nsc
    santa

    Opinião

    Túneis de Blumenau: colunista defende estudo sobre galeria encontrada próximo ao teatro

    Colunista defende o estudo do túnel descoberto na rua do Teatro Carlos Gomes

    15/01/2015 - 15h01 - Atualizada em: 11/06/2020 - 09h31

    Compartilhe

    Por Redação NSC

    Estou entre aqueles que apoiam a decisão da prefeitura de estudar o tal túnel descoberto na Rua Presidente John Kennedy. Pode parecer uma bobagem ou capricho com dinheiro público, mas não é. Defendo o estudo porque acredito que conhecer o traçado e as técnicas construtivas das nossas galerias subterrâneas pode ajudar na melhor compreensão do nosso espaço e, quem sabe, subsidiar futuros trabalhos de planejamento urbano e infraestrutura.

    Obviamente, ninguém encontrará hábitos ou terços abandonados no interior da galeria, tampouco o esqueleto de Adolf Hitler recostado a algum canto. Muita pretensão acreditar que o Führer, enrolado que estava em sua guerra mundial, fosse tomar ciência desta cidade cravada num fim de mundo. De qualquer modo, cada cidade possui suas lendas urbanas, e estas dizem muito a respeito das identidades locais.

    Mesmo que todas as antigas galerias subterrâneas sejam devassadas, a lenda dos túneis persistirá. Sempre haverá aquele que dirá não acreditar na idoneidade do estudo, ou que a busca não foi completa. O imaginário é teimoso, e a ficção muito mais interessante do que a história das coisas ordinárias. Por isso, estudar o túnel da John Kennedy para desmistificá-lo, será gesto vão. Ainda assim, é direito de uma sociedade querer investigar suas lendas e mitos, e neste sentido o poder público, ao decidir por reabrir o buraco, acertou. Esta é a questão principal na qual gostaria de chegar. Napoleão Bernardes só determinou à Fundação Cultural o referido estudo, depois do clamor popular, que não foi pequeno.

    Se importa investigar as lendas de Blumenau, importam também nossas memórias e nossas histórias, há muito negligenciadas. Como em todo Brasil, nosso nível de cidadania cultural é medíocre e por isso não reivindicamos, com o mesmo ímpeto em que reivindicamos que o túnel fosse estudado, investimentos em nosso patrimônio cultural, seja ele material ou imaterial.

    A prova mais contundente disto é o Arquivo Histórico José Ferreira da Silva, que hoje ocupa um espaço impróprio sob todos os aspectos, dispondo de uma equipe reduzida e incompleta. Seria muito importante que os blumenauenses exigissem do poder público um espaço adequado para o arquivo histórico, bem como a contratação de mais profissionais e o incentivo à pesquisa da história local.

    Reivindicar o direito à memória é condição primeira da identidade. Para evitar que a própria história de Blumenau vire lenda, são urgentes os investimentos na pesquisa e guarda da nossa memória. Investimentos estes muito mais profundos do que aquele buraco a três metros na John Kennedy.

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Cotidiano

    Colunistas