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    Viking e nerd: Giácomo Lemos defenderá cinturão de evento de MMA na Coreia do Sul

    Morador de Florianópolis, que trabalhava na área de tecnologia da informação, mudou de vida para se tornar atleta

    05/04/2019 - 04h35 - Atualizada em: 05/04/2019 - 22h47

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    Jorge
    Por Jorge Jr.

    A batalha contra a balança foi vencida anos atrás, quando deixou os 160kg para o limite de 120 da categoria peso-pesado. A luta sobrepôs os algoritmos na vida de Giácomo Lemos, o Viking do Campeche, que trocou o trabalho de analista de sistemas, com terno e gravata, para dar socos e chutes sem camisa, calçando luvas, pelo mundo.

    Nesta segunda-feira em Seul, na Coreia do Sul, ele colocará em jogo o cinturão do Angel’s Fighting Championship (AFC), título que conquistou em fevereiro deste ano, contra o local Jun Soo Lim, 36 anos, e com um cartel de 12 vitórias e 11 derrotas. Giácomo, aos 29, tem apenas cinco lutas profissionais, ganhou todas – as últimas quatro por nocaute.

    O 1,90 metro de altura assusta, mas a voz calma faz parecer que você não está diante de um viking. O apelido, por sinal, veio em um dos primeiros eventos, quando venceu um boxeador experiente por nocaute. O apresentador do evento disse que Giácomo tinha a genética fora do comum. De tanto que gostou do apelido, acabou adotando uma dieta ao estilo dos nórdicos.

    – Para treinar a minha mandíbula eu adoro comer carnes gordurosas e comer os ossos. Eu tenho o hábito que nem os vikings, de comer os ossos em grande quantidade. A minha dieta é baseada nisso aí – conta o atleta da equipe Rangel Farias.

    A onda viking tem ajudado também na carreira, ainda recente. O AFC, por exemplo, usa a imagem de Giácomo para promover o evento.

    – É bom porque é preciso vender um personagem pra luta, e o público quer ver isso. Eles não querem o Giácomo, eles querem um negócio diferente. É difícil você ver um cara em um evento de MMA um lutador com o meu porte físico, com essa barba, o olho mais claro – explica

    Chute pesado em treino com o mestre Rangel Farias
    Chute pesado em treino com o mestre Rangel Farias
    (Foto: )

    Mudança de cargo

    Até janeiro, quando conquistou o cinturão na Coreia do Sul, frustrando o ídolo local, a vida era corrida entre o computador e os treinos. Uma rotina dura, acordando cedo e indo dormir tarde. O esporte, no entanto, sempre esteve presente na vida do atleta.

    – Eu era bem nerd. Fiquei oito anos trabalhando atrás do computador, comecei como técnico de informática. Eu jogava muito e gostava, me sentia bem naquele ambiente porque era envergonhado, não conseguia falar com as pessoas na rua. Acabei indo para a área de análise de sistema, fiz curso e tranquei no TCC por causa da luta, mas já passei em todas as matérias. O meu trabalho foi um aplicativo: Floripa Qualidade de Vida, que fala só de dieta, treino, está no Youtube e ajuda as pessoas a terem hábitos saudáveis. Atualmente trabalho só com ele, mas sempre fui um cara de escritório. Pra tirar aquele estresse eu comecei no muay thai com o Rangel Farias. O trabalho de TI é muito estressante e senti necessidade de dar soco, chute para aliviar.

    Compete desde antes de nascer

    Giácomo luta desde antes de nascer. Como? Explico: o pai, Fernando Machado de Lemos, foi técnico da seleção brasileira de Judô, e a mãe, Rosimeri Salvador, foi medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987. Ela, por sinal, foi 23 vezes campeã brasileira da modalidade. Para poder se sustentar, acabou faturando o primeiro lugar em um evento, em 1988, com o então pequeno Giácomo já dentro do ventre.

    – Minha mãe é faixa preta de judô, e de todas da família foi a maior competidora. Ela vivia do judô e já vi ela competindo na necessidade. Numa dessas ela lutou grávida de mim, tinha dois meses de gestação. Ela foi campeã brasileira comigo na barriga (risos) porque precisava do dinheiro – fala.

    Treinar é uma atividade que Giácomo faz com prazer
    Treinar é uma atividade que Giácomo faz com prazer
    (Foto: )

    Viajar é um sacrifício

    A viagem até Seul começou na quarta-feira, com previsão de chegada apenas hoje – sem falar no fuso horário diferente. Giácomo, no entanto, não fez uma viagem tranquila. Por conta do tamanho das pernas, ele não cabe nas poltronas das aeronaves. O que fazer então?

    – Eu fico sentado apenas na decolagem, depois levanto e fico 30 minutos no banheiro com a perna esticada. Depois fico uma hora em pé, e assim volto ao banheiro. Não tem como eu ficar sentado, é um sofrimento – diz o lutador, que assim diminui a retenção de líquido e evita problemas musculares.

    Terno e computador já não fazem mais parte do dia a dia como antes
    Terno e computador já não fazem mais parte do dia a dia como antes
    (Foto: )

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