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    Trânsito

    SC-401 chega a 211 dias sem mortes

    Rodovia estadual mais movimentada de Santa Catarina alcança maior período sem acidentes fatais e supera marca de 1995

    13/06/2019 - 05h35

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    Por Cristiano Abreu
    Por Priscila Araújo
    SC-401
    Usuários cobram melhora na sinalização da rodovia

    Por dia, 73 mil veículos passam pela rodovia José Carlos Daux – a SC-401, em Florianópolis, a principal ligação da área central com o Norte da Ilha de Santa Catarina. São, ao todo, 19 quilômetros e 600 metros de extensão, entre Canasvieiras e o acesso da SC-404, no Itacorubi, que recebem o maior volume médio diário (VMD) de circulação do Estado, mas outros números merecem destaque: nesta semana a estrada alcançou o maior período sem acidentes fatais, de acordo com os registros da Polícia Militar Rodoviária (PMRv). Segundo a corporação, nenhuma morte é registrada no trecho desde novembro do ano passado – 211 dias ao todo.

    Desde 1995 não havia um intervalo tão longo sem óbitos. Por isso, a marca é celebrada na manhã de hoje em ato fechado para os policiais militares responsáveis pela fiscalização na rodovia.

    — Várias situações colaboram para este momento. Implementamos uma série de ações preventivas, principalmente a fiscalização da lei seca — cita o responsável pelo Comando de Policiamento Militar Rodoviário da PM-SC, tenente-coronel Evaldo Hoffmann Júnior.

    A PMRV não possui levantamento de ocorrências entre 1995 e 2003 e o levantamento não inclui ocorrências no trecho Sul da SC-401, que inicia no túnel Antonieta de Barros

    Passado inseguro

    Nos 24 anos que separam os dois recordes, a José Carlos Daux viveu dias com números preocupantes. Levantamentos da PMRv contabilizam 5.442 acidentes, com 1.954 feridos e 85 mortes entre 2010 e 2018.

    O ano mais crítico foi 2011, quando 15 pessoas perderam a vida e outras 317 sofreram ferimentos em 861 ocorrências. Estas estatísticas colocaram a SC-401 na condição de rodovia estadual mais perigosa de SC de acordo com levantamentos policiais realizados.

    Desde então, o trecho Norte recebe melhorias. As mais importantes foram as duas obras de duplicação, no fim dos anos 1990 e no início desta década. Em 2011, a chamada “curva da morte”, no km 18,5, próximo ao bairro João Paulo, teve seu traçado corrigido. Somente nos 500 metros de extensão deste ponto foram contabilizados 468 acidentes e quatro mortes de 2006 a 2010.

    Nos anos seguintes, mesmo com o crescimento do fluxo de veículos na rodovia – de 30 mil/dia para 73 mil/dia – o trecho da José Carlos Daux entre o Itacorubi e Canasvieiras registra queda lenta, porém gradativa, no número de acidentes e mortes.

    — Temos um volume significativo de acidentes nessa rodovia, mas são menos graves. Nunca mais aconteceu um acidente fatal e poucos acidentes acontecem ali (curva da morte). E que bom que a gente está batendo o recorde sem mortes — destaca o engenheiro da equipe de segurança viária do Laboratório de Transportes (LabTrans) da UFSC, Flavio De Mori.

    Duplicação contribuiu

    A PMRv reforça a importância das ações de engenharia de trânsito e destaca a duplicação como um dos fatores decisivos para a redução das ocorrências.

    — Sem sombra de dúvidas é clara a mudança nos índices de acidentes, principalmente nas colisões frontais — explica o chefe de Relações Públicas do Comando de Policiamento Militar Rodoviário da Capital, capitão Tiago Teixeira Ghilardi.

    — A não observação das regras de trânsito que são preestabelecidas pela engenharia de tráfego é a grande causadora dos acidentes nas estradas — completa o tenente-coronel Evaldo Hoffmann Júnior.

    Infraestrutura gera queixas

    O engenheiro do Laboratório de Transportes da UFSC cita problemas estruturais que contribuem para a insegurança. Flavio De Mori aponta falhas em drenagem, sinalização, iluminação e conservação do asfalto.

    — Alguns pontos, entre Santo Antônio de Lisboa e o shopping, têm retenção de água sobre o asfalto em períodos de chuva — diz, lembrando que pedestres e ciclistas também são afetados pela ausência de acostamento, passarelas e ciclofaixas.

    As pessoas precisam ter um espaço com segurança para não colocarem a vida em risco. A população que utiliza diariamente a SC-401, concorda.

    — Para os pedestres atravessarem é ruim. Na saída de Ratones não tem passarela, ali é muito perigoso. Falta lugar para o ciclista passar — cobra o pedreiro José Pinheiro, 46 anos.

    O motorista Cesar Heinzmann, 34, afirma realizar consertos frequentes no carro.

    — Pneu, aro, suspensão, amortecedor, bucha de balança, pivôs, terminais, caixa de direção, tudo eu já tive que trocar — revela.

    Fiscalização, educação e cultura

    Além das condições estruturais, a postura de condutores e pedestres influencia diretamente nas estatísticas.

    — A gente precisa trabalhar a educação. Para que as pessoas respeitem os limites de velocidade, a legislação, não dirijam depois de beber, para que utilizem o cinto. São questões que ajudam na redução do número de mortes — defende Flavio De Mori.

    A PMRv realiza monitoramento em pontos distintos da rodovia, com base no fluxo de veículos e registros de acidentes. O trabalho é preventivo e, ao mesmo tempo, pedagógico.

    — A gente quer que o condutor saiba que pré-selecionamos os pontos através de estudo técnico competente. Ali é importante fazer a redução de velocidade — completa o tenente-coronel Evaldo Hoffmann Júnior.

    Estado anuncia recuperação

    No início desta semana, o governo de Santa Catarina anunciou o início de obras para a revitalização de 12 quilômetros da SC-401, entre a SC-404, no Itacorubi, e a SC-402, em Ratones. Estão previstas melhorias em pavimentação ,drenagem, sinalização, além da troca das defensas metálicas por muretas de concreto e da implantação de uma terceira pista, na subida do bairro João Paulo até o cemitério, Serão investidos R$ 32 milhões na rodovia.

    — Alguns dos serviços previstos estão o alargamento de faixas de modo a garantir uma entrada na via mais segura. Em outro ponto, no entroncamento do bairro João Paulo com o Monte Verde, nós vamos colocar uma rótula. Essa rotatória vai dar mais fluxo e mais segurança — avalia o secretário estadual de Infraestrutura, Carlos Hassler.

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