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Começo difícil

Sem dinheiro, médicas cubanas precisaram de ajuda em Jaraguá do Sul

Colegas de trabalho precisaram prestar auxílio às médicas cubanas no primeiro mês

19/02/2014 - 05h52

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Por Redação NSC
Uma das médicas trabalha na unidade de saúde do bairro Santa Luzia, em Jaraguá do Sul
Uma das médicas trabalha na unidade de saúde do bairro Santa Luzia, em Jaraguá do Sul
(Foto: )

A chegada a Jaraguá do Sul, em novembro do ano passado, foi difícil para as duas médicas cubanas do Programa Mais Médicos. Ao que tudo indica, elas não receberam o auxílio prévio para a instalação na cidade.

Durante um mês, elas ficaram sem dinheiro e tiveram que esperar pelo primeiro pagamento - que chega para elas no valor de cerca de R$ 1 mil - para a situação começar a se normalizar. Neste período, foram os colegas da Secretaria de Saúde de Jaraguá que as auxiliaram.

Fabiana Dallagnolo Müller, técnica de projetos da Saúde e funcionária que tem o contato mais direto com os médicos estrangeiros em Jaraguá, conta que ainda não sabe se as cubanas receberam, de fato, o auxílio para despesas de instalação, previsto pelo programa.

- Temos uma informação desencontrada. Uma pessoa do Ministério da Saúde, de Florianópolis, me disse que foi enviado, mas foi em uma conversa informal. Pedi para que fosse oficializado via e-mail, o que não foi realizado. A informação que tenho das duas médicas cubanas é que elas não receberam - afirma Fabiana.

Sem o auxílio inicial, as médicas Yamila Felicia Valdés González, 44 anos, e Yamile Mari Nin, 42, contaram com o apoio dos colegas de trabalho. De 10 a 13 de novembro, elas hospedaram-se em um hotel. Elas se mudaram juntas para um apartamento que já contava com algumas peças de mobília. Funcionários da Saúde emprestaram ou cederam objetos: um fogão e louças. A alimentação também contou com a ajuda dos colegas.

- Não é que elas não tivessem o que comer, mas para ajudar, os colegas chamavam elas para o almoço, para jantar - cita o secretário de Saúde de Jaraguá, Ademar Possamai.

Fabiana Müller conta que o primeiro salário das médicas cubanas foi recebido apenas no mês seguinte.

- O cartão do banco demorou para chegar e no começo elas estavam um pouco assustadas com os preços altos da cidade. Tudo isso trouxe angústia para elas, que resultou na manifestação em deixar o Brasil - acredita a técnica.

Após o recebimento do pagamento, a situação das cubanas foi normalizada. Além do salário, elas recebem o vale-transporte, por meio da recarga do cartão (o valor fica entre R$ 130 e R$ 140). O aluguel do apartamento onde elas moram também é dever da Prefeitura. Entre aluguel, condomínio, água e luz, são cerca de R$ 1,4 mil, informa a Secretaria de Saúde.

Além da falta de dinheiro, problemas no ambiente de trabalho também podem ter ocasionado descontentamentos que geraram o pedido para voltar para Cuba, no caso de Yamila.

- No Brasil, o enfermeiro tem um papel muito atuante junto ao paciente. Em Cuba, não. E isso trouxe problemas. Mas conversamos com a enfermeira e ela entendeu essa diferença cultural - explicou Fabiana.

Valor mínimo para o vale-alimentação

Atualmente, os profissionais que atuam no Programa Mais Médicos em Jaraguá do Sul ganham R$ 372 de vale-alimentação, ou seja, apenas R$ 1 a mais do que o valor mínimo estipulado pela portaria de número 23 de 1º de outubro de 2013, do Ministério de Saúde.

Segundo o artigo 10 do documento, as prefeituras devem assegurar a alimentação nos valores de R$ 371 a R$ 500. Joinville, por exemplo, oferece aos médicos a taxa máxima do benefício. Um projeto de lei está sendo elaborado para que o valor em Jaraguá também aumente para R$ 500, informou o secretário de Saúde.

Ademar Possamai conta ainda que o médico mexicano que atua em Jaraguá pelo Mais Médicos, Héctor León Romero, e a cazaque Marzhan Zhalmakhanbetova receberam o auxílio de instalação alguns dias após chegar à cidade. Héctor, porém, tem uma namorada brasileira, que o acolheu. Já Marzhan veio ao Brasil com a família, que se planejou e guardou recursos para os primeiros dias no novo país.

Situação é tranquila em Massaranduba

Yanelis Falcon mora há três meses em Massaranbuba. Falando por telefone do posto de saúde em que trabalha, no Centro, ela contou que está gostando da cidade e que foi muito bem recebida, tanto pela equipe da Secretaria de Saúde, quanto pela população, que mostra-se feliz com seu atendimento.

- Eles me acolheram muito bem. Às vezes, no fim de semana, meus colegas me convidam para fazer algo. Fico feliz - conta.

Há uma semana, ela se mudou para um apartamento, alugado pela Prefeitura. Antes, ela vivia em uma quitinete. O imóvel foi alugado pelo governo antes de sua chegada e os itens como roupas de cama e louças foram comprados pela Prefeitura ou cedidos por funcionários. Ela recebe R$ 500 de vale-alimentação, e um carro da Prefeitura a leva e a busca do trabalho.

Quando precisa de ajuda, Yanelis costuma buscar apoio junto aos colegas de trabalho. Porém, ela sabe que tem o respaldo de uma representante de seu país, Vivian Isabel Chávez Pérez - citada pela revista Veja como "capataz" dos cubanos no Brasil - que trabalha na Organização Pan-americana de Saúde (Opas) em Porto Alegre.

Por enquanto, Yanelis não teve contato direto com Vivian. A representante apenas enviou-lhe um cartão-postal, no fim do ano passado, no qual o ex-presidente cubano Fidel Castro comemora o Dia da Revolução, em 10 de janeiro. A médica diz que é por meio de Vivian que as informações do governo cubano são repassadas aos participantes do programa no Brasil. É ela, também, que serviria de auxílio e ponto de apoio aos intercambistas.

Mudança no comportamento das médicas

Em meados de dezembro, Yamila e Yamile sinalizaram que gostariam de retornar a Cuba. Dois dias depois, elas mudaram de ideia. Nesse meio-tempo, elas receberam um telefonema da cubana Vivian Isabel Chávez Pérez, que trabalha na Opas, em Porto Alegre, e atua como supervisora dos participantes do Mais Médicos. O caso veio à tona nesta semana com reportagem publicada na Veja. A técnica da Saúde Fabiana Müller apenas relata o que observou.

- O comportamento delas mudou completamente. Antes, elas pareciam desconfortáveis com diversas situações. Depois, elas se entrosaram, passaram a realmente fazer parte da equipe. Elas ficaram mais tranquilas e serenas - conta Fabiana Müller.

Desde então, não houve outros empecilhos ao trabalho. A técnica afirma que as comunidades estão satisfeitas com o trabalho das duas. Elas também evoluíram no aprendizado do português e demonstram estar felizes.

Fabiana afirma ainda que tentou entrar em contato com a Vivian Chávez Pérez em Porto Alegre. A supervisora, no entanto, teria agendado uma visita para Jaraguá do Sul, que deve ocorrer nas próximas semanas.

- Se a Vivian está aqui para monitorá-las, nós não sabemos. Porém, ela é um ponto de referência para os profissionais cubanos em todo o País - avisa a técnica.

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