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Agroindústria

Seca na Argentina afeta safra de milho e preocupa produtores em Santa Catarina

Criadores de frangos e porcos sofrem com aumento dos custos de produção e diminuição do preço de venda

02/04/2018 - 15h00 - Atualizada em: 02/04/2018 - 16h51

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Por Redação NSC

A seca na Argentina, que deve provocar uma quebra na safra de grãos de até 30% neste ano, tem gerado um efeito cascata que afeta a produção de aves e suínos em Santa Catarina. A principal causa é a escassez de milho no mercado, que acarreta um aumento nos preços e custos mais elevados para os produtores de porcos e frangos.

De acordo com o vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, o preço do milho tem oscilado muito nos últimos anos. Em 2016, houve escassez do produto, jogando o preço para cima. No ano seguinte, com mais gente plantando, ocorreu uma supersafra, o que fez com que o valor da saca despencasse. Dessa maneira, neste ano a área plantada em Santa Catarina diminuiu consideravelmente, o que fará com que a quantidade colhida seja menor.

É nesse contexto que a seca argentina contribui para o aumento dos preços. Somando-se o fator especulativo e as deficiências logísticas, tem-se uma espiral negativa para a agroindústria.

— O milho é um insumo básico para granjeiros e suinocultores. E o preço tem subido muito. Não podemos trazer milho dos Estados Unidos, o maior exportador do mundo, por falta de licenças, já que eles produzem transgênicos — diz Barbieri.

As dificuldades encontradas pelos produtores, todavia, não estão provocando aumento de preço para o consumidor final. Isso acontece por causa das restrições às exportações brasileiras, como no caso da carne suína para a Rússia. O excesso dos produtos no país tem feito os preços caírem, ao mesmo tempo em que os custos crescem para os produtores.

— Há um excesso de produção de proteína animal. Muitas agroindústrias estão anunciando férias coletivas — afirma Barbieri.

Uma reunião do setor produtivo está marcada para quinta-feira à tarde com o ministro Blairo Maggi, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Eles sugerirão que o governo ajude ao trazer parte do estoque de milho do Mato Grosso para o Sul do Brasil de forma subsidiada, pagando os fretes.

Segundo Barbieri, o país tem, além da falta de infraestrutura, outro problema estrutural que precisa ser combatido: a falta de capacidade de armazenamento. Enquanto China e Estados Unidos podem estocar até um ano de produção de milho, no Brasil essa quantidade é muito reduzida. Dessa forma, o produtor precisa vender rapidamente o que é colhido.

Ganhos inesperados

Enquanto avicultores e suinocultores passam por momentos complicados, a situação é mais favorável para quem se arriscou a plantar milho ou tem o produto armazenado. A convergência de fatores tem feito os preços subirem acima do esperado. É o que explica Barbieri:

— Quem plantou milho e não vendeu não esperava ter esse ganho. Esse aumento faz com que o milho volte a ser uma cultura atrativa.

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