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    Apesar da água abundante, mangue seca em Palhoça

    Em Palhoça, a vegetação do mangue mudou de cor. O marrom tomou o lugar do verde nas folhas das árvores. Tudo secou, apesar da água abundante e mesmo sem queimada.

    14/04/2016 - 04h00

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    Por Redação NSC
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    Em Palhoça, a vegetação do mangue mudou de cor. O marrom tomou o lugar do verde nas folhas das árvores. Tudo secou, apesar da água abundante e mesmo sem queimada. O fato inusitado chamou a atenção do técnico em refrigeração Antonio Luiz Pires, 52 anos, que trabalha e reside no município. O problema atinge os bairros Ponte do Imaruim, Rio Grande, Centro e Barra do Aririú.

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    — Comecei a perceber que o mangue estava morrendo nos últimos meses, em virtude da vegetação queimada. Perguntei aos moradores mais antigos e disseram que nunca tinham visto essa situação — comentou Antonio.

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    O mangue é uma zona úmida, definida como ecossistema costeiro, de transição entre os ambientes terrestre e marinho, característico de regiões tropicais e subtropicais, sujeito ao regime das marés. A ocupação desordenada ao longo da costa brasileira vem causando perda e fragmentação deste habitat.

    — Resido aqui há 24 anos e pela primeira vez o manguezal não está verde. Infelizmente, a ocupação desordenada vem causando prejuízos — relatou a empresária Arlete Kuhnen, de 53 anos. O manguezal desempenha várias funções. Ele fertiliza as águas costeiras, exerce a função de berçário para a fauna aquática, faz a manutenção dos recursos pesqueiros, entre outros.

    Aquicultura e especulação imobiliária são as causas

    Segundo o Ministério do Meio Ambiente, estimativas indicam que aproximadamente 25% dos manguezais brasileiros já tenham sido destruídos, tendo a aquicultura e a especulação imobiliária como suas principais causas. Os pesquisadores Meri Bosa de Espíndola e Sérgio Luiz de Almeida registraram o descaso com o mangue no bairro Barra do Aririú.

    — O manguezal da Barra do Aririú é um exemplo deste tipo de impacto causado pela urbanização descontrolada, pois perdeu muito de sua área para a construção e expansão urbana. Para minimizar os problemas são necessários planos que incluam a fiscalização da área em estudo, bem como um eficiente plano de educação ambiental com a comunidade, com o intuito de esclarecer à população local sobre a importância desse ecossistema e de sua preservação — concluíram os pesquisadores.

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    Fundação Cambirela apura o fenômeno

    O diretor presidente da Fundação Cambirela do Meio Ambiente (FCam), João Batista dos Santos, informou que está apurando o fenômeno. Existem algumas hipóteses que estão sendo estudadas em conjunto com a UFSC e o Instituto Chico Mendes.

    — Temos uma engenheira ambiental que está trabalhando para apontar essa causa. Apuramos as hipóteses de se tratar de uma lagarta, do aumento da salinização ou até mesmo da poluição. Também estamos verificando a possibilidade deste fenômeno já ter ocorrido há alguns anos e ser uma situação cíclica — informou o diretor presidente.

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