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Sanidade

SC vai manter barreiras mesmo com retirada de vacina contra aftosa no Paraná 

Secretaria de Agricultura de Santa Catarina vai reforçar controle nas 37 barreiras na divisa entre os dois estados

16/10/2019 - 20h30 - Atualizada em: 16/10/2019 - 20h32

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Darci
Por Darci Debona
Barreira da Cidasc em Chapecó
Barreiras da Cidasc fazem controle da aftosa nas divisas do Paraná e Rio Grande do Sul, além da fronteira com a Argentina
(Foto: )

A retirada da vacina contra a febre aftosa no Paraná, que foi oficializada na terça-feira com a assinatura de uma normativa pela ministra da Agricultura, Teresa Cristina, traz preocupações para Santa Catarina. No curto prazo, pelo aumento do risco sanitário. No médio e longo prazo, com a concorrência dos paranaenses na venda de carne suína.

O secretário da Agricultura de Santa Catarina, Ricardo de Gouvêa, disse que as 63 barreiras sanitárias da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), sendo 37 com o Paraná, serão mantidas.

- Além de manter as barreiras estamos trabalhando para reforçar a fiscalização pois no momento em que faz a retirada é um período crítico, pois não tem a proteção da vacina e há risco de surgir algum foco. Outro ponto que não concordamos com o programa do ministério que está liberando a vacina sem a rastreabilidade do rebanho. Até encaminhamos um documento pedindo explicações mas não tivemos resposta disso – afirmou o secretário.

Ele ressaltou que Santa Catarina, que deixou de vacinar em 2000 e em 2007 conseguiu o Certificado de Zona Livre de Aftosa Sem Vacinação, colocou brincos de identificação em todo o rebanho. E mesmo assim ainda às vezes a fiscalização pega alguma carga sem comprovação de origem e até brinco falso.

- Sem a rastreabilidade como vamos saber que o animal é do Paraná ou se não é do Mato Grosso ou do Paraguai? Nós não vamos deixar entrar animais sem comprovação de origem – destacou Gouvêa.

O vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina e ex-presidente da Cidasc, Enori Barbieri, disse que apóia o secretário.

- A Faesc apóia a decisão de não retirar as barreiras pois o Paraná não vai colocar brincos nos bovinos alegando que tem muito custo. Quando Santa Catarina buscou o certificado na OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) propôs a identificação de 100% do rebanho. Não era exigência mas nós criamos esse modelo que foi aceito pelos mercados – disse.

Por isso a curto prazo nem Barbieri, nem Gouvêa acreditam em perda de mercado. Primeiro porque o Paraná terá que fazer dois anos de sorologia para garantir que não há vírus da aftosa circulando e somente depois disso precisa pedir certificado, que por enquanto é exclusividade de Santa Catarina. Segundo porque alguns mercados se abriram depois de sete, oito e até 11 anos após a certificação, como no caso da Coréia do Sul. Santa Catarina é o único a exportar para Estados Unidos, Japão e Coréia do Sul. Esses mercados representaram US$ 30 milhões nos primeiros nove meses. E Santa Catarina vendeu US$ 600 milhões no período, o que representa 57% do que o Brasil exportou em suínos.

Barbieri disse que o Paraná está de olho nesses mercados que pagam mais mas Gouvêa acredita que os vizinhos não terão o mesmo reconhecimento dos mercados, pela questão da rastreabilidade diferenciada de Santa Catarina. Além disso ele falou que o Estado busca outra medidas para se manter à frente, como a redução da brucelose e tuberculose no rebanho a níveis insignificantes.

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