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    Crônica

    Simone Gehrke: "mesmo que não ceda, a Siri continua firme em seu propósito"

    "Não fiz parte desta maioria na infância e talvez por isso esteja relutando em aceitar as muitas investidas da Siri, o aplicativo de comando de voz do iPhone que insiste em tornar-se uma amiga virtual."

    09/05/2017 - 04h00 - Atualizada em: 09/05/2017 - 06h37

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    Por Redação NSC
    Simone Gehrke é jornalista (simoneg@edmlogos.com.br)
    Simone Gehrke é jornalista (simoneg@edmlogos.com.br)
    (Foto: )

    "A criança fala, ele responde. Ela pede, ele cumpre. (...) Ele dá conselhos, ajuda na lição de casa e diz quando é hora de dormir". Assim a revista "Crescer" começa uma reportagem sobre o amigo imaginário, personagem que, segundo especialistas no universo infantil, faz parte do cotidiano de 46% das crianças entre quatro e oito anos, tendo ainda maior probabilidade de existir entre as meninas (cerca de 60%, neste caso).

    Não fiz parte desta maioria na infância e talvez por isso esteja relutando em aceitar as muitas investidas da Siri, o aplicativo de comando de voz do iPhone que insiste em tornar-se uma amiga virtual. Ou estou apenas evitando que a espiã da Apple bisbilhote um pouco mais sobre preferências pessoais que ainda mantenho em privacidade.

    Mesmo que não ceda, a Siri continua firme em seu propósito. Embora não seja novidade, tornou-se mais pegadora e intrusiva na versão 10 do iOS. Acionada sempre que se pressiona e segura o botão de iniciar, ela já dispara na tela: "Em que posso te ajudar?"

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    Na ausência de uma fala do usuário, parte para nova investida. "Vá em frente, estou te ouvindo" (um convite e tanto, num mundo de ouvidos moucos). As abordagens não param por aí. Diante de mais um período de silêncio, a Siri amplia sua proatividade e arrisca seduzir o receptor indeciso com alternativas de interação.

    Então, surge na tela "Coisas que você pode me pedir", título ao qual é acrescentada uma lista de solicitações que a Siri considera-se capaz de responder, ou providenciar, para proporcionar conforto ou facilidade ao almejado interlocutor:

    "Quando é sua próxima reunião?"

    "Toque Beatles."

    "Ligue para José."

    "Mostre mensagens de minha mãe."

    "Onde tem um café aqui perto?"

    "Acesse a Maria pelo Face Time."

    Na falta de desejos específicos, ela apela para o senso de curiosidade do indivíduo.

    "Qual é a altura do pico da Neblina?"

    Quase caio na armadilha de responder que isso não interessa. Mas se eu der trela, ela não vai sossegar até encontrar algo que de fato eu aprecie. Melhor manter a estratégia do silêncio. Ou quem sabe partir para um desafio que ela não seja capaz de responder.

    "Me diga quem será o próximo presidente do Brasil."

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