A investigação contra os acusados de participar dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro resultou em mais de duas mil pessoas presas, 1,3 mil denunciadas e 30 já condenadas até o momento. Esta segunda-feira (8) marca o aniversário de um ano dos ataques aos prédios dos Três Poderes, em uma tentativa frustrada de bolsonaristas extremistas de golpe contra o governo à época recém-empossado.

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Um dos inquéritos abertos após os atos de 8 de janeiro investiga especificamente quem financiou a atuação dos extremistas nos ataques aos prédios em Brasília. O inquérito ainda está em segredo de justiça e, portanto, não tem os nomes dos envolvidos divulgados.

O primeiro investigado neste processo foi formalmente denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) em dezembro do ano passado. Trata-se de um empresário de Londrina (PR). Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o acusado seria Pedro Luis Kurunczi. Ele teria gasto R$ 59 mil para fretar quatro ônibus e levar 108 pessoas a Brasília no dia dos ataques.

O alvo da operação é encontrar quem ajudou a financiar os atos, custeando o transporte dos manifestantes até Brasília e a manutenção do acampamento em frente ao quartel do Exército na capital federal, que serviu como ponto de concentração para os envolvidos antes dos ataques.

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O denunciado também teria participado de grupos de mensagens em que foi organizada a ida de manifestantes à Brasília. Se a denúncia for aceita pelo STF, ele deve responder por associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Catarinense entre os presos

Embora os nomes dos alvos do processo no STF ainda estejam sob sigilo e apenas uma pessoa tenha sido denunciada, um catarinense foi preso no ano passado também pela suspeita de ajudar a financiar os atos golpistas de 8 de janeiro. O pastor Dirlei Paiz, 40 anos, de Blumenau, foi preso em agosto na Operação Lesa Pátria, que investiga os responsáveis por financiar e estimular os ataques. Dirlei foi solto no início de dezembro. O inquérito segue em andamento.

No total, 1,3 mil foram alvos de processos aceitos pela Justiça por terem participado dos atos de 8 de janeiro. Segundo o STF, 1,1 mil aguardam pela elaboração e homologação de acordos de não persecução penal com o MPF, enquanto outros 232 devem ser levados a julgamento (veja mais abaixo). Atualmente, apenas 66 pessoas permanecem presas, segundo o STF.

Contraponto

Em nota, a defesa do pastor Dirlei Paiz, afirma que a prisão dele foi injusta, mas também compreensível, “haja vista ele, naquele momento, ser visto como uma liderança de direita na cidade de Blumenau e isto incomoda gente de várias matizes políticas, o que nos leva a crer que várias denúncias levaram o judiciário ao erro, determinando a prisão do pastor Dirlei”.

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O texto aponta ainda que, “tecnicamente conseguimos provar a inocência do pastor em relação aos fatos imputados a ele, sendo que até a PGR se manifestou favorável aos argumentos da defesa, o que fez com que o STF determinasse a soltura do pastor Dirlei Paiz”. Segundo a defesa, apesar de cumprir medidas cautelares, a expectativa é que o inquérito seja arquivado.

Veja fotos dos atos de 8 de janeiro

Processos do 8 de janeiro em números

São 1.345 denúncias aceitas pelo STF, das quais:

  • 1.113 foram suspensas para elaboração de acordos de não persecução penal com a Procuradoria-Geral da República. São casos de pessoas que acamparam em frente a quartéis e incitaram a tentativa de golpe, mas não participaram diretamente da invasão da Praça dos Três Poderes. Nos acordos, os réus reconhecem a culpa e se comprometem a prestar medidas como serviços comunitários e pagamento de multa para não serem julgados;
  • 232 casos estão sendo levados a julgamento, com 30 deles já com condenação e 29 com julgamento em aberto até 5 de fevereiro.

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