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Polícia

"Se tivesse denunciado, hoje minha filha estaria aqui", diz mãe de jovem morta em Canelinha

Assassinato de Bruna Cardoso, 21 anos, é o 33º caso de feminicídio neste ano em Santa Catarina

12/08/2019 - 15h49 - Atualizada em: 12/08/2019 - 17h33

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Karollayne
Por Karollayne Rosa
Bruna Cardoso, 21 anos, morta em Canelinha (SC)
Bruna Cardoso, 21 anos, foi encontrada morta no sábado em uma quitinete em Canelinha, na Grande Florianópolis
(Foto: )

Dois dias depois da perda, a imagem da menina divertida, amiga e muito parceira é a que fica para a família de Bruna Cardoso. A jovem de 21 anos foi encontrada morta na manhã de sábado (10). O namorado de Bruna, um homem de 22 anos, foi preso horas após o corpo dela ter sido encontrado na quitinete onde os dois moravam em Canelinha, na Grande Florianópolis.

Segundo o delegado responsável pelo flagrante, Rafael Gomes Chiara, o namorado da vítima foi autuado por feminicídio e continuava preso nesta segunda-feira (12). Com a morte de Bruna, Santa Catarina soma 33 feminicídios somente este ano.

A última vez que Teresinha Aparecida dos Santos esteve com a filha foi no início de agosto. Dois dias antes do crime, elas chegaram a conversar por telefone. Foi o último contato com Bruna. Na manhã de sábado (10), a família recebeu a notícia da morte.

A jovem e o namorado estavam juntos há três meses e moravam na quitinete há cerca de duas semanas, localizada na região próxima de onde Teresinha reside.

— Ele era muito ciumento. A casinha que eles moravam era muito pequenininha, trancada com cadeado — diz a mãe de Bruna.

Teresinha diz que o namorado da filha se mostrava agressivo, ciumento e, em um determinado momento, já havia a ameaçado. Mesmo em luto pela morte da filha, ela diz que, além da saudade, agora busca evitar que novas mulheres sejam vítimas do crime.

— Eu queria fazer um apelo como mãe, falar abertamente, principalmente para as mulheres. Para as mães cuidarem de suas filhas, denunciar o que acontecer dentro de casa. Não importa o que aconteça, deve denunciar por mais que os filhos peçam para não denunciar. Se eu tivesse denunciado, hoje minha filha estaria aqui comigo — desabafa.

Desde 2015, o assassinato de mulheres com origem em gênero recebe a tipificação penal específica: feminicídio. O crime ocorre quando é identificado "menosprezo ou discriminação à condição de mulher" por parte do autor do crime, na maioria dos casos namorado ou ex-companheiro da vítima, conforme previsto no Código Penal.

— Depois que ela ficou com ele, ela se afastou de todo mundo — lembra a irmã de Bruna, Larissa Cardoso, 19 nos.

Jovem deixa duas filhas

Nascida e criada no município de Canelinha, Bruna era a filha mais velha de Teresinha e tinha outras duas irmãs, de 17 e 19 anos. A mãe da jovem conta que as quatro eram muito amigas, principalmente depois da maternidade, que acabou aproximando a família. Ela deixou duas filhas crianças, de 7 e de 4 anos.

Apesar de não morarem mais juntas, as visitas eram constantes, já que todas elas residiam perto. Porém, nas últimas semanas, Teresinha diz que começou a perceber o distanciamento da filha mais velha.

— Ultimamente a Bruna estava muito fechada. Eu tenho pra mim que ela queria contar alguma coisa. Como ele já estava ameaçando a família, e era doente de ciúme, ela não tentou se separar dele. Eu acredito que ele (o namorado) ameaçou dizendo que ia fazer alguma coisa com a família caso ela deixasse ele. Chegou no final e ela defendeu a família com unhas e dentes para não acontecer nada, para proteger a família.

A mudança no comportamento também foi percebida pela irmã Clarissa. Justamente por essa razão, conta que não sabe dizer como era a vida de Bruna durante os últimos três meses.

— A gente estava sempre fazendo as coisas juntas. Brincando, contente. Mas desses três meses para cá, quando ela começou a namorar ele, ela se fechou pra gente. Não convivia muito, a gente ficou bem afastada. Depois que ela ficou com ele, se afastou de todo mundo, porque ele não queria ela no meio da família — recorda.

Agora, para a família, ficam as memórias de uma menina divertida, solidária e muito parceira, que sempre buscava ajudar as amigas. Costureira, atualmente ela estava desempregada, mas esperava ser chamada para voltar a trabalhar.

— Ela só pensava em formar uma família. O sonho dela era achar uma pessoa boa, casar e trazer as filhas para morar com ela. O sonho dela era esse, formar uma família — diz a mãe.

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