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Infraestrutura

Um ano após lançamento do edital de viabilidade técnica, Ferrovia do Frango não saiu do papel

Projeto é fundamental para o desenvolvimento do agronegócio no Oeste do Estado

24/05/2014 - 13h03

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Por Redação NSC

O Corredor Ferroviário Catarinense, também conhecido como Ferrovia da Integração ou Ferrovia do Frango, ainda nem saiu do papel e já está um ano atrasado. Neste mês, completam-se 12 meses da data em que o ministro dos Transportes, César Borges, esteve em Chapecó no lançamento da licitação para o estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental. Um ano depois, o projeto da ferrovia ainda não entrou nos trilhos.

Até agora nenhuma ordem de serviço foi dada. Um dos motivos para o atraso foi o questionamento na Justiça de alguns pontos na primeira licitação. O edital foi suspenso por três meses pelo Tribunal de Contas da União, até que houvesse uma readequação do processo.

Uma nova licitação foi lançada e o resultado foi divulgado no dia 30 de abril, tendo como vencedor o consórcio Contécnica/Enefer/Topocart. No entanto, três empresas entraram com recurso questionando a vencedora.

De acordo com a assessoria de comunicação da Valec - empresa do governo federal responsável pelas ferrovias do país -, ainda não há data para a ordem de serviço. No site da estatal há uma previsão que aponta 30 de maio como data, mas em virtude dos recursos dificilmente será cumprida.

Quando a ordem de serviço for expedida, a empresa vencedora terá 10 meses para fazer o estudo técnico e mais 12 meses para o projeto básico.

Depois disso é que a obra em si poderá ser licitada. O presidente da Frente Parlamentar das Ferrovias do Congresso Nacional, Pedro Uczai, mantém o otimismo.

- Em 2016 dá para começar a obra - afirmou.

Para o presidente da Aurora e vice-presidente do agronegócio da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Mário Lanznaster, o estudo ainda deve levar quatro anos.

- Se ficar pronto em 16 anos está bom - disse.

Força para o agronegócio

O secretário de Agricultura de Santa Catarina, Airton Spies, se disse preocupado com um trecho do discurso da presidente Dilma Rousseff no lançamento do Plano Safra 2014/2015, em que foi destacado o investimento em infraestrutura, mas citado principalmente o escoamento do Centro-Oeste para os portos - as obras em Santa Catarina não apareceram na fala da presidente. Apesar disso, o governo estadual mantém a reivindicação dos investimentos em ferrovias como uma prioridade.

- Está no topo da agenda - afirmou.

Uczai diz que está trabalhando para incluir as ferrovias catarinenses no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 3), o que garantiria os recursos para a execução das obras e assim daria mais agilidade aos projetos.

Com déficit de 66 mil caminhões de milho, a ferrovia é vital para manter competitividade de Santa Catarina. A cada ano o Estado precisa buscar o grão no Centro-Oeste para suprir um déficit de 2,5 milhões de toneladas entre demanda e consumo. O problema é que para trazer uma saca de milho de Mato Grosso, o custo do frete fica de

R$ 10 a R$ 12, metade do valor do produto. Com isso, a saca do grão chega até o Oeste catarinense com um custo próximo a R$ 30, contra um preço local de R$ 24 a R$ 26. Em épocas de escassez, a agroindústria chegou a pagar R$ 35 por uma saca de 60 quilos.

Para Lanznaster, da Aurora, nesse cenário Santa Catarina vai continuar a perder investimentos. Ele lembrou que a Sadia e a Perdigão, antes da fusão para a BRF, já tinham investido em plantas industriais no Centro-Oeste, onde o milho está mais barato. Nos últimos anos, Santa Catarina perdeu a liderança na produção e na exportação de aves - e a dificuldade logística pesou para o resultado ruim.

- Sem o milho, os investimentos vão para outros Estados ou até outro países - prevê Lanznaster.

O secretário de Agricultura, Airton Spies, afirma que, em virtude da falta de milho, o custo de produção em Chapecó é 5% superior a Cascavel, no Paraná. Essa diferença, neste momento, é compensada pela mão de obra catarinense, que consegue resultados mais eficientes.

Outra vantagem é o status sanitário diferenciado de Santa Catarina, que é o único Estado livre de aftosa sem vacinação. Graças a isso é o único a exportar carne suína para o Japão.

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