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Meio ambiente

Caça às baleias feita pelo Japão pode devastar o ecossistema marinho, diz especialista

Brasil, Estados Unidos e Argentina somaram 41 votos contrários à caça de baleias

24/07/2019 - 09h20 - Atualizada em: 24/07/2019 - 09h39

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Por Priscila Araújo
Primeiro dia de pesca terminou com duas presas
(Foto: )

Elas podem ter até 40 toneladas, medir cerca de 20 metros de comprimento e depois de 31 anos voltaram a serem caçadas. A ameaça mais recente é praticada por homens de aproximadamente um pouco mais de um metro e 60 centímetros, já que depois de 31 anos, os japoneses voltaram a caçar baleias. A perseguição comercial de mamíferos marinhos está devastando o ecossistema marítimo, conforme Hisayo Takada, Diretor de Programas do Greenpeace Japão.

Em 1° de julho deste ano, o país asiático colocou em navegação cinco navios em busca de 227 baleias. O primeiro dia de atividade terminou com duas presas. O governo ocidental tem o objetivo de capturar 150 animais da espécie Bryde, 52 do tipo Minke (baleia-anã) e 25 baleias-Sei – até fim do ano.

Desde 1986 foi vetada pela Comissão Baleeira Internacional (IWC, sigla em inglês) a pesca predatória comercial de baleias, já que algumas espécies estavam a caminho da extinção. No ano seguinte, os japoneses justificaram a prática como sendo científica. Em 1988 suspendeu a atividade. Mas a mesma foi retomada oficialmente no Pacífico Norte, no começo do mês.

O anúncio de deixar a comissão depois de 68 anos foi feito em 26 de dezembro de 2018. Em setembro do ano passado, o Japão propôs a liberação da prática de pesca às baleias durante uma reunião da IWC, realizada em Florianópolis.

Entre os 87 governos com membros de países de todo o mundo presentes, pátrias como Brasil, Estados Unidos e Argentina somaram 41 votos contrários. Enquanto nações como Japão e Islândia, tiveram 27 aceitamentos. Houve também abstenções, como por exemplo, da Coreia do Sul e da Rússia.

Segundo Takada, a permissão máxima anual de pesca de baleias é de 383 no total. Para 2019 foram autorizadas 227 capturas.

— A caça não é aceitável. Cada vez mais as baleias são valorizadas pelo papel crucial em nossos oceanos, mantendo o CO2 em seus corpos por muito tempo, como árvores — afirma o diretor.

Além disso, esses mamíferos são diretamente afetados pela mudança climática, poluição plástica, exploração de petróleo, pesca industrial e perda de habitat. Nas palavras de Takada “agora é um momento crítico para a proteção do oceano”.

— As ameaças aos oceanos globais estão aumentando, com impactos diretos em espécies de baleias. O Greenpeace está acelerando o trabalho para proteger o clima e o oceano, há, por exemplo, uma campanha mundial para criar uma rede global de áreas marinhas protegidas — diz ele.

Espécies afetadas

As espécies que estão sendo buscadas nos mares territoriais japoneses, são de três cetáceos (classe de mamíferos que as baleias pertencem), a Minke, Bryde e Sei. Conhecida mais popularmente como baleia-anã, a Minke é uma das menores desses mamíferos.

— Seu comprimento varia em torno de nove a 10 metros e o peso de oito a 13 toneladas. Ela habita águas tropicais, temperadas e frias de todos os oceanos — explica a professora de pós-graduação em Biologia Marinha e coordenadora do Museu de Zoologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC), Morgana Gaidzinski.

Geralmente vivem sozinhas, em duplas ou em pequenos grupos. Sua principal fonte de alimentação são os crustáceos Krill, cardumes de pequenos peixes e lulas. Seus predadores naturais são as orcas e os tubarões. Já os perigos que as mais ameaçam são de origem humana.

Além da caça, a poluição dos oceanos, o aumento do tráfego de embarcações e a captura acidental em redes de pesca, trazem sérios riscos à vida desses animais. Isso se agrava ainda mais devido ao fato de o ciclo de reprodução ser extremamente lento: em média, uma fêmea tem apenas um filhote a cada três anos.

A gestação das Minke dura cerca de 10 meses, mesma média de tempo da baleia-anã, que pode atingir 15 metros de comprimento e pesar aproximadamente 12 toneladas. Vivendo em águas tropicais, subtropicais e temperadas quentes, a Bryde tem um cardápio parecido com o da Minke:

— Alimentam-se principalmente anchovas, sardinhas e por vezes de Krill. No Brasil, as baleias-de-Bryde ocorrem principalmente na região Sudeste. Elas costumam dar à luz somente a um filhote.

esqueleto
Esqueleto de baleia-de-Bryde exposto no museu de Zoologia da UNESC
(Foto: )

A baleia-Sei pode ser encontrada em todos os oceanos, mas é normalmente em águas mais profundas que se encontram esses mamíferos de pode variar entre 16 a 20 metros quando adultos e pesar entre 20 e 40 toneladas.

— Costuma ser encontrada em pequenos grupos, ocasionalmente se reúnem em grandes números para se alimentar. Ela come plâncton e pequenos tipos de peixes e crustáceos — afirma Morgana.

As fêmeas reproduzem a cada dois ou três anos e dão a luz a um filhote por vez.

Espécies
(Foto: )

Justificativa da pesca

A retomada oficial da captura da indústria baleeira no país oriental, conta com 250 pescadores e é justificada como cientifica. Segundo as autoridades, a carne do animal faz parte da cultura japonesa, especialmente entre os idosos que tinham como única fonte importante de proteína no período pós-guerra. Há também quem não concorde com a inciativa.

— Recebíamos (carne de baleia) na cantina quando eu era pequena, mas acho que não vou comê-la de novo. Acho que o Japão deveria tomar suas decisões levando em conta o resto do mundo, que diz que isso não está certo — disse à AFP, uma japonesa de 30 anos que pediu anonimato em Tóquio.

Cerca de 5 mil toneladas de carne de baleia são ofertadas anualmente na terra do Sol nascente, o que representa o consumo de 40 a 50 gramas por pessoa, no período de um ano.

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