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Saúde

Reunião entre Samu e Governo do Estado discutirá condições de trabalho em SC

Médicos e enfermeiros reclamam que não recebem férias há três anos e das más condições das sedes, sem material administrativo e espaços de descanso adequados

22/02/2021 - 10h41

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Cláudia
Por Cláudia Morriesen
foto mostra ambulâncias do Samu em Santa Catarina
O Samu de Santa Catarina é administrado por uma empresa terceirizada de Florianópolis
(Foto: )

Profissionais do Samu de Santa Catarina e seus representes se reúnem nesta segunda-feira (22) com a Secretaria do Estado de Saúde para discutir os pedidos da categoria, que levaram a uma greve de 15 dias em Joinville entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, e a protestos em cidades como Florianópolis, Criciúma e Chapecó no mesmo período. Entre os pedidos estão a manutenção dos salários e a melhora nas condições de trabalho. 

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A reunião ocorrerá às 15 horas, na Secretaria de Saúde, com a presença de representantes dos sindicatos, do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e da empresa responsável pelos serviços do Samu em Santa Catarina, a Ozz Saúde. Este será o primeiro encontro entre os profissionais do Samu e o Governo do Estado desde as manifestações do fim do ano. Na época, havia o pedido de pagamento do 13º salário, que seria feito em seis parcelas. 

— Este pedido foi atendido e o 13º foi pago integralmente, de uma vez. Mas os outros pedidos continuam sem resposta — argumentou o presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Joinville e Região, Lorival Pisetta. 

Na lista de reclamações estão a falta de reajustes salariais nos últimos três anos (de 2018 a 2020), a não concessão de férias no mesmo período, a supressão do pagamento dos feriados e a redução no pagamento das horas extras. Eles também alegam que não há recolhimento do FGTS. Os profissionais ainda reclamam das más condições de trabalho nas sedes, para o serviço administrativo; da falta de treinamentos e da ausência de coordenações locais. 

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Uma pesquisa realizada pelo Simesc em 2020 mostrou que, para 80% dos médicos do Samu, a quantidade de ambulâncias não é suficiente e quase metade afirmou que os equipamentode protenção individual não eram distribuídos de forma adequada, com kits completos. Os médicos também falam em atraso do 13º salário de 2019, não concessão de férias e 70,4% informou não terem condições adequadas para repouso médico e alimentação e quase 85% disseram que as condições de mobiliário são inadequadas.

Governo do Estado estava ciente de problemas em 2020

Durante a greve que ocorreu em Joinville, os serviços essenciais foram mantidos — os profissionais que paralisaram eram, principalmente, da Central de Regulação. Em Florianópolis, o Ministério Público do Trabalho (MPT-SC) ajuizou um dissídio coletivo de greve com pedido de tutela de urgência junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região, para garantir que os serviços indispensáveis sejam mantidos com funcionamento mínimo de 80% das atividades na Capital, caso o resultado da reunião desta segunda-feira não seja considerado positivo para os profissionais do Samu. 

Em dezembro, a Secretaria de Estado da Saúde, por meio da sua Superintendência de Urgência e Emergência, emitiu uma nota informando que acompanhava a insatisfação dos profissionais do SAMU e entendia que "são anseios e acúmulo de muitos anos, cuja manifestação é compreensível".

Segundo o Governo do Estado, a discussão sobre salários e férias vencidas é responsabilidade contratual e legal da empresa prestadora de serviços que administra o Samu e faz as contratações dos profissionais, a OZZ Saúde. Também informou que um grupo técnico foi criado para avaliar o contrato com a prestadora de serviços, criar um diálogo maior com o sindicato e avaliar medidas a curto prazo, para que todas as unidades do Samu tenha bases próprias nos próximos anos e para produzir um projeto de comunicação em toda a rede, por meio de novas tecnologias e softwares.

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