Aos 26 anos, Gabriel Sara foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira. Natural de Joinville, no Norte catarinense, o meio-campista participará dos dois últimos amistosos antes da Copa do Mundo de 2026. A expectativa é que o desempenho nas partidas contra França e Croácia seja decisivo para que o joinvilense conquiste uma vaga na lista final do mundial.

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Da escolinha pública à Seleção Brasileira

Atualmente, Sara é um nome forte e reconhecido no futebol mundial. Antes, no entanto, sua história iniciou pela maior cidade de Santa Catarina: Joinville. A sua relação com o esporte vem desde muito pequeno, já que seu pai é um jogador de futebol aposentado, que, inclusive, atuou pelo clube da cidade.

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Natural do Rio de Janeiro, Jorge Luiz Gomes Sara se mudou para Santa Catarina em 1994, quando iniciou a trajetória profissional no Joinville Esporte Clube (JEC) como ponta. O atleta, que também atuou no Americano e Rio Branco, passou o amor pelo esporte aos seus filhos, João, Gabriel e Samuel.

— Uma memória, que eu acho que é uma das mais marcantes para nós, filhos, é de uma fita cassete que meu pai tinha. Ele deixava reproduzindo, e a gente via os vídeos dele jogando, e isso era bem legal. Eu lembro disso, o Gabriel também lembra, todo mundo lá de casa lembra. Inclusive, tinha um um gol de bicicleta que meu pai tinha marcado pelo próprio Joinville — conta João Sara, irmão de Gabriel e filho de Jorge Luiz.

Desde a infância, o trio já jogava futebol pelo bairro Guanabara, na zona Sul do município, onde a família construiu a vida. Quando Gabriel tinha apenas 6 anos, os irmãos começaram a participar do projeto Real Master, da Escola Municipal Professora Anna Maria Harger.

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— É uma escolinha de futsal, que é um projeto bem legal que existe até hoje, já tem mais de 25 anos. Então, nosso contato com o futebol começou aí, praticamente. Essa influência [da escolinha] foi bem importante também — afirma.

João conta que, o apoio da família e amigos que fizeram no bairro Guanabara, levaram os irmãos a aperfeiçoarem o talento no futebol cada vez mais. Gabriel e Samuel, que tem 24 anos, seguiram como jogadores profissionais, já João iniciou uma carreira como empreendedor.

Ida a São Paulo

Na pré-adolescência, Gabriel passou a chamar a atenção de olheiros e clubes por todo o Brasil. O irmão mais velho relembra que, em uma única partida, o meio-campista chegou a marcar 12 gols.

— Teve até uma matéria que saiu no jornal, que ele foi destaque na partida. Então, ali ele começou a chamar a atenção de outros lugares e começou o monitoramento do São Paulo — relembra João.

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Gabriel foi monitorado e testado pelo São Paulo por cerca de um ano. Uma das avós do atleta o acompanhou nas viagens de ônibus interestadual até o clube paulista para as avaliações.

Quando Gabriel tinha apenas 14 anos, o São Paulo formalizou o convite para o adolescente se mudar para Cotia e morar no moderno Centro de Treinamento do clube.

A mãe do jogador, Viviane Sara, relembra o momento de apreensão que a decisão causou na família.

— Foi bem difícil. A gente sabia que ele tinha bastante potencial e a gente se preocupava em ele ir para algum lugar que não desse suporte pra ele. Mesmo porque a gente não podia ir junto, tínhamos quatro filhos (com o Gabriel), tínhamos nossos trabalhos, tínhamos que sustentá-los. Mas com coragem a gente deixou. Eu fiquei com o coração na mão — relembra Viviane.

Expansão da carreira

Gabriel evoluiu profissionalmente a partir das divisões de base do São Paulo e teve a primeira oportunidade entre os profissionais em 2019, quando a equipe era comandada por Fernando Diniz. A primeira experiência no futebol internacional foi defendendo o Norwich City, da segunda divisão inglesa, a partir da temporada 2022/23.

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No ano seguinte, o joinvilense se destacou pelo clube com 14 gols e 13 assistências em 53 jogos. Com isso, chamou a atenção do Galatasaray, da Turquia. Gabriel segue como um dos principais nomes do time e vive no país transcontinental.

— Lá tem alguns lugares bem cheios que ele não tem como ir. A gente vai no mercado, no shopping, ele é reconhecido. Chega no aeroporto, quando vai buscar a gente, ele tem que ir disfarçado porque se não a gente não anda — conta a mãe.

Convocação

O nome de Gabriel Sara foi anunciado na tarde desta segunda-feira (16) pelo técnico Carlo Ancelotti. O atleta irá participar dos jogos da Seleção Brasileira contra a Croácia e França, nos dias 26 e 31 de março, respectivamente.

— Foi muito emocionante. Ficamos aqui em frente à televisão, porque como ele já estava na pré-lista o coração já estava acelerado. Na hora que apareceu o nome dele foi aquela gritaria, choradeira, foi muito emocionante. É o sonho dele de infância começando a ser realizado — diz a mãe.

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Viviane ainda relata que passou um filme na cabeça ao ver seu filho do meio ser convocado para jogar pelo Brasil.

— Passou um filme de quando ele começou, pequeninho. Quando ele estudava ali no Anna Maria Harger, que ele jogou no projeto de futsal. E dali ele foi jogar outros campeonatos que ele foi se destacando, depois foi para o campo. Ele sempre dizia desde pequeno: “Mãe, meu sonho é um dia chegar lá na Seleção Brasileira” — relembra.

A família de Gabriel ainda mora em Joinville. João é proprietário de um centro de treinamento funcional, enquanto o pai e a mãe tocam projetos paralelos. Já Samuel Sara atua como jogador de um time da segunda divisão do Rio de Janeiro, onde mora atualmente.

— A nossa família, graças a Deus, sempre foi muito unida. E o fato do meu pai ter sido um atleta de futebol, ele sabia o quanto o futebol pode impactar na vida de uma pessoa, né? Então, a gente sempre conseguiu se apoiar, a gente cresceu sonhando junto. E o fato da gente se apoiar tanto como irmãos, quanto como família, com certeza é um fator determinante nesse sucesso — finaliza João.

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