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Entrevista

"Se pudesse colocar comida na mesa de todos, fecharia a cidade", diz prefeita de São José

Adeliana Dal Pont falou sobre as novas restrições para conter o novo coronavírus

24/06/2020 - 07h25 - Atualizada em: 24/06/2020 - 07h58

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Por Guilherme Simon
Prefeita de São José em reunião
A prefeita de São José, Adeliana Dal Pont, em reunião para definir ações contra o coronavírus
(Foto: )

A prefeita de São José, Adeliana Dal Pont, falou na manhã desta quarta-feira (24) sobre as novas restrições anunciadas para conter o avanço do coronavírus na cidade da Grande Florianópolis. Em entrevista ao Bom Dia Santa Catarina, da NSC TV, ela afirmou que vem buscando equilibrar as ações impostas na pandemia, e defendeu que a responsabilidade pelo combate à doença seja compartilhada com os cidadãos e o setor produtivo.

— Se a prefeitura tivesse condições de colocar comida na mesa de todo mundo, eu fecharia toda a cidade — declarou.

Segundo a prefeita, a nova estratégia de enfretamento da pandemia busca “penalizar” os estabelecimentos que não cumprirem as normas sanitárias estabelecidas.

— Ao invés de penalizar toda uma cadeia, eu penalizo aqueles que não estão cumprindo as regras — comentou.

Nesta terça (23), São José anunciou restrições como o fechamento dos shopping centers aos domingos e a proibição de aglomerações em áreas de lazer, como parques e orla. Estabelecimentos que descumprirem o decreto serão punidos com fechamento por 7 dias.

São José conta com 316 casos confirmados de Covid-19 e tem duas mortes registradas pela doença, conforme a última atualização da Secretaria de Estado de Saúde (SES), feita nesta terça.

As novas medidas na cidade foram adotadas um dia após Florianópolis impor novas restrições por conta do avanço da pandemia. Entre as medidas na Capital, que passam a valer nesta quarta (24), estão o fechamento de shoppings, galerias, academias e restrições de horários para restaurantes e bares.

Na segunda-feira (22), o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, fez uma reunião com prefeitos da região na tentativa de alinhar as restrições. Mas as cidases de Biguaçu, São José e Palhoça acabaram adotando medidas menos restritivas que a Capital.

Na entrevista ao Bom Dia Santa Catarina, a prefeita de São José comentou que gostaria que a região adotasse as mesmas ações, mas destacou que os municípios têm realidades diferentes. Sem citar Florianópolis, ela também disse que, além de se reunir, é preciso que os prefeitos construam as decisões coletivamente.

— A gente tenta conversar sempre, só que quando se vem para conversar coletivamente, as decisões têm que ser colocadas também coletivamente, e não a decisão já tomada. Daí também não funciona. O que funciona é sentar todo mundo na mesa, analisar o problema e ver o que a gente consegue fazer — declarou a prefeita Adeliana.

A prefeita também foi questionada se não estaria atribuindo a responsabilidade apenas aos cidadãos ao optar por medidas menos restritivas. Ao responder, ela afirmou que não está “colocando só na mão do cidadão”, mas "compartilhando" com ele o combate à doença.

— Se o cidadão não tiver essa consciência, não há decreto que vá fazer o coronavírus parar sozinho. Nós temos que acreditar nessa consciência — disse.

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