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    Safra de grãos tem aumento de 3,9% em Santa Catarina

    Evolução na temporada de cultivo é provocada pelo crescimento da produção de milho no Estado, estima a Epagri

    30/04/2019 - 09h51

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    Darci
    Por Darci Debona
    Safra de grãos tem aumento de 3,9% em SC
    (Foto: )

    A safra de grãos das principais culturas de Santa Catarina está em fase final e a estimativa é de um crescimento de 3,9% na produção, atingindo 6,5 milhões de toneladas, contra 6,3 milhões de toneladas do ano passado. Esse crescimento será puxado pelo aumento da produção de milho, que terá um acréscimo de 13,7%, o que representará 352 mil toneladas a mais do que na safra anterior.

    Foram colhidos 2,5 milhões de toneladas na temporada de cultivo 2017-2018, contra 2,9 milhões da safra 2018-2019, segundo números divulgados pelo Boletim Agropecuário do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa) da Epagri.

    De acordo com o Doutor em Produção Vegetal do Cepa-Epagri, Haroldo Tavares Elias, o crescimento na safra de milho foi motivado pelo aumento de 8,8% na área cultivada e 4,5% na produtividade.

    – A safra foi boa, apesar de uma estiagem em dezembro, que atingiu algumas lavouras do Vale do Rio Uruguai. Senão, seria excelente. Mesmo assim tivemos lavouras com 13 toneladas e até 15 toneladas por hectare – explica.

    Aumento do milho reduz área de soja

    Esse avanço do milho reduziu em 2% a área de soja, mas a produção caiu apenas 1,4%, ficando em 2,4 milhões de toneladas. O arroz também teve uma pequena queda de 2% em área e 2% em produtividade, o que reduziu a produção em 5%, ficando em 1,1 milhão de toneladas, mas dentro de uma média histórica de produção.

    A lavoura de feijão teve bastante oscilação. Na primeira safra houve uma redução de 25% na área plantada e no plantio. Com isso, o preço pago ao produtor praticamente dobrou em relação ao ano passado.

    Houve um aumento no plantio da segunda safra, mas que não conseguiu recuperar a mesma produção do ano passado, que foi de 124 mil toneladas. As duas safras atuais somaram 113 mil toneladas, 8,6% a menos do que no ano passado.

    – No início, o pessoal plantou menos, pois o preço não estava atrativo. Com isso, diminuiu a oferta no mercado e o preço subiu para o produtor e para o consumidor. A tendência agora é de baixar um pouco, mas não aos mesmos níveis do ano passado – afirma o também analista do Cepa/Epagri, João Rogério Alves.

    Produção de carne e leite é favorecida

    O secretário de Agricultura de Santa Catarina, Ricardo de Gouvêa, afirma que a alta da safra do milho é importante para a cadeia produtiva de carnes e leite.

    – O milho é fundamental para abastecer nossas cadeias produtivas de leite e carne. E a soja vem se consolidando como alternativa rentável aos produtores, ganhando espaço até na nossa pauta de exportações. A preocupação é com o abastecimento de milho, porque a demanda é muito grande e é a base da produção de carnes, um dos pilares da nossa economia – destaca.

    O presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina, Luiz Vicente Suzin, avalia que a boa safra contribui para a recuperação da produção de suínos e aves, que teve dificuldades no ano passado:

    – O produtor investiu em tecnologia, tivemos um bom clima e a safra foi bem superior à do ano passado, principalmente no milho. O preço está abaixo do esperado, mas ajuda a suinocultura. Isso também é importante, pois tanto a suinocultura quanto a avicultura devem crescer e são consumidores de milho.

    O produtor Flávio Fonseca, de Chapecó, deve colher 25 mil sacas de grãos em 330 hectares de soja, 25 hectares de milho e 95 hectares de feijão. Ele calcula que a produção será de cerca de 2 mil toneladas a mais, pois no ano anterior não plantou milho, que tem maior produtividade por hectare. Ele colheu a média de 170 sacas do grão por hectare, além de 60 de soja e 40 de feijão.

    – Vou colher um pouco a mais em volume, mas vou ganhar menos dinheiro, pois os preços dos produtos caíram. A saca de soja, que estava cerca de R$ 80 no ano passado, agora está em R$ 67. Enquanto isso, cinco litros de agrotóxico que custavam R$ 900 agora custam R$ 1,3 mil. É muita diferença – lamenta.

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