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Mensalão

Silêncio de Dilma decepciona petistas

Dirigentes do PT esperavam da presidente comportamento semelhante ao de Lula, que indicou José Dias Toffoli ao STF já tendo em vista o julgamento.

03/09/2012 - 03h06 - Atualizada em: 03/09/2012 - 08h02

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Por Redação NSC

O rigor com que o Supremo Tribunal Federal (STF) está condenando os réus do mensalão disseminou pessimismo no PT e expôs uma decepção do partido com a presidente Dilma Rousseff.

Nos bastidores, expoentes da legenda não escondem o desgosto com a indiferença de Dilma e com os votos dos ministros indicados por ela: Luiz Fux e Rosa Weber.

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Nas sabatinas a que foram submetidos antes da indicação ao STF, Rosa e Fux foram consultados sobre o mensalão, o que gerou uma expectativa por absolvições. Para a direção da sigla, Dilma poderia ao menos ter tentado influenciar os dois ministros, cujas decisões foram consideradas extremamente duras. Os dirigentes esperavam da presidente um comportamento semelhante ao de Lula, que indicou José Dias Toffoli ao STF já tendo em vista o julgamento do mensalão. Em seu voto, Toffoli inocentou o deputado João Paulo Cunha (PT) de todas as acusações.

- O PT queria que ela desse uma letra, intercedesse junto aos ministros que nomeou. Ela poderia ter ajudado mais - resume um interlocutor da cúpula do partido.

Dilma, contudo, quer seu governo distante do julgamento. A presidente nem sequer assiste às sessões e proibiu os assessores próximos de perderem tempo diante da TV. A ordem é mostrar independência e passar a ideia de que o governo não está parado.

Para tanto, nos dias em que as sessões tiverem algum simbolismo especial, o Planalto irá criar um fato político. Foi assim na última quarta-feira. Enquanto os ministros condenavam Cunha por corrupção e peculato, Dilma sancionava, em uma cerimônia improvisada na sala anexa ao seu gabinete, a lei de cotas nas universidades, que reserva 50% das vagas a estudantes de escolas públicas.

O afastamento de Dilma e os placares elásticos na condenação de todos os réus da primeira etapa do julgamento deixaram no partido o sentimento de terra arrasada. Já há quem tema por um destino semelhante para José Dirceu. Isso porque a maioria dos ministros dispensou a necessidade do ato de ofício para comprovar a culpa - ou seja, a ação do agente público que teria beneficiado os corruptores. Com isso, abre-se um precedente perigoso para Dirceu, cuja principal tese de defesa é de que não há provas de seu envolvimento com a "sofisticada organização criminosa" citada na denúncia.

- Vendo o tribunal com essa coesão imagino que se delineie uma condenação para ficar na história - disse o ministro Marco Aurélio Mello.

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Com o presságio de novas punições, os advogados calculam as possibilidades de penas prescritas (nos casos de condenação de até dois anos de reclusão) e preparam recursos para protelar eventuais prisões. Representante de Cunha, Alberto Toron estuda ingressar com embargos infringentes para o crime de lavagem de dinheiro, no qual o placar parcial da condenação está em 6 a 4. Alguns réus, contudo, já admitem passar uma temporada na cadeia.

- Todo revolucionário se prepara a vida inteira para a possibilidade de ser preso - diz o advogado de uma estrela petista.

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