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Univille participa de descoberta histórica em Santa Catarina

Achados podem redesenhar a história da produção de alimentos na América do Sul e explicar questões como o aumento da população, sedentarismo e desigualdade social

30/07/2019 - 16h40

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Estúdio
Por Estúdio NSC
As escavações iniciaram no dia 18/07 no Sambaqui Morro do Ouro, no bairro Guanabara, zona Sul de Joinville
As escavações iniciaram no dia 18/07 no Sambaqui Morro do Ouro, no bairro Guanabara, zona Sul de Joinville
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Pesquisadores do Brasil e da Inglaterra estão empenhados em explorar evidências de que habitantes do litoral norte de Santa Catarina de 4,5 mil anos atrás também cultivam alimentos. Até então, acreditava-se que as populações costeiras pré-cerâmicas na Baía Babitonga, construtoras de sambaquis, eram apenas de caçadores-coletores, consumidores basicamente de peixes e moluscos.

– A descoberta pode redesenhar o mapa do início da produção de alimentos no continente Sul-Americano, atribuída aos habitantes da Costa Norte do Pacífico (Equador), Andes (Peru) e da Amazônia, na Bacia do Prata – enfatiza o arqueólogo André Carlo Colonese, professor do Departamento de Arqueologia da Universidade de York, da Inglaterra, coordenador do estudo que começou em julho no Sambaqui do Morro do Ouro, em Joinville (SC). O projeto é financiado pela National Geographic - Exploration Grant (Human Journey).

As escavações no Sambaqui Morro do Ouro, localizado em Joinville (SC), na Baía Babitonga, uma das regiões com maior concentração desses sítios no Brasil, estão sendo feitas desde o dia 18 de julho por um grupo de arqueólogos da Universidade de York e da Univille. Também integram a equipe técnica arqueólogos da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de Exeter (Reino Unido). O projeto envolve ainda o Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (MASJ).

Participam de atividades do projeto (escavações e monitoria das visitações) estudantes voluntários de várias instituições do Sul do país: Univille (inclusive egressos), Faculdade Ielusc, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (URGS), Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) das áreas de Biologia, Biologia Marinha, História e Artes Visuais.

As análises do material coletado, inclusive de DNA, vão ser realizadas em vários laboratórios do mundo. Em Joinville, os exames serão feitos na Univille, no Laboratório de Arqueologia e Patrimônio Cultural (LAPArq) e no Laboratório de Anatomia Vegetal.

Equipe faz a separação dos materiais coletados
Equipe faz a separação dos materiais coletados
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Sambaqui Morro do Ouro

A escolha deste sítio específico se deve a pesquisas multidisciplinares anteriores.

– Estudos demonstraram que alguns indivíduos humanos que ocuparam o Sambaqui do Morro do Ouro consumiram uma quantidade relativamente alta de recursos vegetais em comparação aos demais grupos de outros sambaquis – explica a arqueóloga Dione da Rocha Bandeira, do Museu Arqueológico do Sambaqui de Joinville (MASJ) e professora do Programa de Pós-graduação em Patrimônio Cultural e Sociedade da Univille.

– Este sítio sempre foi um sambaqui à parte, pois sua população tinha mais cáries e doenças diferentes, fora do padrão sambaquieiro conhecido – acrescenta André Colonese.

Segundo a coordenadora do MASJ, a jornalista Roberta Meyer, além de peixes e frutos do mar, o consumo de outros alimentos era mera suposição, sem comprovação. Até que em 2017 surgiram as primeiras evidências de que havia um padrão diferente na dieta desses habitantes.

O sambaqui Morro do Ouro tem mais de 12 metros de altura e fica na região do Parque da Cidade.
O sambaqui Morro do Ouro tem mais de 12 metros de altura e fica na região do Parque da Cidade.
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Ao estudar vestígios de vegetais nos dentes, a pesquisadora do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP) Verônica Wesolowski, constatou que os povos do Sambaqui Morro do Ouro também se alimentavam de amido e tubérculos como o cará.

Em uma investigação de 2016, Colonese, focado há anos neste aspecto da pesquisa, comprovou a descoberta. O novo estudo em Joinville, mais aprofundado, poderá colocar Santa Catarina no centro das atenções do campo arqueológico.

História recontada

Os sambaquis mais bem preservados estão na região da Baía Babitonga
Os sambaquis mais bem preservados estão na região da Baía Babitonga
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A confirmação da descoberta também poderá mudar a história que se conhece do modo de vida desses povos que viveram na Baía Babitonga milhares de anos atrás.

– A produção de alimentos é catalisadora de processos sociais como a desigualdade social, o aumento da população e o sedentarismo – explica o arqueólogo da Universidade de York.

Daria origem ainda a um novo enigma: o que teria levado o povo do Sambaqui Morro do Ouro a produzir alimentos? Não está claro se os motivos foram circunstanciais, econômicos ou relacionadas ao clima.

Uma das hipóteses levantadas por Colonese é o de uma conjuntura propícia para a inovação.

– Como havia alimento em abundância (peixes, principalmente), poderiam ter se sentido mais confortáveis em inovar, iniciando experiências de plantio. O grande conhecimento que tinham da vegetação facilitava a manipulação para produzir – pondera o pesquisador.

A migração é outra vertente: análises apontaram a presença de possíveis residentes não-locais no Morro do Ouro.

– Suspeitamos que a troca ou a migração da população pode ter facilitado a propagação de plantas e práticas de cultivo. Os resultados deste projeto contribuirão para o avanço da compreensão da produção inicial de alimentos nos Neotrópicos em uma série de frentes, agregando valor a um patrimônio cultural e biológico único na Mata Atlântica – finaliza André Colonese.

Conteúdo patrocinado pela Univille e publicado pelo Estúdio NSC Branded Content

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