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A Máfia das Cadeias

Traição e racha por dinheiro são parte da história do PGC

Dízimo arrecadado pela facção gera disputa entre criminosos.

15/04/2013 - 22h51 - Atualizada em: 18/10/2015 - 20h39

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Por Redação NSC

O estatuto do Primeiro Grupo Catarinense (PGC) apregoa algo difícil de acreditar: a lealdade entre criminosos.

A facção vende a ideia de que trata-se de uma fraternidade, na qual é possível confiar o destino e a própria vida aos irmãos, mesmo sendo eles assaltantes, traficantes, assassinos e sequestradores.

Mas na prática, a situação é bem diferente. A história da organização criminosa é repleta de rachas e traições. E o dinheiro é o principal calcanhar de Aquiles do PGC.

Até 2012, as finanças da facção eram administradas por um tesoureiro-geral. Ficava a cargo dele comprar as armas usadas em assaltos, drogas que abastecem os pontos de tráfico no Estado, pagar os advogados, ajudar as famílias de detentos e financiar os atentados que aterrorizaram Santa Catarina.

Ocorre que os recursos arrecadados nem sempre são aplicados nas finalidade citadas pelo estatuto dos bandidos.

O DC apurou casos de quatro tesoureiros que fugiram com as economias do PGC. André Vilain, o Vila, por exemplo, desviou tanto dinheiro da organização que precisou buscar refúgio no Paraguai. Quando voltou ao Estado, terminou preso e, ao chegar na penitenciária, foi direto para a ala dos jurados de morte pelo PGC.

Giovani dos Santos Niches, Dilson Dias e Davi Schroeder são outros três que seguiram o mesmo caminho: traíram os "irmãos" e, para viver, nunca mais foram misturados aos integrantes da quadrilha. Entre outros traidores, estão os que usam dinheiro da facção para comprar carros e cocaína. Estes também se tornam decretados pelo grupo.

Diante dos reiterados desfalques no caixa, a facção precisou mudar a maneira de administrar suas finanças. Ao invés de um único responsável, houve uma aposta na descentralização da tesouraria.

Núcleos regionais foram criados para que uma traição não leve a um desfalque total. Ainda assim, uma pessoa fica encarregada de coordenar a contabilidade para saber quanto dinheiro existe à disposição do PGC.

Esta função é desempenhada por Sebastião Carvalho Walter, o Polaco, membro do primeiro ministério do PGC.

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