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    Prisão Temporária

    Defesa das vítimas promete atuar para manter preso médico investigado por estupro em Florianópolis

    Omar César Ferreira de Castro foi detido em seu próprio consultório, no Ceisa Center, na manhã de terça-feira por seis policiais civis

    17/02/2016 - 05h06 - Atualizada em: 17/02/2016 - 05h37

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    Por Redação NSC
    Nutrólogo que atende em consultório no Centro de Florianópolis saiu algemado, mas escondendo punhos sob toalha 
    Nutrólogo que atende em consultório no Centro de Florianópolis saiu algemado, mas escondendo punhos sob toalha 
    (Foto: )

    Preso temporariamente na manhã de terça-feira, 16, após ser investigado por pelo menos 14 crimes sexuais contra pacientes, o nutrólogo Omar César Ferreira de Castro, 66 anos, foi encaminhado ao Complexo Penitenciário da Agronômica, em Florianópolis, no fim da tarde de terça-feira. Conforme o delegado Ricardo Lemos Thomé, autor dos dois inquéritos, os desdobramentos após a detenção é que vão determinar um possível pedido de prisão preventiva. O médico nega as acusações de estupro e o advogado responsável, Alceu Oliveira Pinto Júnior, disse que, a pedido dos familiares, não irá comentar a prisão.

    — Vamos esperar possíveis novas denúncias de mulheres, além de analisar o material dos computadores e de câmeras de segurança para, então, encaminhar o pedido de prisão preventiva à Justiça — explicou o líder da investigação. — Existe muita coerência nos históricos trazidos pelas 14 mulheres ouvidas, que até então não se conheciam, e sobre os detalhes de como o médico abusava delas.

    "Cancelem as consultas. Vou até a delegacia", diz médico ao ser preso em Florianópolis

    A prisão do médico incentivou outras mulheres a relatarem situações parecidas vividas no consultório. Pela página do DC no Facebook, pacientes e ex-pacientes contavam histórias próprias ou de conhecidas que também passaram por momentos de constrangimento com o médico. Além disso, a Delegacia da Mulher, Criança e Idoso de Florianópolis informou que mais seis boletins de ocorrência contra o médico foram feitos nesta terça, após a prisão.

    Ainda no final da manhã de terça, Maria* entrou em contato por telefone com o Diário Catarinense. A advogada, cujo relato contido no boletim de ocorrência integra a investigação na Delegacia da Mulher, Criança e Idoso da Capital, mostrou-se aliviada com a prisão de Omar.

    — Tudo o que eu vivi, volta à tona. É revoltante. Na época, em junho do ano passado, eu desenvolvi diversas doenças que tinham origem psicológica, porque muitas pessoas duvidavam e me perguntavam se eu queria levar isso (denúncia) adiante. Minha pele estourou, emagreci 18 quilos e meu maxilar se deslocava com frequência. Mas agora estou aliviada e espero que ele não volte a exercer a profissão — torce.

    O advogado Francisco Emmanuel Campos Ferreira, que até a tarde de terça-feira representava Maria* e outras quatro vítimas do médico, destacou a gravidade do delito, que é considerado hediondo desde 2013 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

    — Há comprovação material do crime de estupro em todos os casos. A conduta caracterizava isso. Vamos atuar nas esferas criminal, civil e administrativa para impedir que esse médico continue atuando — garante o criminalista.

    Nutrólogo pode ter CRM cassado

    O Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) determinou a abertura de uma sindicância para apurar as denúncias contra o médico. No órgão, existem processos contra o nutrólogo ?— nenhum está relacionado à prática sexual, como os investigados pela Polícia Civil, mas sim à conduta médica.

    Reunidos na manhã de terça, representantes do departamento jurídico e da diretoria do CRM não quiseram falar sobre os motivos dos processos em andamento. Explicaram que se trata de uma conduta ética, mas reconheceram a gravidade das denúncias que chegaram à Polícia Civil. Como os abusos teriam ocorrido dentro do consultório, momento em que o médico exercia a atividade profissional, o assunto será apurado pela corregedoria do CRM. A pena pode variar de uma simples advertência à cassação do registro profissional.

    O médico

    Omar César Ferreira de Castro é gaúcho e formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Até o fim da década de 1980, tinha dois registros profissionais ativos no Estado vizinho: clínico-geral e anestesista. Em 1990, transferiu a atuação para Santa Catarina com o registro adicional de nutrólogo, especialidade médica que estuda, pesquisa e avalia os impactos da ingestão dos nutrientes no organismo, conforme a Associação Brasileira de Nutrologia.

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