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    DIA DA MULHER 

    "Violência não faz parte de cultura nenhuma", diz professora indígena de SC 

    Primeiro Encontro Nacional das Mulheres Indígenas Guarani Yvyrupa reuniu representantes das populações nativas do país em evento realizado em Barra do Sul 

    08/03/2020 - 09h51 - Atualizada em: 08/03/2020 - 09h53

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    Patrícia
    Por Patrícia Della Justina
    Eunice Antunes, organizadora nacional do evento
    Eunice Antunes, organizadora nacional do evento
    (Foto: )

    Violência contra a mulher, assédio, medo, falta de acolhimento, feminicídio. Essas são algumas das importantes temáticas que têm ganhado espaço para discussão em diversas esferas da sociedade. As aldeias indígenas não estão distantes desta realidade. Na semana em que é marcado o Dia da Mulher, mulheres indígenas de diferentes regiões do Brasil compareceram ao Primeiro Encontro Nacional das Mulheres Indígenas Guarani Yvyrupa, realizado em Barra do Sul.

    O evento reuniu representantes vindas do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul.

    - Violência não faz parte de cultura nenhuma. É isso que estamos mostrando às mulheres das aldeias. É importante que elas saibam buscar seus direitos porque ainda há muita desinformação – explica a professora e organizadora do evento, Eunice Antunes.

    Evento nacional realizado em Barra do Sul discutiu direitos das mulheres indígenas
    Evento nacional realizado em Barra do Sul discutiu direitos das mulheres indígenas
    (Foto: )

    Além dos motivos comuns que toda mulher que sofre violência enfrenta para denunciar a agressão, como medo, vergonha e falta de acolhimento; as mulheres indígenas ainda enfrentam a desinformação sobre seus direitos, barreiras do idioma e grandes distâncias para chegar até pontos de atendimento.

    De acordo com Censo IBGE 2010, no Brasil são faladas 274 línguas indígenas. Pelo menos 17,5% da população indígena não fala a língua portuguesa. A população indígena brasileira somava, até o último Censo, 897 mil pessoas de 305 etnias, sendo 448 mil mulheres, o que corresponde a 50%.

    Além disso, conforme pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em consulta ao Ministério da Saúde, entre 2003 e 2013, 266 mulheres indígenas cometeram suicídio e 261 mulheres indígenas foram assassinadas.

    Programação contou com ritos tradicionais

    Conforme a organizadora, além de abordar temáticas que envolvam violência doméstica e como buscar auxílio diante de situações de violência enfrentadas por mulheres indígenas, um dos principais objetivos durante os quatro dias de evento também foi o de reunir as mulheres de todas as gerações para fortalecer os conhecimentos e compartilhar a sabedoria milenar.

    No primeiro dia, as mulheres participaram da inauguração da Casa de Reza na aldeia, com a presença e atuação de diversos pajés mediante ritos tradicionais de sua espiritualidade. Na programação ainda teve música com o Coral Guarani, discussão sobre os direitos e deveres da mulher indígena guarani, violência contra as mulheres e a Lei Maria da Penha. Além disso, apresentações culturais também estavam na programação, assim como a leitura do Manifesto das Mulheres Guarani.

    A Pastoral Indigenista da Diocese de Joinville auxiliou na intermediação de órgãos oficiais e da paróquia local, para a instalação da logística necessária ao evento. Além disso, a Pastoral Indigenista realiza o acompanhamento dessas aldeias como forma de solidariedade e comprometimento com rodas de conversa, apoio a demarcação de terras, além de incentivar a preservação da cultura. Em 2019, um encontro com lideranças indígenas foi realizado para debater o processo de demarcação das terras no Litoral Norte.

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