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Comportamento

Tatuagens de segurança ganham espaço em SC entre pessoas com problemas de saúde

Marca na pele auxilia na hora dos atendimentos médicos

30/05/2019 - 06h48

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Lariane
Por Lariane Cagnini
Mael Spitzner (E) faz tatuagens que ajudam pessoas como Roberto da Costa Rodrigues (D)
Mael Spitzner (E) faz tatuagens que ajudam pessoas como Roberto da Costa Rodrigues (D)
(Foto: )

Na última queda grave de glicose que teve, Roberto da Costa Rodrigues, 30 anos, desmaiou e foi parar no hospital. Os colegas não sabiam que ele tinha diabete tipo 1, mas a informação constava no registro médico e ele foi socorrido rapidamente. Depois desse episódio, Rodrigues decidiu fazer uma tatuagem de segurança, tendência que tem ganhado espaço entre pessoas com doenças crônicas, alérgicos a medicamentos e com problemas de saúde.

– Tive uma crise de hipoglicemia. Se eles soubessem, poderiam me dar um copo d’água com açúcar, algo doce, que agilizava. Eu fiz a tatuagem para ter mais segurança na rua. Posso estar em outra cidade, a pessoa vê o que está escrito e pode me ajudar – comenta o funcionário público.

Rodrigues é morador de Laguna, no Sul do Estado, mesma cidade onde vive a personal trainer Bruna Magalhães, 27 anos. Da caixa onde guarda medicamentos em casa, são poucos os que ela pode utilizar com segurança. Alérgica a princípios ativos comuns, como ibuprofeno, dipirona e AAS, ela decidiu marcar no antebraço esquerdo essas informações. Nas idas frequentes ao hospital, acabava sofrendo com a troca de plantões em que eram ministrados remédios contraindicados para ela, e muitas vezes a reação alérgica acabava piorando o quadro.

– Eu quis fazer a tatuagem por segurança. Quando vi a ideia nas redes sociais, pensei na hora: é disso que preciso, e marquei para fazer. Além da questão hospitalar, caso um dia eu sofra um acidente, uma emergência, tenho essas informações bem visíveis — complementa Bruna.

Bruna Magalhães carrega na pele informações sobre medicamentos que causam reação alérgica a ela
Bruna Magalhães carrega na pele informações sobre medicamentos que causam reação alérgica a ela
(Foto: )

Antes de marcar a pele de maneira permanente, o especialista em clínica médica Carlos Roberto Seara Filho, da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM), faz um alerta. Há casos em que a pessoa tem reação adversa a algum medicamento, e não uma alergia, e somente exames podem comprovar a suspeita. Já as doenças diagnosticadas como diabetes, hipertensão, entre outras, são informações mais seguras para se ter tatuadas.

– A primeira coisa que se faz no atendimento é retirar as vestes superiores, camisa, blusa. Então, a indicação seria fazer nas regiões frontais, tronco, abdômen e membros superiores, já que o intuito é que seja visível para o atendimento – comenta o médico, que atua há mais de 30 anos com urgência e emergência.

Serviço é feito em troca de alimentos no Sul de SC

Há pelo menos um mês, o tatuador Mael Spitzner, de Laguna, começou a fazer de graça as chamadas tatuagens de segurança. De lá para cá, mais de 20 pessoas já marcaram na pele esses dados, que podem auxiliar socorristas em atendimentos de emergência. A diferença é que ele faz esse serviço de graça e pede como “pagamento” a doação de um alimento não perecível.

A ideia surgiu enquanto Mael assistia um seriado, em que o paciente morreu após reação à anestesia. Ele jogou a ideia nas redes sociais, e a publicação original ultrapassa 55 mil compartilhamentos e 10 mil comentários.

Profissionais de outros Estados e até de fora do país entraram em contato com Mael para conversar e reproduzir a ideia. O tatuador do Sul do Estado espera que o exemplo de solidariedade se repita.

– É uma ideia simples, que pode salvar vidas. Se eu souber que puder ajudar alguém, mesmo que indiretamente, já valeu – comenta o tatuador catarinense.

Mael Spitzner já tem dezenas de tatuagens agendadas, e a única contrapartida que pede aos clientes é que façam a doação dos alimentos. Com o que arrecadou até o momento, ele conseguiu montar pelo menos oito cestas básicas e distribuir para famílias de um bairro vizinho.

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