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Queda do Muro de Berlim: catarinense relembra como foi o 9 de novembro de 1989

Natural de Jaraguá do Sul, Günther Giese estava em uma ópera quando o símbolo da divisão da Alemanha foi derrubado

09/11/2019 - 11h25 - Atualizada em: 11/11/2019 - 16h28

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Augusto
Por Augusto Ittner
Ainda há pedaços do muro em Berlim.
Ainda há pedaços do muro em Berlim.
(Foto: )

Era noite de ópera na fria Berlim Ocidental, em 1989.

Ansioso para encontrar os amigos, o catarinense Günther Giese, que morava no lado capitalista, havia se arrumado para acompanhar a apresentação. Mas o dia era diferente na cidade, a começar pelas lembranças: 51 anos antes, exatamente em 9 de novembro, o país comandado por Adolf Hitler tinha sido palco da Noite dos Cristais, uma ação contra os judeus que antecedeu a Segunda Guerra Mundial. Em meio às reflexões sobre a data durante a ópera, mal sabia Günther que, poucas horas mais tarde, ele iria presenciar um dos acontecimentos mais importantes do século 20: a queda do Muro de Berlim.

A ópera ocorreu normalmente – pelo menos até o intervalo. De repente a plateia, que até então acompanhava compenetrada e silenciosamente a apresentação, começa a cochichar. Era quase uma brincadeira de telefone sem fio. Alguém que estava no local tinha recebido a informação de que a fronteira com a Berlim Oriental havia sido aberta. Essa pessoa disse à do lado, que disse à do lado, e assim sucessivamente. Os sussurros chegaram ao ouvido de Günther, que se lembra exatamente da reação que teve.

A gente pensou: “poxa, que piada de mau gosto”. Não era dia para brincadeiras. Só que a conversa continuou e nós começamos a cogitar a possibilidade de que aquilo realmente estava acontecendo.

Ao fim, os sussurros de minutos antes tinham se tornado falas de alto e bom tom. O grupo de amigos, então, decide caminhar pela ruas de Berlim Ocidental para entender o que de fato se passava. E aí veio a surpresa:

– Fomos tirar a dúvida. Mas quando saímos de lá, percebemos que toda a Berlim estava fazendo a mesma coisa. E mais do que isso. Vimos que o muro estava aberto e com pessoas fazendo festas improvisadas por todos os cantos possíveis da cidade. Era muita gente na rua.

Abertura da fronteira ocorreu por acaso

Berlim Ocidental era uma ilha capitalista dentro de um país socialista. Foi isso que motivou em 1961 a construção do Muro de Berlim, em meio a um contexto pós-Segunda Guerra Mundial e com tensões constantes entre Estados Unidos e União Soviética – a tal Guerra Fria.

Destruída após os conflitos, a Alemanha foi dividida e essa segmentação se estendeu também à capital, que ficava dentro do lado controlado pelos soviéticos. Isso levou à construção de uma estrutura que impedisse que os alemães fossem de um lado para o outro.

Günther Giese, jaraguaense que mora em Berlim.
Günther Giese, jaraguaense que mora em Berlim.
(Foto: )

– A construção do muro foi um erro que sucedeu outro erro. Berlim ficava no meio da Alemanha Oriental, então não fazia sentido que ela fosse dividida. Ela deveria ter ficado totalmente sob controle da União Soviética. Mas não, criaram uma situação esquizofrênica com um país e, no meio dele, uma cidade dividida por um muro – explica Leonardo Brandão, doutor em História e professor da Universidade Regional de Blumenau.

Günther, que é cantor lírico, recorda emocionado do dia e do fato que motivou a ida dos alemães à fronteira. Foi uma entrevista de um xará, o porta-voz Günter Schabowski, da Alemanha Oriental, que levou milhares de pessoas às ruas.

Isso porque o regime comunista estava em crise e diversos protestos já ocorriam pelo país. Para amenizar essa tensão, o governo socialista decidiu mudar as regras para viagens de um lado a outro. E foi aí que o muro começou a cair. Questionado por jornalistas, Schabowski deu a entender que as fronteiras estavam abertas “ab sofort” – de agora em diante. Foi a gota d’água para a população, que tomou as ruas e pôs abaixo a separação física entre as Berlins.

Se fosse um filme, eu diria que era algo inventado, que não tinha nada a ver com a realidade. Mas a realidade conseguiu vencer a imaginação. Não tem um dia que eu passo pelo Portão de Brandemburgo e não agradeço por ter vivenciado essa mudança. É um símbolo de liberdade.

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