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A VIDA COM VIDA 

"Um órgão salva várias vidas: a do paciente e de todos que estão junto dele”, diz catarinense que recebeu pâncreas e rim 

Moradora de Santo Amaro da Imperatriz passou por uma cirurgia de seis horas no Hospital Santa Isabel, em Blumenau, na última semana 

02/07/2019 - 14h35 - Atualizada em: 02/07/2019 - 14h51

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Caroline
Por Caroline Stinghen
(Foto: )

Eram duas horas da manhã, entre domingo e segunda-feira, dos dias 23 e 24 de junho, quando tocou o telefone na casa da administradora Jackeline Silva Goulart, de 37 anos, em Santo Amaro da Imperatriz. Ela precisava ir para o Hospital Santa Isabel, em Blumenau, distante mais de 150 quilômetros, onde poderia receber novos órgãos. Então a corrida iniciou.

Jackeline tem diabetes desde os 16 anos de idade. E devido a complicações da condição, em agosto do ano passado, o rim da administradora começou a falhar. O pâncreas, órgão que produz insulina no organismo, também estava debilitado por conta da diabetes. Ela, infelizmente, precisou começar a fazer hemodiálise por três vezes por semana, por três horas por dia.

— Minha vida parou. Uma pessoa como eu, com 37 anos, ativa, não conseguia mais trabalhar. Tive que parar tudo para fazer o tratamento — relatou Jackeline.

Em janeiro de 2019, seu nome estava apto para entrar na fila de espera para doação de órgãos. Em março, ela entrou oficialmente na lista e só precisava esperar a ligação, que ocorreu na semana passada, após quase quatro meses.

— Atendemos o telefone e fomos direto para a hemodiálise, porque precisava chegar com o rim mais puro possível. Já fui com mala para lá, e segui direto para Blumenau. Antes da cirurgia, fizeram vários testes, porque precisavam de mais certeza da compatibilidade do órgão doado. Fiquei em jejum o dia inteiro. Eram 22h30min de segunda-feira (24) quando confirmaram que os órgãos, rim e pâncreas, seriam meus — relatou.

Mal uma hora após a confirmação, a administradora já estava sendo encaminhada para a sala de cirurgia, onde uma equipe grande de profissionais a acompanhava. O procedimento durou cerca de seis horas. Quando acordou, no dia seguinte, Jackeline estava bem.

Casada e com um filho de apenas seis anos, a administradora e a família tentaram não transparecer preocupação para a criança.

— Não queríamos que parecesse um evento para ele (filho). Até porque ia dar tudo certo, e foi o que aconteceu — observou.

Vida nova

Oito dias após a cirurgia, nesta terça-feira (2), Jackeline já estava pronta para deixar o hospital. Depois de dois dias na UTI e cinco no quarto, ela volta para Santo Amaro da Imperatriz para a segunda fase de sua reabilitação. Ela vai morar com a mãe por um período, que vai se dedicar quase que integralmente nos cuidados. Os três primeiros meses serão de isolamento: muito cuidado, utensílios esterilizados, poucas visitas, e uma ida semanal a Blumenau para consulta com os médicos.

— Mas é preciso e não tem problema. Vou e volto. O importante é poder me recuperar — avaliou Jackeline.

Antes disso, munida de gratidão, a administradora resolveu gravar um vídeo para agradecer a família que doou os órgãos do filho para que a vida dela, e de outras pessoas, pudessem ser salvas. Ela enviou o vídeo para o Diário Catarinense, para o projeto “A Vida com a vida”, para poder, de forma ampla, agradecer a todos as famílias que decidem doar e às pessoas que já manifestaram que querem ser doadoras.

— Um órgão não salva só uma vida. Salva a de várias pessoas. A do paciente e da família que espera por este dia junto. Espero que mais pessoas tenham essa sensibilidade. É um bem enorme – disse.

Confira o vídeo:

A Vida com a vida

Para reforçar o debate sobre a doação de órgãos e marcar seus 40 anos de história, a NSC lançou o movimento A Vida Com Vida. Uma série de produções em diversas plataformas passa a chamar a atenção para o assunto. Por meio do jornalismo, entretenimento e publicidade, a campanha convida o público a entender, pensar sobre o tema e se sensibilizar com a causa.

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