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Trabalho 

Um descanso silencioso em um local de trabalho movimentado

Também são populares as salas de "encontro" ou "foco" – pequenos espaços onde duas pessoas podem se encontrar ou um único funcionário pode desfrutar de algum tempo sozinho

27/02/2020 - 10h46

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Por The New York Times
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*Por Jane Margolies

Como chefe de compras na loja on-line Nuts.com, Kathy Skala passa seus dias monitorando o inventário, ligando para os agricultores para saber sobre suas plantações e fazendo pedidos. Na sede recém-reformada da empresa em Jersey City, Nova Jersey, ela trabalha cercada por colegas, muitos sentados em longas filas de mesas.

Mas às vezes ela leva seu laptop e seu telefone para um canto tranquilo, para ter um tempo só para si nesse grande espaço de trabalho, projetado pelo escritório de arquitetura Gensler. Ou então vai para o estúdio de meditação ou para uma das pequenas salas lá existentes, aonde os empregados podem ir para passar um tempo sem serem interrompidos.

"Se estou analisando um contrato, realmente preciso me concentrar. Se estou discutindo números ou preços com alguém, quero ter certeza de que os ouço e eles me ouvem claramente", disse Skala.

Mais de uma década desde a tendência dos escritórios abertos – e a reação dos trabalhadores preocupados com o barulho e a falta de privacidade –, uma série de espaços auxiliares está surgindo nos locais de trabalho, oferecendo aos funcionários uma fuga de seus (às vezes excessivamente barulhentos) colegas. Esses espaços privados incluem salas de oração, salas de bem-estar e bibliotecas – também chamados de carros silenciosos, como locais sem conversas em um trem. Isso sem mencionar a proliferação das chamadas cabines telefônicas, minissalas de reunião e todos os tipos de células, algumas delas vindo como kits para montar.

Tudo isso leva à pergunta: depois de derrubar as paredes que definiam os velhos locais de trabalho, estamos mais uma vez levantando-as? "Estamos voltando para mais construções em escritórios", disse Elizabeth O. Lowrey, diretora de arquitetura de interiores da Elkus Manfredi Architects.

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Mas ela e outros especialistas dizem que a diferença entre antes e agora é que o espaço privado pertencia exclusivamente àqueles que estavam no topo da hierarquia de uma empresa, com funcionários de alto nível tendo seu escritório próprio. Hoje, todos os trabalhadores podem usar os novos espaços privados – eles só têm de compartilhá-los com todos os outros.

Locais de trabalho abertos não vão desaparecer tão cedo. Cerca de 70 por cento dos escritórios nos Estados Unidos têm algum tipo de plano aberto, de acordo com Christian Beaudoin, diretor administrativo de pesquisa e estratégia da empresa imobiliária JLL.

Esse modelo decolou em nome do trabalho em equipe, embora pesquisadores nos últimos anos tenham questionado se ele de fato incentiva a colaboração. Um estudo da Escola de Administração de Harvard sugere que podem ter o efeito oposto, pois descobriu que as interações cara a cara caíram 70 por cento quando as empresas mudaram para escritórios abertos.

A principal razão pela qual as empresas adotaram tais planos foi cortar custos. Acabar com escritórios privados significava menos espaço necessário para cada funcionário, reduzindo os metros quadrados que as empresas precisavam alugar. Os arranjos de bancada – aquelas mesas longas e compartilhadas por funcionários sentados lado a lado – permitiram que as empresas realmente enchessem os espaços com funcionários.

Conversas confidenciais sobre assuntos empresariais e pessoais se tornaram quase impossíveis em meio a um mar de colegas.

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Eis que chegam as cabines telefônicas, aqueles espaços fechados para fazer telefonemas particulares. As empresas constroem filas de cabines telefônicas durante reformas ou compram versões pré-fabricadas, que variam de espaços para uma única pessoa com preços moderados a salas de reunião para seis funcionários de alto nível.

Também são populares as salas de "encontro" ou "foco" – pequenos espaços onde duas pessoas podem se encontrar ou um único funcionário pode desfrutar de algum tempo sozinho. Algumas empresas estão adaptando seus espaços a necessidades ainda mais específicas.

Em Chicago, na sede da Gogo, o provedor de internet de bordo, uma sala de oração e bem-estar está equipada com uma estação de ablução que pode ser usada por muçulmanos que praticam a lavagem dos pés antes de rezar.

Muitas empresas optaram por salas de bem-estar que servem a todos os funcionários – um lugar não só para mães com seus filhos, mas também para, digamos, aqueles com diabetes que precisam aplicar injeções de insulina. É também um lugar onde alguém pode tirar um cochilo.

Às vezes, até mesmo uma única cadeira está sendo designada como espaço privado. Na organização de pesquisa Draper, em Cambridge, Massachusetts, cadeiras giratórias emolduradas por gabinetes retangulares são agrupadas em uma área aberta. As cadeiras são projetadas para bloquear a visão e o som dos colegas.

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"Essas cadeiras visam deixar juntas as pessoas sozinhas. Você pode ter um senso de privacidade enquanto está em uma sala cheia de pessoas", disse Lowrey, de Elkus Manfredi, que projetou o local de trabalho.

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