Depois de anos resistindo à presença de uma virose que atinge as plantações de maracujá, a cidade de Araquari, no Norte de Santa Catarina, volta a elevar a produção do fruto que a consagrou como a Capital Catarinense do Maracujá em 2002. Neste ano a estimativa da Secretaria de Agricultura e Pesca do Município é de que a produção alcance 800 toneladas, ligeiramente acima das cerca de 600 toneladas produzidas no ano passado.

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Hoje são 32 as famílias que mantém oficialmente a atividade no município e a procura está aumentando gradativamente, embora ainda distante dos 60 produtores que chegou a ter no início dos anos 2000.

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De acordo com o secretário municipal de Agricultura, Nelson Silveira, a revalorização no cultivo do fruto busca recuperar o legado do município no setor, atrair novos produtores e gerar renda para o homem do campo a partir do maracujá (terceiro suco mais consumido do País).

— Essa tendência de crescimento resulta de ações que buscamos fazer nos últimos anos para incentivar o agricultor a investir na produção do maracujá dentro do município, até porque esse fruto faz parte da história de Araquari — enfatiza.

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Incentivo municipal

Secretário de Agricultura Nelson Silveira e o produtor Nestor Iunckes mostram resultados da plantação
Secretário de Agricultura Nelson Silveira e o produtor Nestor Iunckes mostram resultados da plantação (Foto: Salmo Duarte, A Notícia)

Para tornar a intenção uma realidade, a Prefeitura de Araquari tem apostado no subsídio de metade do valor investido em mudas pelos agricultores. Para a safra atual, por exemplo, foram disponibilizadas cerca de 32 mil mudas aos produtores, por meio de uma licitação vencida por um viveiro de Urussanga, no Sul de Santa Catarina.

Outro incentivo dado pelo Município é de 50% no valor investido na aquisição de adubo orgânico para as lavouras, o que totaliza três mil sacas do produto entregue para os agricultores locais. Soma-se a isso, a possibilidade de o agricultor alugar o maquinário da secretaria para fazer o manejo inicial da lavoura.

Conforme Nelson Silveira, com os benefícios a tendência é de que haja ampliação da demanda por novas mudas para o ano que vem. O plano de expansão se intensifica ainda com a retomada da tradicional Festa do Maracujá, que acontece de 30 de abril a 5 de maio, depois de três anos no hiato.

— A expectativa está maior justamente porque temos bastante procura de pessoas dispostas a produzir os fruto, não só devido aos benefícios do município, mas dada a qualidade da muda que estamos inserindo nas nossas lavouras — aponta.

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Segundo a administração municipal, o trabalho é feito com o popular “mudão”, munido de certificado de qualidade e que já vem com 50 a 70 centímetros de comprimento, o que confere maturidade mais rápida e maior quantidade produzida. O volume de produção abastece principalmente Araquari, Joinville e os mercados de Curitiba e São Paulo.

Fruto é fonte de renda para os produtores locais

Produtor Nestor Iunckes criou equipamento para lavar a fruta
Produtor Nestor Iunckes criou equipamento para lavar a fruta (Foto: Salmo Duarte, A Notícia)

O produtor Nestor Iunckes, de 54 anos, é um dos mais recentes a apostar no cultivo do maracujá na cidade. As primeira tentativa aconteceu há quatro anos nas terras da família Iunckes, mantida às margens da BR-101. Ele investiu pouco mais de R$ 20 mil para montar a estrutura de um ‘parreiral’, passou por capacitação, e em sua primeira colheita, em 2016, já conseguiu produzir cerca de 25 toneladas do fruto.

Atualmente, ele mantém a produção com a ajuda de um sobrinho ao longo de um hectare do terreno, e deve colher pelo menos 20 toneladas de maracujá no semestre.

— Desde que comecei, tudo o que plantei eu consegui vender nas verdureiras da região. A venda acontece geralmente a partir de janeiro e segue até o replantio, em agosto. A ideia deu certo e pretendo continuar investindo — conta.

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Em um dos investimentos mais recentes, Nestor criou uma máquina ao custo de R$ 5 mil, que lava o maracujá logo após a colheita. Antes do processo existir, a limpeza era feita de forma braçal, fruto por fruto, antes de chegar no comércio. “O ganho é de tempo e na qualidade do serviço”, garante.

Em outra propriedade, na localidade de Morro Grande, o produtor Francisco Angelico, de 53 anos, mantém dois de quinze hectares de terra ocupados pela plantação do fruto. O cultivo se mantém neste espaço do terreno há 15 anos e é responsável por garantir o sustento familiar.

Segundo o agricultor, mesmo tendo perda de 30% da sua produção nos últimos anos, ocasionada pela virose do endurecimento do fruto – uma das responsáveis pela queda do cultivo na região na última década – ele resistiu e não mudou de cultura. Pelo contrário, desenvolveu uma armadilha simples com garrafas pet para reduzir a ação dos parasitas do fruto e preservar a plantação.

— Comecei do nada, e, naquela época, a safra era melhor porque não tinha a virose. Apesar disso, o pior é que eu gosto dessa lavoura e é dela que sobrevivo; por isso resisti e vou seguir cultivando até quando eu puder — revela.

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