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Cultura

Sambaqui do bairro Guanabara em Joinville é foco de pesquisa internacional 

Os trabalhos são comandados por um pesquisador da Inglaterra, com participação de estudiosos do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Museu de Sambaqui e estudantes de Joinville 

09/07/2019 - 18h48 - Atualizada em: 17/07/2019 - 10h42

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Redação
Por Redação AN
O campo de pesquisa será o Sambaqui Morro do Ouro, ao lado da Ponte do Trabalhador, no bairro Guanabara
(Foto: )

Além de coletores e consumidores de peixes e frutos do mar, os homens dos sambaquis que viviam na Mata Atlântica há mais de cinco mil anos também manejavam e cultivavam vegetais como milho, cará, batata doce e outros tubérculos.

Esta é a tese que está sendo desenvolvida por pesquisadores internacionais da Inglaterra e do Brasil e podem colocar Joinville no centro das atenções do campo arqueológico nos próximos dias. Até então, a arqueologia considera que os sambaquianos eram apenas coletores.

Os trabalhos de campo começam no próximo dia 17 de julho tendo como campo de pesquisa o Sambaqui Morro do Ouro, ao lado da Ponte do Trabalhador, no bairro Guanabara. São dez arqueólogos e vinte estudantes voluntários que trabalharão durante três semanas em uma trincheira de 20 metros quadrados no alto do sambaqui. A pesquisa será encerrada no dia 10 de agosto.

Os trabalhos são comandados pelo doutor em arqueologia André Carlo Colonese pela Universidade de York, na Inglaterra, com participação de estudiosos da Univille (Universidade de Joinville), Museu Nacional do Rio de Janeiro e Museu de Sambaqui de Joinville.

Os 20 estudantes voluntários são da Univille, Bom Jesus Ielusc e Universidade Federal do Paraná das áreas de biologia, história, artes visuais e comunicação. Esta semana foram capacitados no Museu de Sambaqui para saber das atribuições que terão durante as escavações.

Segundo a coordenadora do Museu de Sambaqui, Roberta Meyer, além de peixes e frutos do mar, o consumo de outros alimentos era mera suposição, sem comprovação. Em 2007, a pesquisadora Verônica Wesolowski, da Universidade de São Paulo, descobriu por meio de análises no Sambaqui Morro do Ouro que esses povos também se alimentavam de amido e tubérculos como milho e cará.

A comprovação veio com investigação feita em 2016 pelo arqueólogo André Carlo Colonese pela Universidade de York. Ao analisar fragmentos de ossos de costela comprovou o consumo de vegetais. Agora, a partir da próxima semana, o trabalho será aprofundado e poderá colocar Joinville como referência em nova conceituação sobre os usos e costumes alimentares dos homens dos sambaquis.

Os trabalhos comandados por Colonese consistirão em escavações, coleta e bateria de análises de fragmentos, inclusive de DNA, para comprovação e identificação dos vegetais consumidos pelos sambaquianos da Mata Atlântica.

Os sambaquis

Joinville, por sua localização próxima ao mar, é um dos municípios de Santa Catarina que concentram número expressivo de sítios formados por sambaquis. São 41 sítios arqueológicos em forma de montes, alguns com mais de 25 metros de altura, que contém, entre outros objetos, conchas, esqueletos humanos, pedras e ossos de animais e cerâmicas.

Por serem encontrados muitos esqueletos, supõe-se tratar-se de depósito (cemitério) dos mortos. Eram pescadores, coletores e caçadores que habitavam as praias e mangues e comiam peixe, principalmente.

Durante o período de urbanização, muitos sambaquis foram destruídos. O material retirado dos sítios era utilizado para a fabricação de cal e para o calçamento de ruas. Somente em 1961 tais sítios arqueológicos foram tombados pela União, passando a ser considerados patrimônios históricos e culturais brasileiros.

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