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Cuidado

Saiba quais são os riscos do contato com a fumaça para a saúde

Sintomas como tosse, falta de ar e muco são alertas para buscar auxilio médico

12/09/2019 - 13h54

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Por Camila Levien
Pessoa cobre o rosto para se proteger da fumaça durante o incêncido no Parque da Serra do Tabuleiro
(Foto: )

Os danos causados pelo fogo que atingiu o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, na Grande Florianópolis, durante os últimos dias e queimou aproximadamente mil hectares do local começam a atingir os moradores da região. Eles estão envoltos na fumaça gerada pelas queimadas desde terça-feira (10) quando o incêndio começou. Zilma Teixeira de 76 anos é uma dessas pessoas. Ela conta que tem sentido desconforto para respirar há dois dias.

— Não consegui dormir por causa da fumaça, já tenho problemas de pulmão e ficou muito forte aqui, o vento trouxe a fumaça pra nossa casa — diz Zilma

A médica pneumologista, Adriana Knabben, diz que a exposição prolongada à fumaça pode gerar casos graves. Entretanto, ressalta que ao se tratar de incêndios florestais é difícil que o quadro evolua de maneira fatal, pois os gases liberados em sua maioria não são tóxicos.

— É difícil de quantificar o que seria uma exposição segura, mas dois dias de contato prolongado com a fumaça já acende um alerta. O paciente deve ficar atento a alterações na respiração ou dores, pois as vias aéreas podem ter queimaduras, mesmo que não haja ferimentos visíveis na pele — afirma Knabben

Quando respiramos o ar entra pela boca ou nariz, passa pela traqueias, vai para os brônquios e chega aos alvéolos, que ficam no final do pulmão. É através dessas células que ocorrem as trocas gasosas: o oxigênio entra no sangue e o gás carbônico é retirado. Esse processo é muito rápido, dura menos de um segundo e quando inalamos fumaça ela faz o mesmo caminho do oxigênio, chegando nesse tempo recorde aos pulmões.

De acordo com a pneumologista, a consequência grave mais provável é a pneumonite química, causada pela inalação de substâncias tóxicas e agressivas ao pulmão. O quadro dura uma ou duas semanas e a recomendação é que procure-se um médico. A condição se manifesta com tosse, falta de ar e bastante muco, muitas vezes com fuligem.

— Uma medida paliativa enquanto a pessoa está no local é a colocação de panos úmidos ou camisetas sobre o nariz e boca. É importante que ela seja molhada, isso ajudará a grudar a fuligem a grudar no pano e evitar que ela chegue até os pulmões. — recomenda a pneumologista

Tempo, Rinite e Asma podem ser agravantes

A médica explica que o maior risco é para portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e asma. Possuem mais chance de passar por um broncoespasmo, uma contração dos brônquios que impede a passagem do ar até os pulmões.

— O quadro normalmente é de falta de ar, pressão no peito, chiado e alguns roncos. A recomendação é procurar um lugar aberto e se afastar ao máximo do local. Ressalto que jamis deve-se minimizar os sintomas, ao senti-los busque um profissional da saúde — fala Adriana

Os extremos de idade são mais vulneráveis a esse tipo de complicação principalmente em crianças menores de 5 anos e idosos maiores de 65 anos, recomenda- se evitar, na medida do possível, a proximidade com incêndios, manter uma boa hidratação e manter os ambientes da casa e do trabalho fechados, mas umidificados, com o uso de vaporizadores, bacias com água e toalhas molhadas.

Adriana comenta que apesar de não perceber um aumento na procura por atendimento diretamente ligado às queimadas no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, nota um crescimento de 10% a 20% na busca por ajuda por consequência do ar mais seco que está predominando no Estado.

— Claro que não é tão seco como Brasília, mas como estamos acostumados com mais umidade no ar os pacientes que têm doenças respiratórias têm relatado dificuldade na adaptação à mudança. Isso é evidenciado, pelo perfil de quem tem nos procurado. Atualmente temos mais pacientes jovens com condições crônicas do que idosos saudáveis — comenta a médica

Os sintomas mais comuns nesse caso são dor de cabeça, rinites alérgicas, sangramento nasal, garganta seca e irritada, sensação de areia nos olhos que ficam vermelhos e congestionados, ressecamento da pele, cansaço.

Medidas de prevenção podem ser adotadas como aplicar soro fisiológico no nariz e nos olhos para evitar o ressecamento, lavar as mãos com frequência e evitar de colocá-las na boca e no nariz. Além disso deve-se evitar aglomerações e a permanência prolongada em ambientes fechados ou com ar condicionado, pois o ressecamento das mucosas aumenta o risco de infecções oportunistas das vias aéreas.

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