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    Viena

    Rússia anuncia cooperação com a Jordânia sobre operações na Síria

    23/10/2015 - 15h09 - Atualizada em: 18/11/2015 - 04h30

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    Por Redação NSC

    Estados Unidos, Arábia Saudita, Turquia e Rússia discutiram nesta sexta-feira sobre a guerra na Síria durante uma reunião inédita em Viena, na qual Moscou anunciou que coordenará operações com a Jordânia.

    "As forças armadas dos dois países (...) concordaram em coordenar as suas ações, incluindo as de suas forças aéreas na Síria", declarou o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, a jornalistas em Viena, acrescentando que um mecanismo foi ativado na capital da Jordânia para facilitar a cooperação.

    Com este anúncio, Moscou avança em sua estratégia na Síria perante o Quarteto, em que Washington, Riad e Ancara defendem uma linha mais dura contra o regime do presidente sírio Bashar al-Assad.

    "O que acordamos hoje é consultar todas as partes, com o objetivo de voltar a convocar uma reunião mais ampla, que esperemos que seja na próxima sexta-feira, para ver se há pontos de acordo suficientes para poder avançar a um processo político", afirmou por sua vez o secretário de Estado americano, John Kerry.

    Durante tensas negociações, Lavrov também defendeu a inclusão de outros importantes atores regionais, como o Egito e o Irã. "É evidente que este quarteto não é suficiente", ressaltou.

    Durante o dia, Lavrov reiterou que seu país é favorável a negociações para encontrar uma solução "política" para o conflito sírio envolvendo o governo de Bashar al-Assad e o "espectro total" da oposição síria.

    "O destino do presidente sírio deve ser decidido pelo povo sírio", declarou Lavrov, indicando que a Rússia continua a se opor a uma saída forçada do líder sírio, cujo país enfrenta uma guerra civil desde 2011.

    Antes da reunião do Quarteto, Lavrov evocou a necessidade de combater o "terrorismo", justificativa utilizada por Moscou há três semanas para lançar uma campanha de ataques aéreos na Síria, que Washington e seus aliados afirmam ter como objetivo principal defender o regime sírio.

    Os Estados Unidos também lideram uma coalizão militar internacional contra os jihadistas do Estado Islâmico (EI) e apoiam os rebeldes sírios moderados que enfrentam o regime de Assad.

    No entanto, Washington sustenta que não haverá "solução militar" para a guerra na Síria e que é necessário procurar uma solução política.

    Neste contexto, o ministro russo se reuniu na manhã desta sexta-feira com John Kerry, mas não houve nenhuma declaração após a reunião.

    Kerry também se reuniu com o seu colega saudita, Adel al-Jubeir, e com o ministro turco Feridun Sinirlioglu.

    A reunião quadripartida sobre o conflito sírio é uma novidade diplomático e a prova da internacionalização de uma guerra que já custou mais de 250 mil vidas.

    'Jogo duplo'

    Na quinta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, criticou o "jogo duplo" do Ocidente na Síria, que segundo ele consiste em dizer que "se combate os terroristas e ao mesmo tempo tenta usar alguns deles para (...) perseguir seus próprios interesses" no Oriente Médio.

    "Nosso objetivo é derrotar o terrorismo (...) e ajudar o presidente Assad a reivindicar a vitória contra o terrorismo", defendeu Putin defendeu.

    O presidente russo, isolado internacionalmente há 15 meses em razão da crise na Ucrânia, recuperou a iniciativa com a visita de Assad a Moscou esta semana, e com as chamadas telefônicas feitas aos líderes da Arábia Saudita, Turquia, Jordânia e Egito.

    E apesar da atmosfera tensa das discussões, há espaço para um acordo.

    Depois de exigir repetidamente a partida imediata do presidente Assad como condição prévia para um processo político, os Estados Unidos suavizaram recentemente sua posição e admitiram que o cronograma é negociável.

    Já a Arábia Saudita, potência sunita inimiga do regime sírio alauíta (um ramo do Islã xiita) e que exige a saída de Assad, afirmou na segunda-feira que ele poderia continuar no cargo para a criação de um governo de transição.

    O governo turco, que também pediu em diversas ocasiões a renúncia do presidente sírio, considerou recentemente ser "possível" um processo de transição com Bashar al-Assad.

    * AFP

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