nsc

    Saúde

    "Temos casos de pessoas que vêm fazer doação apenas para isenção em concurso", diz diretor do Hemosc

    Doações de sangue e medula devem ser feitas de acordo com a necessidade, frisou Guilherme Genovez. 

    04/02/2020 - 12h21 - Atualizada em: 04/02/2020 - 13h49

    Compartilhe

    Por Juliana Gomes
    Doações podem ser feitas dentro de política de saúde
    Doações podem ser feitas dentro de política de saúde
    (Foto: )

    Doações de sangue e medula óssea devem ser feitas apenas de acordo com a necessidade, articuladas a uma política de saúde, afirmou o diretor do Hemosc, Guilherme Genovez em entrevista no Notícia na Manhã. Na avaliação dele, a isenção em inscrições para concurso público, concedida a doadores, além de provocar uma ação aleatória, pode estimular a omissão de informações para obter o benefício.

    — Às vezes, por exemplo, recebo campanhas de grupos de profissionais que vêm doar sangue, mas não pode fazer isso. Esse sangue, se não for usado, será jogado fora, tem 40 dias de validade. Isso tem que estar articulado, não pode brotar espontaneamente sem estar articulado com a política de saúde como um todo – explicou.

    Ouvinte da CBN Diário, a moradora de Ratones Tatiane relatou que não consegue se cadastrar para doar medula óssea, é informada que o Hemosc não recebe cadastro.

    Guilherme Genovez explica que o Ministério da Saúde estabelece uma cota de amostras de medula para cada estado.

    — O banco do Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea) já tem dados suficientes para estatisticamente atender a necessidade brasileira. (...) Nosso país, pela diversidade étnica, tem uma diversidade cromossômica bastante grande, diferente de outros países. A gente não pode fazer as coisas emocionalmente, mas dentro de uma racionalidade – declarou.

    Preocupação

    Com a isenção concedida a doadores de sangue e medula em concursos públicos, muita gente se torna doador para obter o benefício, segundo Genovez.

    — Temos vários casos aqui no Hemosc de pessoas que vem fazer doação apenas para ser isento no concurso. Tivemos casos em que a gente encontrou o receptor que precisava daquela medula e a gente ligou para o doador, que disse: “Não, eu só fui aí para ser isento no concurso, não vou doar medula. Isso é agressivo – relatou.

    Conforme o diretor, a preocupação se estende ainda a casos em que, se o estado de saúde for omitido pelo doador, pode oferecer risco ao processo.

    — Há uma janela imunológica, em que o indivíduo pega a doença mas não aparece nos exames. Se ele vem com interesse de não pagar a taxa de concurso, se ele vem de um nível socioeconômico baixo, e precisa daquele dinheiro, vai mentir e omitir dados que são críticos para a gente conseguir identificar um indivíduo de risco para doação de sangue – afirmou.

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Saúde

    Colunistas