No mês que vem, representantes do meia blumenauense Nathan Allan de Souza vão se reunir com o italiano Antonio Conte, técnico do Chelsea. Em pauta, a definição se o jogador estará ou não nos planos do atual campeão inglês na próxima temporada. Para a maioria dos jovens atletas, um encontro como esse seria motivo para gerar ansiedade, inquietação, apreensão, agonia.

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Para Nathan, não. Deitadão no divã de um estúdio de tatuagem às margens da Rua Francisco Vahldieck, no bairro Fortaleza, o jogador nem parecia estar tão empolgado com a reunião que pode fazê-lo vestir a camisa azul do time londrino daqui a alguns meses. E o motivo: o momento que vive em território holandês.

Titular absoluto no Vitesse, clube que disputa a primeira divisão do futebol na terra dos Países Baixos, Nathan vem de boas e constantes atuações – que inclusive o levaram ao título da Copa da Holanda, o primeiro troféu relevante erguido pelo clube.

A ideia do blumenauense é não deixar esse momento passar para ser apenas figurante em um elenco que conquistou nada mais, nada menos, que a Premier League nesta temporada. Com contrato garantido até 2020 com o Chelsea, Nathan não quer dar o passo maior do que a perna e deseja aproveitar a fase no clube onde está emprestado:

– Minha primeira temporada lá não foi boa, tive uma lesão e me compliquei. Já neste segundo ano na Holanda foi muito bom. Hoje passo na rua e as pessoas me param, cumprimentam, conversam, tiram fotos. Há um reconhecimento. Se pudesse escolher, ficaria no Vitesse.

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Mas, por quê? O que leva um atleta a optar por um clube de menor expressão no Velho Continente que disputará a Liga Europa em vez de um dos maiores que estará na Liga dos Campeões? Nathan explica que o momento vivido aos 21 anos não pode ser deixado de lado:

– Não tenho pressa, e não quero chegar como uma dúvida. Quero ir quando estiver pronto e for uma certeza para o próprio Chelsea. Se fosse só pela mídia, eu até poderia ir. Mas para quê? Ficar no banco? – questiona.

Nova tatuagem têm vínculo

com início da carreira

Quando ainda era uma promessa do Atlético-PR, Nathan vestiu a camisa 10 da Seleção Brasileira no Mundial Sub-17 dos Emirados Árabes Unidos. Em Dubai viveu seu primeiro grande momento da carreira e isso marcou o jovem jogador. Para se lembrar daqueles dias, o meia resolveu fazer tatuagens em árabe e uma delas foi concluída ontem: “guerreiro”.

– As pessoas pensam que jogar futebol é fácil, pensam que a gente tem um monte de privilégios, pensam em um contexto só. Mas não é assim. Tive que ralar muito. Com 12 anos de idade deixei minha família em Blumenau para morar em Curitiba. Foi uma fase difícil e por isso me considero um guerreiro – explica.

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Depois de viver um hiato na carreira, após uma sequência de duas lesões entre o fim de 2015 e o início de 2016, Nathan ficou fora dos holofotes e, como consequência, dos planos do técnico Rogério Micale para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Isso ocorreu, em partes, pela saída do blumenauense do Atlético-PR para o Chelsea, de onde logo foi emprestado ao Vitesse. Se tivesse ficado no Brasil, talvez a chance de estar no time campeão olímpico tivesse surgido. Mas como no futebol não existe “se”, nem “talvez”, diz não ter arrependimento e estar preparado para as novas chances.

– Claro que passa pela cabeça que eu poderia ter estado lá, mas passou. Imagino que a próxima temporada será a melhor da minha carreira até agora e aí sim vou trilhar meu caminho de volta à Seleção – projeta o otimista blumenauense, que aproveita um período de férias em Blumenau antes de retornar à Holanda.

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