O corredor catarinense Juliano Salvadori, organizador da prova de ciclismo de estrada UCI Gran Fondo Word Series no Brasil, contou como foi participar da primeira edição unificada do Campeonato Mundial de Ciclismo na Escócia.

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Mundial de ciclismo de estrada amador

Pela primeira vez, o Campeonato Mundial de Ciclismo foi unificado em um evento da União Ciclística Internacional (UCI) realizado na Escócia de 3 a 13 de agosto e com 13 modalidades, entre elas a Gran Fondo.

A prova de Gran Fondo funciona como um verdadeiro campeonato mundial de ciclismo de estrada amador em categorias por idade, que vão dos 19 a 89 anos, para homens e mulheres.

– O que mais me surpreendeu foi a maneira como a UCI está tratando o Gran Fondo. Literalmente eles encaram como uma nova modalidade, que é perfeita para incentivar as pessoas a competir a qualquer idade – conta Salvadori, que disputou a prova de estrada na categoria 40-44 anos. O percurso em Glasgow teve um total de 160km com 1.927 metros de desnível acumulado.

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Nas Gran Fondo é comum a participação de ex-ciclistas profissionais. Na Escócia, o pelotão do campeonato mundial de categorias de idade era formado por aproximadamente 70% de ex-profissionais. O cazaque Alexandre Vinokourov, por exemplo, foi campeão na categoria 50-54.

– A prova não teve trecho neutralizado. Largamos forte já na bandeirada. Na minha categoria largaram uns 300 ciclistas e olha, só na minha categoria tinha uns 40 ciclistas ao estilo Van der Poel. Não tinha ninguém para brincadeira, como foi a final do mundial de gran fondo, praticamente ninguém foi lá apenas pelo gosto de participar – destaca o catarinense.

As regras da Gran Fondo são as mesmas da categoria elite e, como em todo evento com a chancela UCI, são estritamente observadas. Depois da chegada, as bicicletas dos primeiros colocados foram pesadas, escaneadas e medidas segundo o gabarito oficial.

– Com ciclista de mais idade os comissários foram ainda mais severos, e tiveram muitos exames antidoping em praticamente todas as categorias – conta.

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Salvadori esteve no congresso de organização do Circuito World Series e passou um dia todo com a organização estudando regulamentos e documentações, gestão de percurso, regras de abastecimento e como é feita a montagem da prova.

O catarinense participou também do briefing para com as pessoas que iam trabalhar no evento e também do briefing dos atletas.

– No Mundial de Gran Fondo estava toda a cúpula da UCI, inclusive os comissários que fizeram o briefing do evento no dia anterior. Até o presidente da UCI disputou a corrida como prova de engajamento da UCI com a modalidade Gran Fondo – conta.

No evento, Salvadori conheceu o delegado técnico, o belga Erwin Vervecken, que foi designado para supervisionar a prova em Pomerode.

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– Me chamou a atenção o básico bem feito e a simplicidade da gestão da prova. Eles estão focados pura e simplesmente em entregar uma boa prova de ciclismo. A inscrição custou 120 euros e o kit é um envelope com um número e um chip, que por sinal deve ser devolvido no final da corrida para receber o depósito caução de volta. Quem quiser camiseta, caramanhola, boné, meia ou outro produto é só adquirir nas lojas oficiais. Funciona assim – conta Salvadori.

Estrangeiros confirmados no Brasil

Para disputar a prova do Mundial, o ciclista tem que ter uma licença UCI válida para a temporada. Quem é brasileiro deve ser filiado em alguma federação estadual e solicitar junto à Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) a carteira que será emitida pela entidade na Suíça.

Outra exigência é ter um seguro especial e com validade internacional. Todo competidor tem que usar um chip ativo, que é entregue ao atleta mediante uma caução por cartão de crédito.

– Para a etapa Brasil é permitida a tecnologia de chip descartável para cronometrar nossa prova (…) Já temos alguns europeus inscritos em nossa prova, uma francesa, um alemão, um norte-americano, bem como vários atletas da Argentina, Colômbia, Paraguai e Uruguai até o momento – explica.

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Segundo o catarinense, o percurso foi 90% em área rural e bem técnico, com apenas dois pontos de água, bebida isotônica e banana. O detalhe é que o ciclista deve parar e fazer o próprio abastecimento, já que não tem ninguém para dar em mãos.

– Quem quiser água tem que desmontar e abastecer sua caramanhola direto do galão de água. O mesmo vale para o isotônico e para a banana. É bem diferente das provas do Brasil – conta.

Salvadori lembra que o foco das provas UCI de Gran Fondo é o ciclismo e toda a dureza deste esporte.

– O percurso na área rural era em estradas estreitas, muitas vezes sem faixa e nas descidas tinha placas de alerta para trechos de gravel, que na realidade era um asfalto todo destruído com pó de brita por cima e havia buracos e remendos. Foi bom para desmitificar que na Europa todo asfalto é perfeito – afirma.

Outro ponto interessante destacado por Salvadori foi a simplicidade da chegada. – Não tinha nada, nem medalha de Finisher. Medalhas são só para os três primeiros do pódio. Na área de chegada tinha food trucks, mesas e um belo gramado, onde o público sentava para comer e beber algo e ouvir as bandas tocando ao vivo – lembra.

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A magia do ciclismo em Pomerode

A UCI Gran Fondo World Series Brasil é a única seletiva na América do Sul para a prova do campeonato Mundial que vai definir os novos donos da camisa de campeão mundial da temporada 2024, na Dinamarca.

Os primeiros 25% de cada categoria da prova catarinense serão classificados para a disputa do Mundial. O catarinense lembra da importância da UCI Gran Fondo World Series Brasil.

– É a magia pura do ciclismo Pro Tour. Poder disputar uma medalha de circuito mundial e ter o privilégio de usar a camisa de campeão mundial por uma temporada inteira – finaliza.

Vale europeu

O percurso da UCI Gran Fondo World Series Brasil tem 143 quilômetros de extensão com 1,4 mil metros de altimetria acumulada e vai passar pelas cidades de Pomerode, Timbó, Rio dos Cedros, Benedito Novo e Doutor Pedrinho.

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A região é conhecida como Vale Europeu, conhecido pela beleza e pelo circuito de cicloturismo mais antigo do Brasil. A prova pode também ser disputada na versão Medio Fondo, com 80km e 600 metros de ascensão total.

De acordo com Salvadori, para a UCI, uma Gran Fondo com 500-600 participantes a prova é considerada de tamanho médio e com 1 mil participantes já é um grande evento.

– Já temos mais de 700 inscritos até o momento e a UCI está muito satisfeita com nosso trabalho para esta primeira edição. Tanto é que a prova do ano que vem já está confirmada e será no dia 3 de novembro de 2024, em Pomerode. Possivelmente teremos também a prova de crono individual, além da Gran Fondo de estrada – comemora Salvadori.

Seletiva para o Mundial na Dinamarca

A UCI vai trazer para Pomerode a camisa de campeão da etapa World Series para cada faixa etária e também as medalhas UCI para os três primeiros de cada categoria. Haverá também a medalha de Qualifier da UCI para quem chegou em até 25% do tempo do vencedor de cada faixa etária, que dá o direito de disputar o campeonato mundial de Gran Fondo, que em 2024 será em Aalborg, na Dinamarca, de 29 de agosto a 1 de setembro.

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A organização da UCI Gran Fondo World Series Brasil vai oferecer medalhas para os três primeiros colocados de cada categoria.

O kit do atleta do UCI Gran Fondo vem com uma camisa oficial do evento e outros produtos de merchandising poderão ser adquiridos nos pontos de venda oficiais. A prova em Pomerode terá carro de apoio neutro Shimano e muitos pontos de alimentação e hidratação durante o percurso.

Novas regras a partir de 2024

Salvadori salienta que durante o Campeonato Mundial a UCI divulgou algumas novas regras para o circuito UCI Gran Fondo World Series a partir de 2024.

Podem qualificar para a disputa do mundial Gran Fondo homens de 19 a 59 anos e mulheres de 19 a 49 anos. Ciclistas com idade superior ao limite devem correr na Medio Fondo.

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A Medio Fondo por sua vez tem categorias para homens de 60 a 89 anos e de 50 a 89 anos para mulheres. “Na prova tem todas as categorias, mas somente as acima qualificam para o Mundial”, explica Salvadori.

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