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Laura Coutinho

Representante da Pantone no Brasil, Blanca Liane Cernohorsky fala sobre a influência dos impactos sociais na escolha da cor do ano

08/04/2017 - 07h00 - Atualizada em: 09/04/2017 - 11h28

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Por Redação NSC

Por Cristiano Santos (interino)

cristiano.santos@diariocatarinense.com.br

Quando chega dezembro, profissionais das mais diversas áreas aguardam o lançamento da cor que será tendência no próximo ano. Quem faz essa divulgação é a Pantone, empresa que trabalha com identificação de cores, isto é, define um nome e um número para cada tom.

Conta ainda com uma divisão, chamada Pantone Color Institute, que trabalha com o estudo das tendências para as próximas temporadas. No Brasil, Blanca Liane Cernohorsky é uma expert no assunto. Paulistana que já trabalhou em diferentes áreas da moda brasileira, ela é hoje distribuidora master dos produtos Pantone e embaixadora do Pantone Color Institute no Brasil.

(Foto: )

Entre os dias 3 e 7 de maio, Blanca vai ministrar workshops durante a 1ª edição da Design Business Fair, que ocorre em Jurerê Internacional, em Florianópolis. Por telefone, conversamos sobre este universo:

Como é a sua relação com a Pantone?

Sou a distribuidora autorizada da Pantone no Brasil e a única que detém o site Pantone.com.br. Somente eu e o agente do Japão temos este privilégio. Sou uma empresa nacional que cuida do uso do nome da Pantone. Ela viu que sou séria, tenho competência e me deu essa tarefa. Cuido da promoção, divulgação, uso correto da marca. Porque é uma marca muito famosa e as pessoas querem se apropriar dela. Sou uma ponte entre a marca e as empresas brasileiras que querem usá-la.

E como funciona o Pantone Color Institute?

É uma parte da empresa que trabalha principalmente com tendências. Toda a parte das cores customizadas também, como é o caso da Tiffany & Co., que procurou a Pantone nos anos 1950 para lançar uma cor exclusiva, que não existe no catálogo. O estilista Jason Wu também criou um cinza que não existe no catálogo, isso é o luxo do luxo no momento.

Um boom de divulgação da Pantone é o lançamento da cor que será tendência no ano seguinte. Como funciona isso?

Eles pesquisam cores que estão se tornando relevantes, não é uma só, têm várias na corrida. Eles analisam todas as tendências. O cinza está cada vez mais relevante e então é possível que ele seja a cor decisiva do ano. Mas é só divulgado em dezembro. Já trabalhamos há 18 anos neste conceito, mas só com as redes sociais se tornou largamente divulgado e aceito.

Nesta pesquisa quais os profissionais que estão envolvidos?

Do mundo todo, de todas as áreas da competência humana. Da moda ao social. Vamos dizer, está havendo explosões na Rússia, uma batalha com a China e os Estados Unidos. Tudo isso está sendo levado em consideração para que a cor seja o símbolo do momento atual, que tenha essa relevância para impactar no ano seguinte.

A gente está vendo o verde, cor de 2017, há três anos, mas ele nunca chegou ao patamar que chegou agora. Sendo que era uma cor secundária e se tornou fundamental, extremamente relevante pela mensagem que passa de retorno à natureza, contato pessoal, sair um pouco do digital, passar a viver a vida um pouco fora da internet, fazer um belo jardim em casa, colocar um vasinho no banheiro. O verde já vai trazer o alívio da tensão. O mundo está tenso e qual cor vai poder relaxar o ser humano de verdade?

Quais temas vai abordar nas palestras?

Vou falar sobre mega trends. Somos um país que precisa cuidar das suas áreas verdes. Essa é a mensagem mais social. A mensagem emocional, porque a gente fala muito de marketing emocional, vem da necessidade de não esquecermos o sentir. É isso que a cor do ano traz – a Greenery, um verde levemente amarelado que representa um novo começo, foi escolhida como cor de 2017. Temos que sentir confiança. Para a moda, é aquela coisa de ser diferente e de que o verde combina muito bem com o verde.

O momento agora é de utilização de várias cores, várias estampas, texturas, uma coisa em cima da outra. A ideia é que o verde traz de volta o eixo. Do ponto de vista político, a cor assinala para a ideia de abrir espaço para o diálogo, porque é uma cor natural, e não é natural ficar explodindo pessoas.

Na decoração, falamos sobre os espaços verdes em casa, as paredes vivas. Em termos urbanísticos, a cidade precisa de verde para respirar, os imóveis verticalizados com jardins suspensos. Da janela do 20 º andar você tem uma palmeira na sua frente. Na alimentação, a gente tem o grande uso de sucos verdes, todo lugar tem, fiquei impressionada como qualquer restaurante de médio para bom tem suco verde. As pessoas pedem por isso. Em todas as áreas humanas entrou o verde.

Qual a sua cor predileta?

Gosto de todas as cores, mas amo o branco e o azul. Mas fica estranho para uma expert em cores dizer que gosto do branco, que nem é uma cor. Mas hoje o meu azul predileto é um azul lavanda, não é roxo nem lilás. Porque é uma cor que rejuvenesce, traz um espírito moderno e jovem.

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