A Juventus já admite ser rebaixada, mas para a Série B. Nesta quarta, um dos advogados do clube que está no escândalo esportivo da Itália considerou “aceitável” que a Juve seja punida com o descenso, mas não para a Série C, como pediu o promotor do tribunal instalado na sala de assessoria de imprensa do Estádio Olímpico, em Roma.

Continua depois da publicidade

Este princípio de acordo foi formulado pelo advogado Cesare Zaccone. Ele admitiu que os ex-dirigentes juventinos Luciano Moggi e Antonio Giraudo fizeram “negociações impróprias” com funcionários da Federação Italiana, mas insistiu que elas não ficaram caracterizadas como manipulação de resultados. Indagado pelo juiz Cesare Ruperto sobre qual seria a punição apropriada para essa má conduta, o advogado respondeu:

– Uma pena aceitável seria a mesma pedida pelo promotor para os outros clubes (Milan, Lazio e Fiorentina), a Série B.

Moggi e Giraudo, que renunciaram aos cargos em maio, são acusados de ter criado um sistema de corrupção que incluía desde interferência na escala de árbitros até a indicação de jogadores que deveriam ser punidos com cartões. Segundo o promotor Stefano Palazzi, eles mantinham contato constante com juízes.

Moggi se diz inocente mas se recusa a depor. Segundo Zaccone, telefonemas interceptados não provam que Moggi e Giraudo buscavam influir nos resultados e sim o que ele chama de “lobby”, que poderia ser considerado antiesportivo.

Continua depois da publicidade

Outros acusados também se dizem inocentes. Franco Carraro, ex-presidente da Federação Italiana, disse que só se comunicava com um árbitro quando achava que um erro poderia ter comprometido o resultado de um jogo.

– Sempre pedi a eles para cometerem o menor número de erros possível – jurou.

Mas o promotor rebateu a afirmação, dizendo que os telefonemas provam que a Fiorentina e a Lazio influenciavam na escala de árbitros e em decisões em campo, em conjunto com Carraro e funcionários da federação. Também está sendo julgado o vice-presidente do Milan, Adriano Galliani, mas a acusação é deslealdade, e não de acerto de resultados.