Participar de uma Copa do Mundo é o sonho de qualquer jogador e o objetivo máximo de uma seleção nacional. Ao longo da história, apenas oito países conseguiram levantar o troféu mais importante do futebol. Mas entre as dezenas de equipes que já passaram pelo torneio, uma delas protagonizou uma situação única: entrou em campo representando um país que, oficialmente, já havia deixado de existir.

Continua depois da publicidade

A história envolve a seleção de Sérvia e Montenegro na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.

Para entender o caso, é preciso voltar algumas décadas. A antiga Iugoslávia começou a se fragmentar nos anos 1990, em meio a guerras e movimentos de independência que resultaram na criação de novos países. Após esse processo, apenas Sérvia e Montenegro permaneceram unidas, primeiro sob o nome de República Federal da Iugoslávia e, posteriormente, como o Estado de Sérvia e Montenegro.

A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2006, porém, a situação política mudou de forma definitiva. Em maio daquele ano, Montenegro realizou um referendo para decidir sua independência. A proposta foi aprovada por uma margem apertada, e o país declarou oficialmente sua separação em 3 de junho. Dois dias depois, a Sérvia também confirmou o fim da união estatal.

Mesmo assim, a FIFA manteve a equipe inscrita como “Sérvia e Montenegro”. O motivo era simples: a vaga para o Mundial havia sido conquistada nas Eliminatórias sob essa denominação. Com isso, a seleção embarcou para a Alemanha e entrou para a história como a única a disputar uma Copa do Mundo representando um país já dissolvido oficialmente.

Continua depois da publicidade

Campanha desastrosa no “grupo da morte”

Além da situação política inédita, a equipe enfrentou um enorme desafio dentro de campo. O sorteio colocou Sérvia e Montenegro no chamado “grupo da morte”, ao lado de Argentina, Holanda e Costa do Marfim.

A estreia terminou com derrota por 1 a 0 para os holandeses. Na segunda rodada veio o resultado mais marcante — e doloroso — da campanha: uma goleada por 6 a 0 sofrida para a Argentina. A partida ficou marcada não apenas pela superioridade argentina, mas também pelo primeiro gol de Lionel Messi em Copas do Mundo.

No último compromisso da história da seleção, a despedida veio com mais uma derrota, desta vez por 3 a 2 para a Costa do Marfim. O time encerrou sua participação sem conquistar pontos e com 10 gols sofridos, a pior defesa daquele Mundial.

Crise política e problemas internos durante a Copa do Mundo

Os desafios não estavam restritos ao gramado. A separação entre Sérvia e Montenegro gerava tensão dentro da delegação, enquanto disputas internas também afetavam o ambiente da equipe.

Continua depois da publicidade

Um dos episódios mais polêmicos envolveu a convocação de Dušan Petković, filho do técnico Ilija Petković. A decisão foi alvo de fortes críticas e acusações de favorecimento. A pressão se tornou tão intensa que o jogador acabou deixando a delegação antes mesmo da estreia na Copa.

O fim definitivo de uma seleção histórica

Após a eliminação, o encerramento da união aconteceu também no futebol. A federação de Sérvia e Montenegro foi dissolvida oficialmente em junho de 2006, dando origem às federações independentes da Sérvia e de Montenegro no mês seguinte.

Desde então, a Sérvia conseguiu voltar aos Mundiais e disputou as edições de 2010, 2018 e 2022. Montenegro, por outro lado, nunca conseguiu se classificar para uma Copa do Mundo.