O trabalho de um policial civil de Santa Catarina colaborou para a descoberta recente de ameaças contra o senador Sérgio Moro (União) e outras autoridades. Uma operação da Polícia Federal desencadeada em março revelou um suposto plano de uma facção criminosa para sequestrar ou matar o ex-juiz, além de um promotor e um oficial da Polícia Militar de São Paulo. A investigação contou com auxílio tecnológico catarinense.

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Marcos Peron era desenvolvedor de sistemas antes de ingressar na Polícia Civil, em 2008. Na atividade como agente, em Blumenau, percebeu oportunidades de usar o conhecimento com softwares. Em uma delas, em 2016, criou uma ferramenta para ajudar os policiais a interpretar dados fornecidos por companhias telefônicas.

Informações de localização de telefones celulares são usadas com frequência em inquéritos policiais, mediante autorização da Justiça. Porém, cada operadora costuma enviar os relatórios à polícia em um formato diferente. Peron usou a computação para traduzir os diferentes tipos de documentos em mapas, facilitando a interpretação e apresentação dos dados.

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Na apresentação da Polícia Federal à imprensa, policiais catarinenses notaram os mapas gerados pela ferramenta de Peron. Eles mostravam a localização de suspeitos de monitorar Moro e outras autoridades. Acabaram reproduzidos pelos canais de televisão.

— Ela não resolveu o caso, mas é um instrumento que ajudou na representação gráfica para apresentar provas ao juízo — analisa o policial.

O software começou a ser adotado amplamente em 2018. Segundo o delegado-geral, Ulisses Gabriel, a ferramenta foi compartilhada pela Polícia Civil para que mais policiais tivessem acesso, inclusive fora de Santa Catarina. Hoje, já são mais de 41 mil usuários espalhados pelas unidades da federação. Há acessos até fora do Brasil.

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Marcos Peron (E) recebeu moção de aplauso da Assembleia Legislativa por ter criado a ferramenta. Foto: Divulgação

Peron atua como professor na academia da Polícia Civil e palestrante. Além disso, está cedido ao Cyber Gaeco, unidade liderada pelo Ministério Público que investiga crimes cibernéticos. Na semana passada, o policial de Blumenau recebeu uma moção de aplauso da Assembleia Legislativa, proposta pelo deputado Egídio Ferrari (PTB), que é delegado.

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