O nome de José Edielisson de Oliveira, de 24 anos, já circula com respeito nas pistas do atletismo paralímpico brasileiro. Campeão nacional que vem colecionando medalhas, o morador blumenauense acaba de ser convocado pela Confederação Brasileira de Desportos de Surdos para representar o Brasil nas Surdolimpíadas de Verão, no Japão. Mas se nas pistas ele voa, fora delas enfrenta um obstáculo ainda maior: financiar a viagem internacional.

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O paratleta trabalha durante o dia na indústria têxtil e usa a noite para o treino de atletismo. Para focar ainda mais nos treinos e competições, José Edielisson precisou trancar o curso de Administração na Universidade Regional de Blumenau (Furb), que se tornou apoiadora do paratleta.

Ele também conta com o apoio da Associação de Surdos de Blumenau (Asblu) e de algumas empresas locais, mas ainda não tem um patrocínio maior que financie as passagens, hospedagem, uniformes, materiais esportivos e alimentação para a viagem. A competição ocorrerá entre os dias 15 a 26 de novembro em Tóquio. Por isso, lançou uma campanha de arrecadação on-line, que pode ser acessada neste link.

— A convocação foi incrível, mas os desafios financeiros ainda existem. A campanha de arrecadação tem recebido apoio de amigos, familiares e da comunidade, mas ainda precisamos de mais recursos — relata José Edielisson.

Confira algumas fotos do paratleta

Uma rotina de sacrifícios

Edielisson começou no esporte ainda criança, quando aos sete anos percebeu que as brincadeiras favoritas envolviam corrida e muito movimento. Na escola, mesmo quando perdia nas competições, ainda continuava animado e interessado na prática esportiva. O talento ganhou forma quando participou dos Parajasc, em que conquistou as primeiras medalhas ao ser campeão nas provas de 100 metros e 200 metros rasos.

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— Com o tempo, passei a acompanhar as divulgações da CBDS sobre novas competições e o grande envolvimento da comunidade surda. Foi então que percebi uma grande oportunidade para me desenvolver ainda mais como atleta. A partir daí, me dediquei com mais força e me esforcei nos treinos, mesmo trabalhando durante o dia e treinando à noite sem parar — conta, sobre a trajetória no esporte.

Desde então, a rotina virou maratona com um emprego em período integral, treinos noturnos e ajustes técnicos sob a supervisão da treinadora Marina do Rocio Ferreira de Gang, ligada ao Paradesporto de Blumenau. Em preparação para a competição internacional, os treinos no Complexo Esportivo da Furb ficaram mais intensos e estratégicos, com foco especial na velocidade e resistência técnicas.

— Para conseguir conciliar, preciso de muita disciplina: organizo meus horários com antecedência, priorizo os treinos e aproveito cada momento livre. Às vezes é cansativo, mas o sonho de representar o Brasil me motiva a seguir firme — relata o paratleta.

Os resultados falam por si. Em 2024, o velocista voltou de Belo Horizonte, em Minas Gerais, com dois ouros e uma prata. Em maio deste ano, repetiu a dose em São Paulo, em que foi a primeira vez que representou o Estado de Santa Catarina, e conquistou dois ouros nos 100 e 200 metros rasos e prata nos 400 . Com isso, consolidou a vaga para representar o Brasil nas Surdolimpíadas de Verão, no Japão.

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— Mostrei que é possível — diz José Edielisson com orgulho.

Expectativa e preparação para o Japão

— Minhas expectativas estão muito altas. Quero dar o meu melhor, representar bem o Brasil e conquistar boas posições nas provas. Mais do que medalhas, quero mostrar que a dedicação e a perseverança trazem resultados, mesmo com obstáculos no caminho — expressa o paratleta.

Representar o Brasil em uma competição mundial é mais do que um sonho de infância de José Edielisson. É também uma resposta a quem duvidou. As expectativas de Edielisson é disputar o pódio. Mas, acima das medalhas, carrega a missão de ser referência para outros jovens surdos e paratletas.

— Quero dizer para todos os paratletas que nunca desistam dos seus sonhos. Com fé, disciplina e apoio de quem acredita em você, é possível superar dificuldades e alcançar grandes conquistas. Persistam, treinem com dedicação e acreditem no seu potencial — aconselha.

Com informações de Patrícia Hadlich, NSC TV

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