrasa o saneamento na cidade. Ainda hoje há impasse, por exemplo, com relação ao sistema de tratamento de esgoto para o sul da ilha. Até a agência japonesa JICA desistiu do projeto tamanha a indefinição. A cidade não consegue criar um pacto, uma agenda mínima que viabilize essas questões. As ligações irregulares de esgoto são um escândalo.

7- Segurança pública é preocupação permanente. Embora com criminalidade em queda, precisamos integrar mais Guarda Municipal e Policia Militar. Falta efetivo em ambas corporações.

Voltarei a este apaixonante tema.

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