nsc
    santa

    Polêmica

    Saiba quem é o dono da piscina com a suástica no fundo em Pomerode

    Wander Pugliesi é professor de história em Blumenau e cultiva cogumelos

    11/12/2014 - 06h31 - Atualizada em: 19/11/2019 - 15h53

    Compartilhe

    Por Redação NSC
    Foto foi feita durante o deslocamento de uma aernave que participava de uma operação de resgate
    Foto foi feita durante o deslocamento de uma aernave que participava de uma operação de resgate
    (Foto: )

    Há duas versões para Wander Pugliesi, o dono da piscina que tem a suástica ao fundo em Pomerode. A do professor camarada, capaz de fazer adolescentes se apaixonarem por história, e a do mestre que fazia clara apologia ao nazismo de Hitler. Ambas saíram das salas de aula que ele frequentou.

    O polêmico Pugliesi foi titular em alguns dos mais importantes cursos pré-vestibulares de Santa Catarina. É descrito pelos alunos como um excelente professor, dono de grande magnetismo pessoal. Uma figura curiosa, já que as histórias sobre a coleção de objetos nazistas do mestre que foi recolhida pela Justiça eram assunto nos corredores dos colégios.

    - Era uma espécie de ame-o ou deixe-o. Muitos alunos o idolatram por ser diferente dos demais com suas opiniões peculiares e outros o odeiam por se sentirem afetados por seus preconceitos latentes - afirma um aluno que frequentou as aulas do professor Wander em um conceituado cursinho de Itajaí e não quer ser identificado.

    Veja ainda:

    ::: MP cogita investigar a suástica no fundo de piscina em Pomerode

    ::: Pancho: Piloto registra suástica dentro de piscina no Vale do Itajaí

    Desde que o desenho da suástica na piscina da casa de Pugliesi virou notícia, ex-alunos do professor travam uma batalha de opiniões nas redes sociais. Uma estudante de Blumenau, que também preferiu ficar anônima, traz outra versão para o perfil do professor:

    - Ele nunca, jamais foi preconceituoso. Dizia que existem dois lados da verdade e que as informações são manipuladas, mas nunca achei que fez apologia. No meu ponto de vista, ninguém saiu prejudicado.

    Diretor do pré-vestibular Acesso, em Blumenau, onde Wander Pugliesi leciona atualmente, Edson Felipe Grillo diz que o professor é do tipo que faz o aluno pensar. O descreve como alguém "de extremo respeito, ético e honesto", mas que já foi alvo de queixas de alunos devido às posições políticas - o que, segundo ele, não é exclusividade de Pugliesi.

    No colégio Energia, em Blumenau, onde lecionou até 2010, também foi benquisto. As queixas envolvendo o nome de Pugliesi seriam, da mesma forma, referentes às posições políticas, mas não em relação à predileção pelo nazismo. Um membro da direção da escola o definiu como um professor de personalidade forte.

    O fato é que Pugliesi não parece se importar com polêmicas. Em 1994 mostrou em rede nacional, no Fantástico, a coleção de objetos nazistas que acabaria confiscada pela Justiça anos depois.

    Em 1995 apareceu em reportagem do jornal Zero Hora, do Grupo RBS, sobre o avanço do nazismo na internet. O texto relata que ele batizou o filho como Adolf e possuía pôsteres do líder alemão nas paredes de casa.

    Leia mais:

    ::: Suástica em piscina e cartazes reacendem debate sobre nazismo

    ::: Historiadores falam do ressurgimento do 'ideário nazista' no Brasil

    ::: Faltam provas para confirmar casos de apologia ao nazismo em SC

    Mais recentemente foi ouvido pelo Santa sobre o filme alemão A Queda, que mostra os últimos momentos da vida de Hitler. Disse que não assistiria a obras "mentirosas".

    :::Leia as últimas notícias do Diário Catarinense

    :::Confira as últimas notícias do Santa

    Dos cogumelos à saudação nazista

    Não se sabe exatamente há quanto tempo a piscina de Wander Pugliesi é decorada com a suástica nazista. A residência do professor de história fica no alto de um morro e é impossível ser vista da estrada. Os vizinhos mais próximos vivem a mais de um quilômetro de distância. Pugliese teria se mudado para a zona rural de Pomerode há cerca de 12 anos. Uma das poucas vizinhas diz que o professor leva uma vida reservada e sabe da coletânea de objetos nazistas que ele mantinha.

    - É um ótimo vizinho, muito sociável, mas sabemos que é diferente de nós - diz.

    Recentemente o professor começou a plantar cogumelos, que são vendidos a restaurantes locais - uma vida pacata numa das comunidades mais alemãs de Santa Catarina. A julgar pelas descrições de quem o conhece, Pugliesi parece mesmo um homem de hábitos simples e vida tranquila. Emocionou-se, porém, no dia em que uma turma de colégio, em 2002, decidiu homenageá-lo fazendo a saudação nazista durante a formatura. Naquele dia, o mestre chorou:

    - Quis falar sobre isso porque hoje me faz sentir mal. Ele falava que Hitler fez muito pelo povo dele e questionava o Holocausto. Na minha cabeça, na época, não havia apologia no que ele dizia. Hoje entendo diferente - diz Larissa Beppler, ex-aluna.

    Procurado pelo Santa, o professor Pugliesi não aceitou conceder entrevista.

    Ainda não é assinante? Assine e tenha acesso ilimitado ao NSC Total, leia as edições digitais dos jornais e aproveite os descontos do Clube NSC.

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Cotidiano

    Colunistas