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Investigação espacial

Catarinense de 17 anos realiza pesquisa pioneira com o apoio da NASA

Tulio Baars recebeu equipamentos da agência espacial para monitorar radiação cósmica em SC

20/12/2013 - 21h11 - Atualizada em: 21/12/2013 - 08h01

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Por Redação NSC
Estudo revelou incidência de radiação 61% maior que no restante do mundo
Estudo revelou incidência de radiação 61% maior que no restante do mundo
(Foto: )

O catarinense Tulio Baars, de 17 anos, ajudou a NASA e a Universidade de Stanford, nos EUA, a mapearem um dado inédito: a quantidade de radiação cósmica que incide sobre uma região específica de Santa Catarina, no Vale do Itajaí, é 61% maior que nos outros 39 pontos.

Há cerca de um ano, Tulio Baars viu um ponto branco no céu e descobriu algo curioso ao pesquisar na internet: o telescópio espacial Hubble, lançado pela NASA em 1990, é desligado toda vez que sua órbita passa pela América do Sul, porque o risco de o sistema queimar se estiver operando é enorme.

Agora, doze meses depois, a agência espacial americana obteve um dado inédito sobre o campo magnético da Terra graças à ajuda de Tulio, que com um laboratório na cidade de Presidente Getúlio, no Vale do Itajaí, descobriu que a incidência de radiação solar na região é 61% maior em relação a outros 39 pontos monitorados ao redor do mundo.

- Era um pouco perturbadora para mim a ideia de um aparelho daquele porte desligar pelo excesso de radiação entrando nessa falha bem acima de nossas cabeças. Fosse pesquisar algum efeito dessa anomalia ou divulgar ao público mais informações sobre este fenômeno natural, eu tinha de fazer algo - explica Tulio.

Jovem dedicou duas horas diárias a projeto

O nome desta alteração que paira sobre o Brasil, conhecida desde a década de 1950, é Anomalia do Atlântico Sul (AMAS) - nela o Cinturão de Van Allen fica muito próximo da Terra e por isso os raios chegam com mais força à superfície. Até agora não existia um dado consolidado sobre esta diferença.

Sabendo que diversos satélites sofriam danos eletrônicos ao cruzar o oceano Atlântico pelo hemisfério sul, Tulio entrou em contato com a NASA para participar de um programa de radioastrônomos amadores, pelo qual recebeu equipamentos e fundou o programa Alexa para realizar medições por aqui.

- Nós oferecemos bolsas para estudar radioastronomia. Tulio foi aprovado pelo comitê para receber o kit Radio Jove. A AMAS foi uma ideia interessante para utilizar o receptor - destaca o diretor da Sociedade dos Radioastrônomos Amadores (SARA), Bill Lord, que trabalha em parceria com a NASA.

Depois do primeiro kit, Tulio entrou em contato com a Universidade de Stanford para receber outros aparelhos e também foi aprovado. Os equipamentos - entre eles o único detector de múons em funcionamento no Brasil, recebido do Energetic Ray Global Observatory - vieram em caixas e Tulio precisou montar tudo praticamente sozinho, incluindo uma antena de 50 metros quadrados que fica no quintal da casa.

Durante um ano, o jovem dedicou entre uma e duas horas diárias do tempo ao projeto, processando os dados coletados pelos detectores e enviando relatórios à NASA.

Efeitos da radiação ainda são desconhecidos

Se passar no vestibular, Tulio e todo o seu laboratório irão para Florianópolis, onde o jovem radioastrônomo pretende inaugurar uma nova etapa do programa Alexa. Com o dado sobre a quantidade de radiação que incide sobre Santa Catarina em mãos, o projeto quer agora entender as consequências dessa diferença.

- Meu objetivo em 2014 é descobrir os efeitos dessa radiação. Já sabemos que aqui tem mais, agora quero descobrir o que acontece em decorrência disso. Isso causa alterações em clima, raios, rede elétrica e agora a questão é mensurar e relacionar cada problema com a radiação. Quero mapear todos os efeitos dessa falha - afirma Tulio.

Outras áreas possivelmente afetadas pela radiação seriam as comunicações e a saúde, embora a relação entre a Anomalia do Atlântico Sul e o número de casos de câncer de pele ainda não tenha sido mapeada.

- Essa relação com a doença é porque se especula que a anomalia esteja associada com a formação de um buraco na camada de ozônio sobre esta área do Atlântico Sul, o que resultaria em uma intensidade maior de raios ultravioleta - explica o professor do Departamento de Física da UFSC, Antonio Nemer Kanaan Neto.

Se os planos se Tulio de concretizarem, no próximo ano ele poderá discutir pessoalmente o assunto com o professor Kanaan e se qualificar para as próximas descobertas: o jovem acaba de prestar vestibular para Física na UFSC.

:: Vídeo: Tulio explica como tornou-se ajudante da NASA

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