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SXSW 2019: as experiências na mais famosa conferência de tecnologia do mundo 

Lucas Miguel Gnigler traz um relato pessoal do evento que há mais de três décadas faz de Austin o centro do debate mundial sobre tecnologia, cinema e música 

25/03/2019 - 17h25 - Atualizada em: 27/03/2019 - 17h50

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Estúdio
Por Estúdio NSC
(Foto: )

Desde 1987, o SXSW (South by Southwest) ocorre anualmente em Austin, a capital do estado do Texas, nos Estados Unidos. Antes isolada da cena artística e tecnológica, a cidade de cerca de um milhão de habitantes hoje é moderna, cult, lar de artistas, intelectuais (e de alguns famosos). Austin proporciona um ecossistema de mentes criativas aliado à qualidade de vida característica das cidades menores.

Os números oficiais de 2019 ainda não saíram. Mas, no ano passado, mais de 75 mil pessoas de 102 países participaram de uma das três conferências que formam o SXSW: Interactive (a que eu escolhi, mais voltada para tecnologia e negócios), Film (Cinema e TV) e Music (a que originou o festival, atrai mais gente, e que debate e celebra a indústria da música).

Durante a última edição do SXSW, que ocorreu entre os dias 8 e 17 de março, percebi os impactos do evento na cidade. Os hotéis e até os Airbnbs estavam lotados, e o trânsito quase impossível, deixando o Uber (e a concorrente, Lyft) absurdamente caros.

Os patinetes elétricos (scooters) que estão em toda parte em Austin deveriam ser uma alternativa para o transporte. Mas eles se tornaram motivo de revolta para alguns moradores, que estão lançando os patinetes nos rios que cortam a cidade (eu vi dois). O que se percebe é que, tanto lá como aqui em Floripa, os scooters são mais usados como brinquedos do que efetivamente como meio de locomoção.

Patinete elétrico jogado no rio
Patinete elétrico jogado no rio
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Austin é diferente, mas lembra Floripa. Mas vamos ao que interessa.

Orientações sobre a agenda de palestras

Você é quem faz o seu SXSW. São tantas palestras e exposições acontecendo ao mesmo tempo que você pode (e deve) construir a própria trilha no aplicativo do evento - e assim seu roteiro vai se tornar único, personalizado.

Algumas palestras ocorrem no enorme centro de eventos de Austin e outras nos hotéis das redondezas. Em cinco ou 10 minutos você caminha entre os principais locais.

Por dois motivos, é muito importante que seu roteiro seja flexível: primeiro porque tem muita gente participando do evento. Você vai ficar em filas enormes e até de fora de algumas das palestras mais badaladas. Depois, porque se você for para o SXSW só para ver palestras, vai perder muita coisa boa.

A expectativa em relação às palestras é tão alta que algumas podem decepcionar - e não é raro ouvir gente se queixando. E aí é você quem vai avaliar: o palestrante era só uma pessoa influente querendo se promover, ou alguém que tinha o que dizer, mas não soube se expressar bem?

As palestras têm sempre o mesmo formato: individual, entrevista ou painel. As individuais têm uma vantagem: o palestrante preparou e ensaiou o conteúdo. Enquanto as entrevistas, e principalmente os painéis, podem se perder em divagações e debates desnecessários, já que são, em geral, mais improvisados.

Uma opção para aproveitar o evento é entrar em salas aleatórias, onde se discutem temas que aparentemente não tem nada a ver com a sua área de interesse. A chance de se surpreender e aprender algo novo são grandes, ainda mais em tempos de algoritmos que fazem muitas escolhas por nós.

Mas eu não fiz isso. Eu fui assistir a apresentações de escritores que eu admiro há muito tempo.

Um ponto de encontro, e a emoção da tietagem

De cara, na abertura do SXSW, Brené Brown provocou a reflexão: quanto tempo você ainda vai perder se preocupando com o que você acha que os outros pensam sobre você? Eu tive certeza de que ela falava comigo.

Malcolm Gladwell participou de um painel sobre carros autônomos - não importa o tópico, dá para ficar ouvindo ele divagar por horas.

Neil Gaiman falou sobre a arte de escrever e apresentou a sua nova série, Good Omens. Ele lamentou que a ficção precisa parecer coerente, enquanto a realidade pode ser absurda.

Tim Ferriss entrevistou Michael Pollan numa conversa animada sobre a mente e substâncias alucinógenas (não é raro o entrevistador ser a atração principal).

Ryan Holiday falou sobre o estoicismo - filosofia de vida que eu aprendi justamente com ele há alguns anos.

Debbie Millman entrevistou e surpreendeu Austin Kleon numa conversa inesquecível sobre trabalho e arte.

É uma experiência surreal sentar na frente de quem inspira você há anos e, em alguns casos, poder trocar umas ideias com nomes como Ryan Holiday e Austin Kleon. Coisa de fã.

O que esperar e o que buscar

O SXSW não vai dar muitas dicas. É um local de inspiração. Mas é você quem precisa buscar o insight, a reflexão. No SXSW (assim como no trabalho, na faculdade, na vida) a melhor postura é a de um questionador curioso. É assim que o aprendizado acontece.

E não há lugar melhor para isso do que na exposição do SXSW. Lá você encontra centenas de empreendedores e de negócios do mundo todo apresentando soluções tecnológicas. Se você se vira bem no inglês, precisa reservar algumas horas para conhecer os estandes que chamam sua atenção. Apenas se aproxime e pergunte o que eles fazem - e a mágica acontece.

Também estão lá gigantes da tecnologia. Elas alugam espaços no centro de Austin, apresentam novidades e distribuem cerveja para quem tem crachá do SXSW (os melhores ambientes que eu achei foram o do Linkedin, o da Intel e o da LG). Aliás, em geral, é assim que termina cada dia do evento. Depois, se você ainda tiver energia, pode explorar a Rua 6 e entender porque Austin é chamada de capital mundial da música ao vivo.

Lembrando de casa

Chama a atenção a quantidade de países e cidades na exposição do SXSW, todos divulgando seus atrativos e suas startups. E numa grata surpresa, Floripa também estava em Austin.

Durante o SXSW aconteceu o pontapé inicial do Floripa Conecta, evento que acontece aqui na Ilha, em agosto. Um manezinho que trabalha na Dropbox de Austin reservou o salão de festas da empresa para o encontro. Conheci vários conterrâneos na confraternização. Estavam lá também influenciadores conhecidos nas redes sociais, como Murilo Gun e Gabriel Goffi (convidados no mesmo dia, ao serem reconhecidos nas ruas de Austin).

Assistimos, em primeira mão, o novo vídeo institucional de Florianópolis, criado pela minha agência. A propósito, Floripa vai ter um espaço no Web Summit 2019, em Lisboa. E, aposto, outro no SXSW em 2020.

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Lucas Miguel Gnigler é diretor de operações do grupo D/Araújo Comunicação. No tempo livre produz conteúdo e faz palestras sobre comportamento e trabalho.

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