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    Túneis de Blumenau: colunista defende estudo que envolve lenda urbana da cidade

    Como em tantas outras cidades, também em Blumenau a lenda urbana dos túneis foi recebendo diferentes narrativas, e assumindo status de verdade no imaginário das pessoas

    11/01/2015 - 11h53 - Atualizada em: 24/06/2020 - 06h45

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    Por Redação NSC

    O túnel encontrado pelos trabalhadores da Odebrecht Ambiental na Rua Presidente John Kennedy, alvoroçou o imaginário dos blumenauenses. Logo depois que o colega Pancho divulgou a descoberta, a notícia se transformou em um viral nas redes sociais locais e assunto obrigatório nos cafés e bares da cidade. E não é para menos, gerações cresceram ouvindo falar da existência destes túneis, que supostamente ligariam os colégios Pedro II, Sagrada Família e Bom Jesus e o Teatro Carlos Gomes.

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    Como em tantas outras cidades, também em Blumenau a lenda urbana dos túneis foi recebendo diferentes narrativas, e assumindo status de verdade no imaginário das pessoas. Em algumas versões, serviam aos encontros furtivos entre padres e freiras de antigamente, em outras, teriam sido construídos como parte de um plano de domínio nazista no Vale do Itajaí. Claro, tudo isto não passa de lenda.

    A recente descoberta no Centro de Blumenau apenas comprovou o que muitos já sabiam: sim, existem túneis antigos cruzando os subterrâneos da cidade, construídos provavelmente entre o final do século 19 e as primeiras décadas do século 20. Mas suas finalidades eram menos glamourosas do que as da lenda.

    Toda região central de Blumenau era cortada por cursos de água, que foram canalizados. Sob a Namy Deeke, por exemplo, há uma antiga galeria fluvial que corre para o Itajaí Açu. Outros túneis serviam para escoar o esgoto. Este, ao lado do Teatro Carlos Gomes, provavelmente servia a uso similar, considerando suas dimensões e sua trajetória. De qualquer modo, estudá-los seria importante.

    Primeiro porque nos permitiria conhecer o traçado dos antigos canais da cidade, e de que modo o processo de urbanização interferiu em seu fluxo. Em segundo lugar, a arquitetura destas galerias chama a atenção pela resistência e pelo primor estético. Em terceiro, estas galerias testemunham uma cidade sepultada no tempo e podem nos ensinar muito a respeito da nossa organização e cotidiano urbano na transição para o século 20. Por fim, podem servir aos interesses turísticos.

    Uma cidade do porte de Blumenau não pode simplesmente ignorar sua história e seu imaginário. A criação de um Departamento Municipal de História e Patrimônio que reúna historiador, arqueólogo, arquiteto, antropólogo e museólogo, e que trabalhe em parceria com a FURB, é mais do que necessária para que descobertas como esta, não sejam simplesmente ignoradas ou destruídas. Mesmo não servindo às pretensões do nazismo ou aos desejos carnais, o túnel da Presidente John Kennedy merece ser estudado.

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