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CORTES NA EDUCAÇÃO

UFSC sugere que professores não façam avaliação durante greve dos estudantes

Proposta da Câmara de Graduação é que atividades avaliativas ocorram somente após conselho universitário discutir reivindicações dos estudantes

11/09/2019 - 19h25 - Atualizada em: 11/09/2019 - 20h00

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Jean
Por Jean Laurindo
Estudantes decidiram por greve geral em assembleia na tarde de terça-feira
Estudantes decidiram por greve geral em assembleia na tarde de terça-feira

A Câmara de Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) orientou os professores dos cursos a não fazerem atividades avaliativas nesses primeiros dias de greve dos estudantes. A recomendação é válida até que o Conselho Universitário (Cun) volte a se reunir para avaliar as reivindicações feitas pelos estudantes na assembleia desta terça-feira (10), que deu início a uma greve geral dos estudantes da instituição. Não há prazo para essa nova reunião do conselho.

A orientação da Câmara de Graduação foi divulgada em uma nota na tarde desta quarta-feira (11). O texto reforça o pedido de cautela e equilíbrio feito pela instituição desde a terça-feira e propõe também que os comandos dos cursos, departamentos e conselhos da universidade avaliem constantemente as consequências da greve dos estudantes, “sugerindo, quando for o caso, ações de mitigação de possíveis conflitos”.

Na terça-feira, o chefe da reitoria da UFSC, Áureo Mafra de Moraes já havia pedido cautela aos professores para lidar com as situações que poderiam surgir nos cursos após o início da greve estudantil e informado que cada curso precisaria avaliar a situação particular, para saber se a maioria dos alunos havia aderido à greve ou pretendia ter aulas.

O presidente do sindicato dos professores da UFSC (Apufsc), Carlos Alberto Marques, chegou a pedir que os professores “compreendam a luta dos estudantes” e “tenham paciência e parcimônia”.

O professor Alexandre Marino Costa, presidente da Câmara de Graduação da UFSC, afirma que a proposta é apenas uma sugestão. A ideia é que isso evitaria que os professores tenham que fazer novas avaliações para os alunos que não participarem das que forem feitas durante o período de greve.

— Sem essa nota, poderia evitar um tensionamento, se irá ter avaliação ou não. Então, estamos sugerindo que se faça após esse período, mas, de forma geral, a avaliação vai ocorrer de acordo com o plano de ensino, com o cronograma das disciplinas — aponta Costa.

Primeiro dia teve atividades de greve e turmas sem aulas

Parte das salas ficaram sem aulas e com cadeiras colocadas ao chão no início da greve dos estudantes
Parte das salas ficaram sem aulas e com cadeiras colocadas ao chão no início da greve dos estudantes
(Foto: )

Nesta quarta-feira (11), primeiro dia de greve geral dos estudantes, não houve aulas na maioria dos cursos. No Centro Socioeconômico, acadêmicos se reuniram para discutir um cronograma de greve. À tarde, os estudantes também fizeram a entrega da carta de declaração de greve, formulada na assembleia de terça-feira.

Até o fim da tarde desta quarta, 71 dos 107 cursos da instituição estavam em greve ou estado de greve, segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE) Luís Travassos, que reúne os alunos da UFSC.

Mas o movimento também recebeu críticas de universitários que defendem a manutenção das atividades e do calendário acadêmico do semestre. No Centro de Ciências Agrárias (CCA), houve relatos de professores que não conseguiram dar aula por causa da mobilização dos estudantes, que permaneceram com batuques no lado de fora das salas.

O dia também teve conflito no período da tarde. O deputado estadual Bruno Souza (sem partido) foi agredido quando gravava imagens entre grevistas que exibiam faixas em favor da liberdade do ex-presidente Lula, no espaço da universidade. O DCE se manifestou por meio de nota em que informou não saber quem entrou em conflito com o deputado e destacou o que chamou de "histórico de provocações e incitação de conflitos do grupo político do político em questão".

Confira a íntegra da nota da Câmara de Graduação da UFSC:

"NOTA

Considerando

A circunstância decorrente das deliberações do movimento estudantil na UFSC, tomadas em assembleia realizada em 10 de setembro de 2019, quanto à paralisação de atividades estudantis, afetando diferentes Cursos de Graduação com proporções também diversas;

A ausência de deliberações quanto a paralisação das atividades de docentes e STAEs, que continuam desenvolvendo suas atividades;

A inexistência de normativos que expressem medidas administrativas capazes de dar conta de tal situação

O ambiente de anormalidade gerado por tal quadros;

O contido no Estatuto Geral da UFSC, em seu artigo 19, em que

“Compete à Câmara de Graduação:

(…) IX – manifestar-se sobre assuntos, propostas ou planos afetos à sua área de atuação;”

A Câmara de Graduação, em reunião realizada nesta data, encaminha à comunidade acadêmica a seguinte orientação:

– propor, no âmbito dos Colegiados de Cursos, Departamentos e dos Conselhos de Unidades, medidas que permitam a avaliação constante das consequências resultantes do movimento de estudantes, sugerindo, quando for o caso, ações de mitigação de possíveis conflitos;

– agir com cautela, equilíbrio e serenidade, sempre propondo diálogos e condutas que possam estabelecer condições de interlocução qualificadas;

– sugerir que não sejam realizadas atividades avaliativas até a apreciação e deliberação do Egrégio Conselho Universitário sobre as proposições apresentadas na referida assembleia.

Sala dos Conselhos, l l de setembro de 2019

Alexandre Marino Costa

Presidente da Câmara de Graduação"

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