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Meta para 2050

Santa Catarina vai contribuir para o desafio da ONU de diminuir a miséria

Previsão é de que Estado junte 10% dos grãos da meta brasileira

03/11/2013 - 19h48

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Por Redação NSC
Brasil tem que aumentar a produção de grãos nos próximos anos
Brasil tem que aumentar a produção de grãos nos próximos anos
(Foto: )

O desafio lançado neste ano pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), de reduzir de 1 bilhão para 300 milhões o número de pessoas em estado de miséria no mundo até 2050, é voltado diretamente ao Brasil. Enquanto a meta para os demais é aumentar em 20% a produção de alimentos, no país a porcentagem é duas vezes maior. O território pequeno não tira de Santa Catarina a contribuição para o desafio: o Estado deve responder por 10% dos grãos para que o Brasil alcance a meta da ONU, segundo o diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Eduardo Daher.

Segundo ele, as tecnologias desenvolvidas em regiões diferentes do país, a exemplo de SC, demoram a ser compartilhadas e, em geral, ficam em torno dos grandes negócios. Para Daher, o Brasil ficará mais perto de cumprir o Desafio 2050 se a agroindústria investir mais nos pequenos e médios produtores rurais. Confira a entrevista que Daher concedeu ao Diário Catarinense:

Diário Catarinense - Grande parte da área de plantio brasileira é destinada a produtos para exportação, como a soja. Para haver um aumento na produtividade agrícola com o objetivo de alimentar pessoas, não teremos de rever nossas plantações?

Eduardo Daher - Temos de fazer as duas coisas. Não me incomodo de exportar. Hoje há um problema não só no Brasil, mas em todo lugar, de capacidade de distribuição. Escutei da própria Embrapa que, dentro da produção, você produz 100%, mas quando chega no consumidor final, só tem 70%. Ou seja, perde-se 30% na cadeia, que está tentando cada vez mais melhorar sua performance. E é isso o que o Desafio 2050 fala: não é só quantidade de produção, mas também qualidade, além do desafio de ser sustentável.

DC - Que iniciativas têm acontecido no país para que se aumente a produção em 40%, sem aumentar necessariamente a área?

Daher - Temos mais recentemente os dados do IBGE que mostram a polarização das áreas fundiárias. As de grãos têm ficado cada vez maiores, mas a pequena e média propriedade é fundamental para o brasileiro. Falta mais preocupação com a agricultura familiar porque, para estes produtores, o incremento de 20% da produtividade paga não só suas contas, mas incorpora mais tecnologia no seu negócio, o que resulta em compra de novos tratores, aplicação em pulverizadores melhores e na contratação de seguro para sua propriedade - coisas que o Brasil está longe de fazer, em relação a outros países.

DC - Então, uma aposta do Brasil, diante dos demais países, é investir em pequenas e médias propriedades?

Daher - Seguramente, porque esse é um mercado ainda inexplorado e que dá de alavancar muito mais. Eu não preciso explicar para o Blairo Maggi (empresário e filho da proprietária da holding André Maggi, considerado o "rei da soja") como se faz soja. Ele tem gente em Chicago, o próprio porto e navio. Mas eu preciso, talvez, achar uma melhor forma de conservar a maçã e fruticulturas em Santa Catarina e no Nordeste, onde existem muitos pequenos e médios empresários.

DC - O mundo precisa aumentar a produção atual de grãos em 900 milhões de toneladas por ano e de carnes em 270 milhões de toneladas por ano, de acordo com o relatório do Desafio 2050. Qual é a contribuição de SC nesse cenário?

Daher - Muito provavelmente, o Brasil deve tangenciar 190 milhões de toneladas de grãos neste ano. Eu vou arriscar dizer, sem sombra de erro, que SC está chegando em quase 10% deste valor. Talvez não exatamente no milho e na soja, mas é possível que SC contribua entre 8% e 10% para o Desafio 2050, estimativa baseada pelo consumo de defensivos agrícolas.

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