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A Vida Com Vida

Saiba em que casos pode ser feita a doação de órgãos em vida

Em SC, transplante intervivos mais realizado é o de rim. Por lei, procedimento dá preferência a pessoas com ligação de parentesco 

01/07/2019 - 05h36 - Atualizada em: 01/07/2019 - 12h04

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Juliana
Por Juliana Gomes
Ary recebeu um rim da irmã Aryana
Ary recebeu um rim da irmã Aryana
(Foto: )

Quando soube que precisaria de um transplante, Ary Tadeu Tavares Silva, 54 anos, sequer entrou na fila de espera por um rim. A família inteira se mobilizou para ajudá-lo.

– Minha irmã, Aryene, fez a doação em 16 de março de 2016, e me deu a vida novamente – agradece o bancário.

Desde 2014, ele fazia tratamento renal e, apesar de outra irmã também ter sido considerada compatível para o transplante, a gestora Aryene Catarina Tavares Silva, 51, estava preparada caso precisasse ser a doadora.

– Minha irmã foi colocada como a primeira opção pelos médicos, por não ter filhos. Como sou mãe de dois, sou doadora potencial deles, caso seja necessário. Ainda assim, eu soube desde o início, no fundo do coração, que seria eu a fazer a doação – recorda Aryene.

Quando a irmã mais nova precisou resolver um problema de saúde antes de fazer o procedimento, ela já estava preparada.

– A nossa família tem uma ligação muito forte. Eu sabia desde o começo que essa ajuda não era só para o Ary, mas também para minha mãe e para o meu pai. Eu nunca tive dúvidas de que queria doar. Costumo dizer que não fui eu que doei, foi o Ary que adotou o meu rim – brinca Aryene.

Em Santa Catarina, o transplante de rim é o mais realizado entre pessoas vivas. Na última década, esta tem sido uma opção para as equipes médicas – mas a segunda. A primeira continua sendo o transplante de órgãos de pessoas que faleceram.

– Nós temos uma grande disponibilidade de enxerto de doadores falecidos. Então, faz um primeiro enxerto com doador falecido e, se der problema, buscamos um segundo com um doador vivo – explica o coordenador da Central Estadual de Transplantes (SC Transplantes), Joel de Andrade.

O que pode ser doado

Entre janeiro e maio de 2019, dos 494 transplantes realizados em Santa Catarina, dois foram de rim com doador vivo, conforme a SC Transplantes. No país, no mesmo período, a média foi de 4,9 doações por milhão de habitantes feitas por pacientes vivos, de acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).

Além do rim, partes do fígado, do pulmão e a medula óssea estão na lista das possibilidades para um doador vivo, segundo o presidente da entidade, Paulo Pêgo.

– Pâncreas e pele também podem ser doados em vida, mas é bem raro. Em relação aos pulmões, se doa um lobo (uma das partes), de um deles. Habitualmente, o receptor é criança ou adolescente e o pai doa uma parte e a mãe outra – explica Pêgo.

Para evitar o risco de comercialização de órgãos, a preferência é sempre de familiares. Em casos sem ligação parental, é exigida uma autorização da Justiça.

– Você não é um doador inscrito. É preciso ter um grau próximo de parentesco. Se for um pouco mais distante, um juiz tem que autorizar, assim como no caso de doação a alguém que não é da família. Isso justamente para que haja transparência no processo. Tudo precisa ser muito bem documentado – detalha o presidente da ABTO.

Antes da doação, são investigadas compatibilidades sanguínea e do órgão entre doador e receptor.

– O doador precisa estar em bom estado de saúde. Quem doar um rim, fica com um só, e esse tem que estar perfeito. Isso vale também para o fígado e para parte do pulmão – esclarece Pêgo.

Medula e plaquetas

Também é possível fazer a doação de medula e plaquetas em vida – e necessário para o sistema de saúde. Apesar de ter 179 mil doadores de medula óssea cadastrados em 23 anos, a atualização do banco de dados é um desafio para o Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc).

– O cadastro do doador é válido até que ele complete 60 anos. Nossa dificuldade é localizá-lo, porque em muitos casos muda o endereço, o telefone, e o Hemosc não é informado – relata Pricilla Vieira, do setor administrativo do Hemosc.

De janeiro a maio de 2019, foram realizados em Santa Catarina 10 transplantes de medula, enquanto 56 pacientes estavam na lista de espera pelo procedimento, conforme a SC Transplantes.

A doação de plaquetas também é uma demanda constante, principalmente para o tratamento de câncer e em cirurgias cardíacas.

Em Florianópolis, atualmente são oito doadores de plaquetas por dia, mas o ideal é que esse número seja superior, segundo o Hemosc, já que a doação tem validade de apenas cinco dias.

Exigências

- Procurar o Hemosc

- Ter entre 18 e 55 anos

- Estar em bom estado de saúde

- Não ter doença infecciosa transmissível pelo sangue (como infecção pelo HIV ou hepatite)

- Não apresentar história de doença neoplásica (câncer), hematológica ou autoimune (como lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide)

Fonte: Inca

Requisitos para doação de plaquetas

- Pesar acima de 60 kg

- Nunca ter engravidado (incluindo sofrido aborto)

- Ter bom acesso venoso em ambos os braços (veias aparentes)

- Evitar alimentos gordurosos nos três dias anteriores à doação

- Não estar usando AAS ou anti-inflamatório nos últimos cinco dias

- Não fazer uso contínuo de anti-hipertensivos da classe IECA (captopril, enalapril, lisinopril)

- Fazer agendamento prévio

Fonte: Hemosc

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