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Futuro em risco

"Se eu parar, termina o futsal em Florianópolis", diz o presidente do Floripa Futsal

Time de futebol de salão da Capital enfrenta problemas financeiros e corre o risco de não disputar a Liga Nacional no ano que vem

11/11/2016 - 06h06 - Atualizada em: 11/11/2016 - 06h07

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Por Redação NSC
Valci recebeu a reportagem no pequeno escritório que o time aluga no centro da Capital
Valci recebeu a reportagem no pequeno escritório que o time aluga no centro da Capital
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Com mais de quatro décadas dedicadas ao futsal em Florianópolis, Valci de Paula Moreira confessa que já pensa em se aposentar. Terminada a campanha na Liga Nacional, onde o Floripa Futsal caiu nas quartas, a batalha do presidente agora é para quitar até o final do mês as dívidas do time, que beiram os R$ 500 mil. E o dirigente sabe que não existe nenhum substituto para ele nessa luta: "ninguém aqui tem a minha disposição!".

O salários dos jogadores está atrasado desde setembro em função de problemas nos repasses do Fundesporte. A folha de pagamento é de R$ 75 mil. Até o dia 30 de novembro, Moreira deve anunciar se a equipe irá jogar a Liga Nacional no ano que vem. Ele está em busca de novos patrocinadores.

Nesta quinta-feira (10), o presidente do Floripa recebeu a reportagem no pequeno escritório que o time aluga na rua dos Ilhéus, centro da Capital. O dirigente coleciona nas paredes recortes de jornais das principais notícias do time. Mostra que o carinho é grande pela equipe. Valci Moreira começou no esporte em 1972 como treinador no Colégio Catarinense, onde se especializou com cursos dentro e fora do País. Fundou o Floripa, nas suas palavras, "para o futsal em Florianópolis não morrer".

O presidente faz um balanço positivo da equipe no nacional em 2016, mas ainda espera que o time seja campeão catarinense – a última vez foi em 2008. Ainda tem o sonho de que a equipe dispute uma final brasileira. Em 2009 e 2011, chegaram às semifinais.

O maior desejo do dirigente, no entanto, é de que o time tenha um ginásio próprio. Os atletas possuem academia e fisioterapia, mas não uma sede. Treinam no Instituto Estadual de Educação ou alugam a quadra do Sesc São José. Às vezes o roupeiro leva pra casa os uniformes.

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Como é possível avaliar a campanha do Floripa Futsal na Liga Nacional?

Dentro daquilo que a gente estava programando, esperávamos chegar entre os oito finalistas e conseguimos esse objetivo. Foi um campeonato muito equilibrado nesse ano, sem favoritismos. Numa competição de nível nacional, com o pouco investimento que a gente tem aqui em Florianópolis, foi uma campanha muito boa. Está todo mundo na cidade elogiando nossa performance.

Teve aquele jogo com a ACBF, histórico...

Imagina, dentro de uma cidade que respira futsal, eles foram vice-campeões mundiais, então deu uma imagem pra gente na Liga. Agora é encarar o estadual. Vamos tentar chegar à final, mas a gente sabe que é difícil. são cinco equipes de Liga Nacional: Joinville, Jaraguá, nós, Concórdia e Tubarão.

A situação financeira do Floripa é complicada, como está a luta para pagar as dívidas?

Nós estamos com o salário dos meninos atrasados, praticamente dois meses, temos outros problemas também, mas vai dar tudo certo. Nós temos três parceiros extremamente importantes: o governo do Estado e a prefeitura, que estão com dificuldades, e a Woa. Precisávamos de mais duas ou três empresas para ter uma estrutura melhor para não faltar como faltou agora. O problema é que aqui em Florianópolis tem Avaí e Figueirense. Esses outros times (com mais investimentos) são de cidades que só tem futsal. Aqui a gente fica com a sobrinha.

Como projetar o ano que vem?

Nós teremos um encontro com nossos patrocinadores. Estamos com a esperança muito grande que até dia 30 conseguiremos saldar todas as despesas desse ano e já pensar na próxima temporada. É até dia 30 nós temos que dar uma resposta pra Liga. Só vamos participar se a gente tiver certeza. Não adianta ir no escuro. Mas a cidade gostou, está empolgada com nossa participação, então não é hora da gente abandonar. Ainda falta nos reunirmos com o prefeito eleito para ver se há intenção de continuarem com a gente. Se não, nós vamos buscar outra cidade, Palhoça, São José ou Biguaçu.

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Então existe o risco de encerrar o projeto?

Se a gente não tiver parceiro, não tem como continuar. Não é o que eu quero. O nosso investimento comparado com as outras equipes da Liga Nacional, que são 20, fica entre os três últimos.

Nestes 10 anos de Floripa Futsal, esse é o momento mais complicado?

Sim! Eu trabalhei quase 40 anos no Colégio Catarinense, e lá tem estrutura, era minha casa. E quando eu saí, a gente meteu a cara. Pra não acabar o futsal de Florianópolis, eu resolvi fazer um time. E todo o ano é a mesma luta. Mas eu acho que com a campanha desse ano, estou com a esperança de outras empresas vão nos ajudar.

Desistir, nem pensar?

Às vezes, dá vontade. Já pensei em parar. Eu precisava de alguém pra me substituir e não tem. Mas com esses últimos resultados, parece que me encheu de vontade outra vez. Não sei se vou conseguir. Aqui em Florianópolis, se tu não gostar e não correr atrás, não faz esporte amador. E aqui não tem ninguém com a disposição que eu tenho! É o que todo mundo me fala: que no dia que eu parar, acaba o futsal em Florianópolis!

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