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Segurança

Saiba quais são as ruas onde mais pedestres são assaltados em Blumenau

Polícia Militar registrou 54 ocorrências de assaltos a pedestres nas vias da cidade em 2017. Rua São Paulo lidera a lista

21/03/2017 - 05h36

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Por Redação NSC
(Foto: )

Você está caminhando em direção ao trabalho, à escola, faculdade, supermercado, voltando para casa ou passeando na rua com o cachorro. Em uma ação que dura instantes intermináveis, alguém te surpreende, diz estar armado e rouba seu celular, carteira, relógio - o que estiver à mão - e foge. Um tipo de crime comum, difícil de evitar, normalmente impune e que, somente pelos registros da Polícia Militar de Blumenau, ocorreu 54 vezes na cidade em 2017, segundo levantamento feito pela reportagem do Santa.

As vítimas foram assaltadas enquanto caminhavam em ruas de Blumenau entre o começo do ano e o dia 13 deste mês. O número tende a ser mais alto ainda, pois há quem registre ocorrência diretamente na delegacia e aqueles que sequer procuram as autoridades. Piores que a perda de alguns trocados ou um celular são os traumas sofridos por quem é roubado de maneira tão banal. É o que mostra o caso lembrado pela blumenauense Bianca Rech. Ela recorda a situação de perigo vivida pelo filho de 16 anos, que acabou sendo assaltado em plena Alameda Rio Branco às 12h de um dia de semana no mês passado.

- Moramos na região da Alameda, e ele tinha saído de casa e estava indo almoçar comigo no Centro. Veio um rapaz de bicicleta e pediu para ele entregar o celular desbloqueado e não olhar pra trás. Ele ameaçou, mas o meu filho não viu nenhuma arma - conta a mãe.

Não houve violência e o prejuízo foi apenas o valor de um celular, mas o crime levou toda a família a mudar hábitos. Depois do assalto, Bianca e o filho triplicaram os cuidados ao caminhar na rua, não andam mais com o celular na mão e mantêm um estado de atenção criado pelo medo de novos roubos.

Assaltos como o que ocorreu com o filho dela são os mais comuns na cidade: ladrão que faz menção de estar armado, rouba o celular, não usa violência e foge sem ser localizado. Nem a luz do dia ou a rua movimentada coíbem a ação dos bandidos. Nas 54 ocorrências registradas, 44 celulares foram roubados, enquanto em somente 15 casos alguma quantia em dinheiro parou nas mãos dos criminosos. A explicação é fácil: celulares que custam R$ 1 mil ou muito mais ficam frequentemente fora dos bolsos e bolsas dos pedestres, enquanto a carteira dificilmente terá mais que algumas notas. A prova é que, somando todos os valores roubados em dinheiro nas 15 ocorrências, R$ 3.072 foram levados por assaltantes. Esse é, mais ou menos, o valor de apenas um iPhone 7 novo.

Uso do celular nas calçadas facilita ação de criminosos

Gerar distração ao caminhar na rua de olho na rede social ou respondendo uma mensagem no WhatsApp é o que a Polícia Militar procura evitar com orientações à comunidade.

- Esse é um tipo de roubo que o ladrão faz de acordo com a oportunidade, não é algo planejado. E ele vê essa oportunidade quando as pessoas pegam o celular e entram num mundo, esquecendo do que está ao redor. Perdem o senso de proteção. Tem que usar o celular na rua quando é necessário. Outra coisa é deixar ele à mostra no bolso, com metade do celular para fora. Assim acabam facilitando a oportunidade do bandido - avalia o comandante do 10º Batalhão da Polícia Militar, o tenente-coronel Jefferson Schmidt.

Para o comandante, também é preciso coibir o crime de receptação, cometido por qualquer pessoa que compra um item roubado. Previsto no Código Penal e com pena de quatro anos de reclusão, a receptação é o que alimenta todo o encadeamento de pequenos furtos e roubos. Aquele celular novo que custa R$ 2 mil no mercado e que te ofereceram por R$ 500 provavelmente possui origem duvidosa e está tornando quem compra um criminoso também.

- Se tem tanto roubo de celular, é porque tem mercado. Quem compra um item roubado ou furtado fomenta o prejuízo de outra pessoa - afirma Schmidt.

Para tentar coibir as ocorrências, a Polícia Militar explica que faz rondas estratégicas nos locais onde os roubos ocorrem com maior incidência. A região Central e a do bairro Victor Konder lideram o ranking de roubos, o que se explica pelo fluxo de estudantes e de trabalhadores nas ruas dos dois bairros o dia inteiro.

- O que fazemos é posicionar viaturas estrategicamente, rondas, abordagem de pessoas em atividade suspeita. É a presença para coibir. Prendemos muito também, mas encaminhamos e eles voltam depois. O ladrão não vai para cadeia por furto e roubo de celular - lamenta o comandante da PM.

Investimentos em viaturas e iluminação são caminhos

Se as rondas preventivas e a presença efetiva da Polícia Militar nas ruas são caminhos para reduzir a sensação de insegurança gerada pelos assaltos a pedestres, é necessário, logicamente, que a PM tenha viaturas rodando. E isso é um problema, visto que no mês passado o batalhão convivia com desfalque de carros e mais da metade da frota parada esperando conserto. Hoje a situação já é um pouco melhor, segundo o comandante Jefferson Schmidt.

Em média, 10 viaturas fazem a ronda pela cidade diariamente, um número mais adequado se comparado aos três veículos que chegaram a rodar na cidade no começo de fevereiro, mas menor que os 16 que Schmidt diz ter capacidade para botar na rua com o efetivo atual.

Por meio de um convênio firmado entre a prefeitura de Blumenau e a PM no mês passado, o batalhão conseguiu também verba para adquirir três novas viaturas. O pedido já foi feito e a polícia aguarda o processo licitatório para a compra dos carros. Schmidt espera contar com o reforço na frota em dois ou três meses. Há também recurso para acelerar a manutenção das viaturas que aguardam conserto, além de um tipo de investimento normalmente citado pelo poder público municipal quando se fala em segurança: a iluminação. Mas isso realmente auxilia? O comandante da PM diz que sim:

- A cidade ajuda a segurança com mais infraestrutura, com ocupação para os jovens tirando eles das ruas, melhorando a iluminação... Onde o progresso chega, o crime diminui.

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